News

Quase metade de usuários da internet não quer compartilhar dados bancários

A poucos meses de começar a ser implementado no Brasil, o Open Banking ainda não é conhecido pelo brasileiro e, por isso, tem gerado desconfiança. Uma pesquisa feita pelo banco digital C6 Bank em conjunto com o IBOPEdtm mostrou que 46% dos entrevistados não têm interesse de compartilhar seus dados com as instituições financeiras, e que 72% se preocupam com quem terá acesso a essas informações. Ao mesmo tempo, 38% entendem que, ao permitir esse compartilhamento, terão acesso a serviços mais personalizados. Já a maioria (73%) afirma que precisa entender melhor o assunto para decidir. O levantamento ouviu 2.000 pessoas entre os dias 18 e 24 de novembro.

Minoria da minoria. A pesquisa do C6 mostrou também que apenas 2% dos entrevistados conhecem bem o que é o Open Banking. O início do processo de implementação, que estava previsto para 30 de novembro, passou para 1º de fevereiro de 2021. A conclusão, que deveria acontecer até 25 de outubro de 2021, foi para 15 de dezembro do ano que vem.

Fonte: O Estado de São Paulo

NOVA PALESTRA SOBRE LGPD (Lei Geral de Proteção de Dados)

CICLO DE PALESTRAS  ASERC / SECOBESP / UNIASERC 

NOVA PALESTRA SOBRE LGPD (Lei Geral de Proteção de Dados)

IMPACTO NO SEGMENTO – RECUPERAÇÃO DE CRÉDITO – OPERAÇÃO

Dia 25 DE NOVEMBRO às 10hs

Prezados senhores,

Convidamos a todos os nossos filiados a assistirem a palestra a respeito do LGPD, agora em uma abordagem muita mais focada em esclarecer e orientar nossas empresas no tratamento e uso de dados pelo nosso segmento no dia a dia do nosso trabalho.

A live será realizada no dia 25/11 às 10:00hs, esperamos a participação de todos, principalmente pela importância do tema.

As inscrições podem ser feitas através dos nossos e-mails ouvidoria@aserc.org.br secretaria@secobesp.org.br com antecedência, para que possamos estabelecer a mídia a ser utilizada de acordo com a demanda, além de contar com a inteiração de todos nos questionamentos que poderão ser feitos no ato, e, ou, por intermédio dos e-mails acima,  para respostas posteriormente, assim como qualquer contato com o palestrante.

Palestrante DR. LEANDRO ALVARENGA MIRANDA

Segue a qualificação do nosso palestrante, demonstrando todo seu envolvimento e conhecimento do assunto: Advogado brasileiro e europeu, consultor nacional e internacional em privacidade, proteção de dados e direito digital, Data Protection Officer – DPO Europeu (curso superior na Espanha), autor do livro “a proteção de dados pessoais e o paradigma da privacidade” e co autor do Livro “O Legitimo Interesse e a LGPDP”, palestrante,  professor  em MBAs na cadeira de Direito Digital e Consumidor, participante no Congresso Nacional da criação da Lei Geral de Proteção de Dados Pessoais e Cadastro Positivo, pós graduado em direito civil e processo, mestre em direito internacional e doutorando pela Universidade Autônoma de Barcelona, membro do 5º Tribunal de Ética e Disciplina e da Comissão de Direito do Consumidor da OAB/SP, Membro da Comissão Permanente de Estudos de Tecnologia e Informação do Instituo dos Advogados de São Paulo – IASP, colunista do Olhar Digital e consultor da câmara dos Deputados e Senado nas áreas de tecnologia e direito. Diretor Jurídico da Associação Nacional de Bureaus de Informação – ANBI.

ESSA PALESTRA SERÁ PATROCINADA POR : LEMIT e Kolmeya

Parceira e fornecedora de insumos tecnológicos operacionais às empresas. ACESSE O SITE https://lemitti.com/home, e https://kolmeya.com.br/home conheça e qualidade e as vantagens dos produtos oferecidos, em condições especiais para filiados a ASERC e SECOBESP.

Voltaremos ao assunto para informes sobre o link a ser acessado.

Em caso de dúvidas usem os nossos canais “HOME”

PARTICIPEM

SECOBESP: O ÚNICO SINDICATOEXCLUSIVO DA CATEGORIA

ASERC : ASSOCIAÇÃO OFICIAL NACIONAL DA CATEGORIA

Itaú aumenta crédito e tem menor inadimplência, mas lucro cai quase 30% no 3º trimestre, para R$ 5 bilhões

Banco diz que em meio ao cenário adverso da economia, em face da pandemia de Covid-19, segue notando sinais de melhora

Maior banco privado do país, o Itaú (ITUB4) conseguiu ampliar sua carteira de empréstimos no terceiro trimestre deste ano, reduzindo a taxa de inadimplência, mas não escapou de uma redução do lucro na comparação anual.

O lucro recorrente do banco foi de R$ 5,030 bilhões entre julho e setembro, 29,7% menor do que o valor visto um ano antes. Contra o segundo trimestre, porém, houve um aumento de 19,6%.

O retorno recorrente sobre o patrimônio líquido (indicador que mede como os bancos investem os recursos de seus acionistas, chamado de ROE) foi de 15,7%. Ele apresentou uma alta frente ao segundo trimestre de 2,2 pontos percentuais, mas ainda assim ficou 7,8 pontos percentuais abaixo do nível visto entre julho e setembro de 2019.

“Em meio ao cenário adverso da economia, em face da pandemia de Covid-19, seguimos notando sinais de melhora ao longo do terceiro trimestre”, destacou o banco em seu balanço.

Um desses sinais de melhora foi o aumento da carteira de crédito, de 4,4% sobre o segundo trimestre e de 20,4% sobre o mesmo período de 2019. Com isso, o banco encerrou setembro com R$ 847 bilhões em empréstimos.

O crescimento mais expressivo da carteira de crédito foi no segmento micro, pequenas e médias empresas, que subiu 36,9% na comparação anual. Já os empréstimos a pessoas físicas aumentaram 3,5%.

Segundo o Itaú, o crescimento da carteira de crédito para micro, pequenas e médias empresas ocorreu em função da concessão de linhas incentivadas pelo governo como o Pronampe e o FGI BNDES. O banco também destacou que seu balanço foi ajudado pelo custo do crédito menor — houve uma redução de 18,7% na comparação anual, atingindo R$ 6,3 bilhões.

Isso devido à menor necessidade de constituição de provisão para perdas no banco de atacado no Brasil, o que foi compensado parcialmente pelo aumento da despesa no banco de varejo no país.

O banco registrou a menor taxa de inadimplência acima de 90 dias desde a fusão entre com o Unibanco, em 2008, de 2,2% no terceiro trimestre. Um ano antes, ela estava em 2,9%, e no segundo trimestre deste ano, em 2,7%.

Com isso, o banco pôde reduzir em 16,2% as provisões para possíveis calotes (créditos de liquidação duvidosa), na comparação com o trimestre anterior, para R$ 6,337 bilhões. Sobre o mesmo período do ano passado, houve aumento de 28,8%.

A margem financeira com clientes recuou 11,2% na comparação anual, para R$ 16,9 bilhões. Segundo o banco, isso ocorreu em função da mudança no mix de produtos do varejo, com uma menor utilização de produtos rotativos e maior utilização de créditos parcelados com melhores condições e taxas, da maior representatividade da carteira de pessoas jurídicas e do impacto da redução da taxa de juros na remuneração do capital de giro próprio.

As despesas não decorrentes de juros, que foram de R$ 12,7 bilhões, cresceram no trimestre (+4,7%) em função do aumento dos custos variáveis associados com a maior atividade econômica, do impacto do acordo coletivo de trabalho nas despesas de pessoal e da influência da variação cambial nas despesas na América Latina. Sobre o mesmo período de 2019, elas caíram 0,9%.

Fonte: Info Money

LGPD em Televendas: Como encontrar novos clientes sem descumprir a lei?

LGPD em Televendas possui diretrizes sobre o uso de quaisquer dados pessoais, incluindo números de telefone – o que gera um impacto direto em canais de marketing baseados em dados, principalmente aqueles voltados para vendas. Entenda como funciona a lei e as novas formas para prospecção de clientes.

A LGPD – Lei Geral de Proteção de Dados Pessoais, Lei Federal nº 13.709/2018, após pouco mais de dois anos de sua publicação, entrou em vigor. Ou seja, a LGPD em televendas já não é mais novidade, cabendo lembrar que, no ordenamento jurídico, presume-se o cumprimento da lei. Ou seja, “ninguém se escusa de cumprir a lei, alegando que não a conhece” (Artigo 3º Decreto-Lei nº 4.657/1942 – Lei de Introdução às normas do Direito Brasileiro.

Quais os impactos da LGPD em televendas?

Os princípios, fundamentos e aplicabilidade da LGPD foram apresentados no artigo referente à LGPD na Cobrança, o qual recomendamos a leitura caso ainda haja dúvidas sobre esses conceitos também em relação à LGPD em televendas.

De maneira geral, as diretrizes da lei foram desenhadas de forma a garantir a transparência e a segurança entre os negócios que envolvem o tratamento de dados pessoais. São raras exceções de aplicabilidade da lei, não sendo preciso dizer que é de observância obrigatória a LGPD em televendas ou quaisquer outras áreas de negócio.

Seguramente, dizemos que a LGPD em televendas implementa novas oportunidades, garantindo uma maior proximidade com o cliente, principalmente quando falamos sobre como os dados pessoais foram obtidos, armazenados, gerenciados e processados. Sendo assim, a LGPD em televendas, pode ser vista não como um problema e sim como uma oportunidade!

O questionamento a ser realizado considerando a aplicação da LGPD em televendas seria: como eu posso engajar melhor o público que compartilha um interesse comercial legítimo com os meus negócios ou produtos?

LGPD em televendas: Onde estão as oportunidades para conseguir clientes e garantir a conformidade?

A observância da LGPD em televendas exige sim dedicação e uma expansão das formas de encontrar novos clientes. Ações de inbound marketing tem sido cada vez mais relevantes, já que o conteúdo disponibilizado pela empresa gera uma maior aproximação do público com o seu produto/serviço e, consequentemente, enquanto as televendas geram um contato pessoa-a-pessoa mais efetivo, buscando entender as necessidades, a situação atual e as dores do cliente.

Para a adequação à LGPD em televendas, a revisão e inovação em estratégias para obtenção de novos clientes é uma grande realidade. E nesse ponto, cabe destacar a importância do estudo e gerenciamento adequado das bases de dados já existentes, antes mesmo até de buscar novos clientes.

O enriquecimento de dados é grande aliado na obtenção de novos negócios e pode estar completamente em conformidade com a LGPD em televendas. O importante, nesse tipo de negociação é a realização de avaliação de que o seu fornecedor de dados está em conformidade com a lei.

Nesse cenário, destacam-se as soluções oferecidas pela Think Data, bureau de informações referência em todo o mercado nacional. A Think Data, por meio de seus especialistas e consultores que possuem amplo conhecimento sobre a observância da LGPD em televendas, orientam as melhores práticas para  observância e conformidade da lei em projetos totalmente personalizados de enriquecimento de dados, no qual, é avaliada a real necessidade de cada cliente, para que se obtenha somente os dados necessários para o negócio, adequando-se às hipóteses de tratamento previstas na LGDP.

Por meio do enriquecimento cadastral, é possível obter os melhores telefones de contato com o cliente, com destaque ao Localização Garantida®, solução totalmente inovadora e única no mercado que permite 100% de assertividade na validação de vínculo entre telefone e documento pessoal.

Além disso, através do cruzamento de informações disponíveis em seu big data, a Think Data possibilita que os clientes, não só localize, mas que conheça melhor seu perfil a fim de fornecer a possibilidade de um contato mais próximo, personalizado e assertivo, sempre observando os requisitos da LGPD em televendas.

Afinal, meus acionamentos cumprem as exigências da LGPD?

Para os acionamentos telefônicos estejam em conformidade com a LGPD em televendas, é importante que o interesse esteja legitimado em ao menos uma hipótese elencada no artigo 7º da LGPD, cabendo destaque ao legítimo interesse. Além disso, é importante observar e minimizar a quantidade de dados pessoais coletados e tratado, garantindo que a pessoa contatada tenha a opção de não ser mais contatada novamente (opt-out).

Considerando como oportunidade, é importante lembrar da conformidade da LGPD em televendas como uma ferramenta que tornará os negócios mais transparentes e confiáveis, construindo relações fortes e recompensadoras.

Para falar com os especialistas da Think Data e saber mais como encontrar novos clientes garantindo a conformidade com a LGPD ou testar gratuitamente as soluções da empresa, acesse: https://www.thinkdata.com.br/teste-gratuito/

Fonte: Tink Data

BB e Caixa desfazem acordo para compartilhar uso de ATMs e lotéricas

Parceria será extinta em 18 de novembro depois de banco comandado por Pedro Guimarães propor reajuste

O Banco do Brasil (BC) e a Caixa encerraram uma parceria que permitia aos clientes de uma instituição usar os terminais de autoatendimento da outra, inclusive a rede de lotéricas.

O BB informou ontem, em comunicado ao mercado, que o acordo deixará de vigorar a partir de 18 de novembro. Dessa forma, o banco iniciou ações para ampliar sua rede de correspondentes – chamada de Rede Mais BB – nos municípios que atualmente contam exclusivamente com esses canais de atendimento. Nos correspondentes, segundo o banco, os clientes têm acesso a recebimento de boletos, saldos e extratos; convênios e tributos; depósitos; pagamento de benefícios do INSS, além dos saques de conta corrente e poupança.

BB e Caixa mantinham esse acordo desde 2005. A decisão de interromper a parceria se deu após decisão da Caixa de reajustar o contrato, apurou o Valor. De acordo com fonte a par das discussões, foi proposto um aumento de 150% no preço.

O argumento foi o de que o valor cobrado até agora não cobria sequer os custos de operação da Caixa e dos lotéricos, e por isso o banco decidiu revisar o acordo.

A cobrança se dava conforme a movimentação dos usuários nos terminais. Porém, os clientes do BB recorriam muito mais à rede da Caixa, que é mais ampla – são 4,1 mil agências e 13 mil lotéricas – do que o contrário. Por isso, na prática, a conta ficava mais cara para o Banco do Brasil.

O Valor apurou que o BB foi notificado da decisão da Caixa de reajustar o contrato há 60 dias e, como não houve entendimento, o acordo foi encerrado. A medida faz parte de uma série de revisões de custos e parcerias que vêm sendo feitas pela instituição financeira comandas por Pedro Guimarães. Há, também, um interesse da Caixa em fortalecer o relacionamento com as agências lotéricas, consideradas estratégicas para dar capilaridade a sua seu atendimento. Procurada, a Caixa não comentou o assunto.

Além dessa mudança nos canais do varejo, o Banco do Brasil anunciou ontem a escolha de Bernardo Rothe para assumir a vice-presidência de atacado. O executivo deixará o comando da BB Seguridade para assumir o posto, que estava vago desde a morte de Walter Malieni, no mês de agosto. (Colaborou Sérgio Tauhata)

Fonte: valor Economico

A LGPD no mercado de crédito

Na visão do setor de birôs de crédito, a Lei Geral de Proteção de Dados é positiva para o país, seus cidadãos e empresas

O volume gigantesco e crescente de dados pessoais que trafegam na internet, entre outros meios, é hoje um dos ativos mais valiosos em circulação no mundo.

Com o objetivo de definir regras para o tratamento desses dados pessoais, a Lei Geral de Proteção de Dados Pessoais (LGPD), que entrou em vigor no dia 18 de setembro, é positiva para o país, seus cidadãos e empresas. Para os cidadãos, porque os titulares de dados passarão a ter mais informações sobre o tratamento dos seus dados pessoais. Para as empresas, porque a LGPD irá orientar como tratar esses dados segundo critérios e regras para garantir seu uso ético, sem ferir a privacidade e o direito das pessoas. E é igualmente positiva para o Brasil por promover a segurança jurídica necessária para atrair investimentos externos e estimular o desenvolvimento da economia, da tecnologia e do bem-estar social.

Uma das mais importantes contribuições da LGPD é a autodeterminação informativa, que é o direito do titular dos dados saber quem sabe o que sobre ele. Por meio da autodeterminação informativa, o titular dos dados pode exercer real poder de controle sobre a exatidão das informações colhidas, assim como seus destinatários e as modalidades de utilização.

Muito antes da LGPD, os birôs de crédito já ofereciam aos titulares dos dados amplo acesso às suas informações. No Código de Defesa do Consumidor (CDC), assim como na Lei do Cadastro Positivo, estão presentes os princípios da justiça no tratamento das informações, como acesso ou participação, integridade, segurança e reparação – todos eles incluídos também na LGPD. Esses princípios são consagrados internacionalmente, com destaque para o Canadá, os Estados Unidos e a Europa, e conhecidos como “fair information principles”.

Os birôs deram importantes contribuições nesse sentido à lei que alterou o Cadastro Positivo. O artigo quinto da Lei do Cadastro Positivo, por exemplo, que trata dos direitos do cadastrado, fortalece a autodeterminação informativa nesse âmbito ao assegurar os seguintes direitos ao cadastrado:  cancelamento ou  reabertura do cadastro, quando solicitado; acesso gratuito, independentemente de justificativa, às informações existentes nos bancos de dados, inclusive  histórico e nota de crédito, cabendo ao gestor de banco de dados (GBD) manter sistemas seguros, por telefone ou meio eletrônico, de consulta às informações pelo cadastrado;  impugnação de informação erroneamente anotada em bancos de dados e ter, em até dez dias, sua correção ou cancelamento em todos os bancos de dados que compartilharam a informação; e ser informado previamente sobre a identidade do gestor, armazenamento e objetivo do tratamento dos dados pessoais.

Em relação ao tratamento dos dados, o artigo sétimo da LGPD prevê dez bases legais ou hipóteses de tratamento para dados pessoais, sem que haja qualquer hierarquia. O setor de birôs de crédito utiliza, na maioria de suas atividades, a base legal do inciso X: proteção do crédito, inclusive em sintonia com a lei do Cadastro Positivo. Os birôs de crédito lidam também com dados pessoais, que são todos aqueles relacionados a uma pessoa natural ou física identificada ou identificável.

A ANPD é fundamental para a segurança jurídica na implementação da LGPD

Na visão do setor de crédito, a entrada em vigor da LGPD sem o pleno funcionamento da Autoridade Nacional de Proteção de Dados Pessoais (ANPD) gera insegurança jurídica em relação à adequada aplicação da lei. Em 27 de agosto deste ano, foi publicado, no Diário Oficial da União, o Decreto 10.474/2020, com a aprovação da estrutura regimental da ANPD, órgão vinculado à Presidência da República, assim como do quadro demonstrativo dos cargos em comissão e das funções de confiança. Agora, a Presidência da República precisa indicar os cinco membros do Conselho Diretor da ANPD a serem sabatinados e aprovados pelo Senado Federal antes da posse.

A ANPD é fundamental porque a LGPD possui inúmeros dispositivos que necessitam de regulamentação ou orientação da Autoridade competente. E, como a LGPD envolve todos os setores e segmentos da economia brasileira, é recomendado que a ANPD seja dirigida por um Conselho Diretor e um corpo funcional com ampla disponibilidade para conhecer as especificidades de cada segmento e expertise técnica, em especial de setores habituados ao uso de dados pessoais, ciência de dados, governança de dados, segurança da informação, desenvolvimento da economia digital e transformação digital, além de conhecimentos em convergência regulatória, certificações e boas práticas internacionais.

Adicionalmente, como as questões sobre privacidade e proteção de dados pessoais são disciplinas novas no Brasil, a capacidade técnica da ANPD também é relevante para o trabalho normativo e estrutural da Autoridade. Da mesma forma que a ampla participação de todos os setores da sociedade, em especial os setores diretamente afetados pelo novo arcabouço normativo. A ANPD é essencial, ainda, para que haja segurança jurídica em relação à definição da melhor interpretação das regras com vistas a manter o equilíbrio entre proteção dos titulares dos dados pessoais e desenvolvimento econômico e social. Sem sua condução estratégica e educativa, as múltiplas interpretações de outras esferas públicas tenderão a causar insegurança jurídica e milhares de ações judiciais, que poderiam ser dirimidas em boa parte dos casos por instruções e orientações prévias da Autoridade competente.

A implementação e a normatização do tema no país devem surgir de maneira orquestrada, sob a coordenação da ANPD, e como resultado de amplos e abertos processos de consultas públicas e análises de impacto regulatório, evitando decisões monocráticas e pontuais, sem que se busque, inicialmente, a efetiva adequação à LGPD. O setor privado organizado sugere o debate regulatório e se propõe a colaborar ativamente na elaboração das balizas, orientações regulatórias e trabalhos educativos. O diálogo com o Poder Público e outros setores organizados é e continuará a ser uma prioridade para o setor privado na busca dos melhores resultados para a sociedade.

Fonte: Estadão

Crédito e recuperação econômica

A recuperação econômica estará condicionada ao controle da pandemia e ao apoio ao emprego e renda

As crises financeiras “convencionais” recentes têm se caracterizado por períodos relativamente longos de crescimento econômico acompanhados de rápida expansão do crédito e do endividamento e sobrevalorização de ativos. A euforia termina normalmente com o surgimento de algum choque exógeno que aumenta as incertezas, desvaloriza ativos, eleva a morosidade das carteiras dos bancos e paralisa o crédito. Algo assim se passou em países da América Latina quando da eclosão da crise financeira de 2008 em meio ao boom das commodities.

A crise atual, porém, tem características distintas, já que muitas economias da região já vinham desacelerando muito antes da pandemia – em alguns casos, desde 2014. Além disso, diferentemente da anterior, a crise atual é verdadeiramente global, não teve origem no setor bancário, o seu fim depende dos desdobramentos de temas nada convencionais, como a dinâmica da pandemia e a disponibilidade e eficácia das vacinas e, desta vez, já não há uma locomotiva tracionando a economia dos países emergentes, como foi o então caso da China na crise passada.

A recuperação econômica estará condicionada ao controle da pandemia e ao apoio ao emprego e renda

Diante disso, muitos governos da região implementaram ambiciosos programas de liquidez e estímulo às empresas, incluindo flexibilização de provisões e de encaixes compulsórios dos bancos, garantias parciais de crédito, apoio temporário para pagamentos de folhas salariais e moratórias de obrigações financeiras e impostos, o que daria alívio e fôlego até a suposta fase de reativação econômica.

O problema é que, ainda que as economias da região cresçam algo no próximo ano, é provável que as incertezas ainda persistirão nos mercados, a pandemia ainda será tema preocupante e a reativação econômica será lenta. Nesse contexto, é razoável esperar que muitas empresas tenham mais problemas financeiros e que aqueles problemas se complicarão ainda mais quando os diferimentos de dívidas finalizarem e as empresas e outros devedores se virem confrontados com aumentos de pagamentos num ambiente ainda desafiador, levando ao aumento da morosidade e da inadimplência.

Tal como tem enfatizado Carmen Reinhart, economista chefe do Banco Mundial, é possível que esteja em formação uma “crise silenciosa” associada às dificuldades de diferenciar empresas ilíquidas de empresas potencialmente insolventes. A moratória de dívidas de um lado, e a ampliação de atividades financeiras de empresas por meio do setor não bancário de outro levam à perda do “pulso” dos devedores, ou seja, de informações valiosas sobre as condições financeiras e operacionais daqueles devedores, o que adiciona às dificuldades já existentes de identificação de riscos e avaliação da qualidade das carteiras dos bancos.

Embora os sistemas financeiros da região tenham se fortalecido bastante nos últimos anos e muitos bancos tenham se precavido e feito voluntariamente aumentos de provisões em face da crise, o fato é que os bancos são tão fortes quanto os seus clientes, os seus colchões de segurança e a qualidade da regulação bancária.

A história das crises sugere que um fator determinante para a recuperação econômica é a gestão adequada do crédito. Não parece exagero supor que a ampliação do crédito será especialmente lenta na atual crise, o que requererá ação prudente, porém ativa por parte dos reguladores e do governo diante das condições e necessidades das economias.

O que fazer? Por suposto, não haveria um conjunto único de recomendações, já que medidas dependem das condições específicas de cada país, incluindo estágio da crise sanitária, estágio do desenvolvimento do sistema financeiro e espaço fiscal. Porém, vale salientar algumas notas gerais.

Uma primeira recomendação é procurar não confundir efeitos rebote típicos de períodos pós-colapso com recuperações econômicas firmes. Afinal, um risco conhecido é retirar estímulos prematuramente, o que pode retroalimentar a crise. O contrário também se aplica, qual seja, estender estímulos para além do necessário, fragilizando balanços fiscais e dos bancos e gerando ineficiências. O tema é um desafio que requer elementos inovadores de análise econômica e muita coordenação.

Uma segunda recomendação é fortalecer e garantir a autonomia e independência dos reguladores do sistema financeiro e dos fundos de pensão de forma a trazer mais segurança aos agentes econômicos e ancorar expectativas, temas fundamentais para a gestão de crises financeiras.

Uma terceira recomendação são medidas que ajudem a “limpar” os balanços dos bancos, abrindo espaços e capacidade para que possam conceder créditos novos, dentro da prudência necessária. Para isto, poderá ser preciso acelerar o reconhecimento de perdas esperadas e trabalhar desde logo em planos de recapitalização dos bancos. Também poderão ser necessários compras e trocas de carteiras de bancos e programas de titularização de dívidas.

Uma quarta recomendação inclui visitar temas como o fortalecimento dos fundos de seguro de depósitos bancários, que se encontram em distintos estágios de desenvolvimento na região, o desenvolvimento e adoção de métodos inovadores de identificação de riscos de crédito em contextos complexos como o atual, o aumento da oferta de produtos financeiros inovadores e o estímulo à competição no mercado de crédito.

Por fim, há que se ter em conta que por mais que a gestão do crédito venha a ser oportuna e adequada, a recuperação econômica estará condicionada ao controle da pandemia e à medidas que apoiem o emprego e a renda.

Fonte: Valor Economico