News

Bradesco lança Pix Saque em 22 mil estabelecimentos no País

O Bradesco lançou no fim de dezembro o serviço Pix Saque em 22 mil estabelecimentos comerciais espalhados pelo País. O uso do novo serviço começa com o estabelecimento gerando um QR Code com o valor solicitado pelo usuário. Em seguida, o cliente escaneia com seu celular o código, autoriza a transação e pode receber o valor em espécie.

Além da aposta de aumento do fluxo de pessoas, o estabelecimento receberá uma tarifa (não divulgada pelo Bradesco) pelo serviço prestado.

Para ser um correspondente bancário, o varejista deve entrar em contato com o gerente do banco para se cadastrar como tal ou fazer a solicitação por meio deste site. Mas precisará aguardar aprovação depois de uma análise prévia.

Fonte: Mobile Time

Empresas negociam com credores e escapam da recuperação judicial

Número de pedidos registrado em todo o país em 2021 é o mais baixo dos últimos seis anos

O número de pedidos de recuperação judicial registrado em todo o país em 2021 é o mais baixo dos últimos seis anos. Até o mês de novembro, 807 empresas haviam batido à porta do Judiciário, segundo a Serasa Experian. É menos da metade do que se viu em 2016, por exemplo, ano do impeachment de Dilma Rousseff, em que foram contabilizados 1.865 casos.

A baixa procura contraria a previsão feita por especialistas no começo do ano. Falava-se em recorde de recuperações judiciais. A busca por bancas especializadas estava alta. A pandemia havia agravado e aquele momento coincidia com o vencimento dos prazos das dívidas que foram renegociadas pelas empresas em 2020.

Um dos principais motivos para essa panela de pressão não ter estourado, segundo advogados, foi o comportamento dos credores – bancos, especialmente. A disposição para as negociações, em alta no ano de 2020, se repetiu em 2021.

Companhias que estavam com a papelada pronta para entrar com pedido de recuperação conseguiram mais prazo e condições de pagamento muito próximas das que pleiteariam no processo judicial. “Todas as vezes que tentamos negociar nós conseguimos”, diz a advogada Ana Carolina Monteiro, do escritório Kincaid Mendes Vianna, especializado na área de insolvência.

André Moraes, do Moraes & Savaget Advogados, cita um de seus clientes, uma rede de hotéis conhecida do Rio de Janeiro. “Estávamos prontos para entrar com o processo e não seguimos adiante por causa da renegociação. Os bancos estão renegociando em termos e parâmetros que antes não eram comuns fora do ambiente da recuperação.”

Além de conseguir negociar as dívidas, as empresas tiveram acesso a mais crédito – em bancos ou por meio de programas do governo operacionalizados por instituições financeiras. Entre eles, o Pronampe, destinado a companhias que faturaram até R$ 4,8 milhões em 2020.

Segundo a Federação Brasileira de Bancos (Febraban), a carteira de pessoas jurídicas cresceu de forma expressiva desde o ano passado – especialmente para o segmento de micro e pequenas empresas. Foi registrado aumento de 22% em 2020 e atualmente está em alta de 11,4%.

A captação no mercado de capitais, pelas grandes empresas, além disso, mesmo com o ano ainda em aberto, demonstra ser maior que a registrada no período pré-pandemia. Foram R$ 450 bilhões neste ano de 2021 contra R$ 432,5 bilhões em 2019.

O volume total de crédito concedido ao mercado está em R$ 4,5 trilhões – o que equivale a 53% do PIB (aqui incluídas também as pessoas físicas).

Vicente de Chiara, diretor jurídico da Febraban, diz que a combinação de renegociações das parcelas em aberto e a liberação de mais crédito para que as empresas conseguissem cumprir com as suas obrigações geraram os menores índices de inadimplência da história. A inadimplência é justamente o que leva aos pedidos de recuperação e às falências.

No período pré-pandemia, ele afirma, estava em 2,2% da carteira e hoje é de 1,4%. “A tendência é que aumente um pouco em 2022, mas certamente vai continuar em patamar inferior ao índice da pré-pandemia.”

Além do fator pandemia, dizem advogados, as soluções extrajudiciais também foram impulsionadas pela nova Lei de Recuperações e Falências, que entrou em vigor no mês de janeiro.

Agora, as empresas podem, por exemplo, se utilizar do chamado stay period fora do processo de recuperação judicial, ou seja, enquanto tentam negociar com os credores. Esse mecanismo suspende as ações de cobrança contra a devedora.

Os prazos, no entanto, são diferentes. Nas recuperações judiciais, as ações de cobrança ficam suspensas por 180 dias. Já para as negociações a nova lei prevê até 60 dias.

A nova norma também deu força para as recuperações extrajudiciais. Tanto na judicial como na extrajudicial, o devedor reúne os seus credores para negociar. Elabora-se um plano de pagamento – geralmente com prazo de carência, descontos e o parcelamento dos valores. Se a maioria dos credores aprovar tais condições, todos os outros ficam vinculados e receberão o que lhes é devido da mesma forma.

Muda de uma modalidade para a outra, no entanto, a quantidade de credores envolvida. Na judicial, são submetidas todas as dívidas contraídas até a data de início do processo (há exceção para débitos fiscais e valores com garantia fiduciária).

Já na extrajudicial, a devedora escolhe os credores com quem deseja negociar – o que a permite, por exemplo, poupar fornecedores, evitando se indispor com quem é essencial ao negócio. Essa negociação ocorre sem que haja interferência do Judiciário. Só depois de aprovado pelo grupo de credores, o plano de pagamento é levado para a homologação de um juiz.

Antes da nova lei, era necessária a concordância de 50% dos credores com quem a devedora escolheu negociar. Agora, se o devedor tiver um terço de aprovação do plano de pagamento, ele comunica o juiz e ganha um prazo de 90 dias para tentar convencer os demais – e chegar aos 50%.

Durante esse período, as ações de cobrança ficam suspensas. Se mesmo depois desse prazo o devedor não conseguir a aprovação, ele ainda pode entrar com pedido de recuperação judicial.

O advogado André Moraes diz que das 13 recuperações iniciadas pelo escritório neste ano, três foram extrajudiciais. Uma delas, da Flytour, maior agência de viagens de negócios do país. A intenção, com a recuperação extrajudicial, era a de preservar o maior número de clientes e fornecedores possíveis.

As negociações ficaram concentradas em nove credores financeiros – Bradesco, Banco do Brasil e Itaú, além de fundos de investimentos. Eles aprovaram o plano de pagamento em julho. O documento informa dívidas de R$ 142 milhões.

Especialistas na área de insolvência afirmam que os pedidos de recuperação – tanto extrajudicial como judicial – foram capitaneados, neste ano, por empresas de setores diretamente afetados pela pandemia: hotelaria, turismo e transporte.

A SuperVia, companhia de trens urbanos da região metropolitana do Rio de Janeiro, está entre as que entraram com pedido de recuperação judicial. A empresa encerrou 2020 com prejuízos acumulados de R$ 386,52 milhões, que atribuiu principalmente à redução de passageiros provocada pela pandemia.

O pedido de recuperação, segundo informou em nota, teve como objetivo preservar a prestação do serviço e iniciar um novo ciclo de negociação com os credores e o poder concedente para superar a crise financeira.

Segundo os dados da Serasa Experian, dos 807 pedidos de recuperação judicial registrados até o mês de novembro, 539 foram protocolados por pequenas empresas, 183 por médias e 85 por grandes companhias.

No ano de 2020, foram apresentados 1.179 pedidos de recuperação judicial. É pouco provável que o total ainda a ser registrado neste mês de dezembro se aproxime da quantidade verificada em 2020.

Para 2022, diz Eduardo Seixas, diretor de reestruturação da Alvarez & Marsal, não deve haver grande mudança. “Haverá eleições. Normalmente, em ano eleitoral, o volume de recuperações judiciais equivale, mais ou menos, ao ano anterior. Foi assim na última década.”

Fonte: Valor Econômico

Febraban relaciona expansão de crédito ao controle da inadimplência

A redução estrutural da diferença entre taxas, que alavancaria a expansão do crédito, pode vir pela redução da inadimplência

O economista chefe da Federação Brasileira de Bancos (Febraban), Rubens Sardenberg, afirmou há pouco que há espaço para crescimento da relação entre volume de crédito concedido e Produto Interno Bruto, hoje em 54%, para a casa dos 80% nos próximos anos. Ele comentou o cenário do crédito no país no 3º seminário “STF em Ação”, organizado pelo Instituto de Estudos Jurídicos Aplicados (IEJA), hoje no Rio de Janeiro.

Sardenberg afirmou que os obstáculos dessa expansão são o custo da intermediação financeira no país e o nível de inadimplência, que torna a atividade de concessão de crédito menos atrativa para os bancos, ao mesmo tempo em que eleva as taxas de juros praticadas.

“Poderíamos estar falando de 70%, 80%, 90% do PIB. Há espaço enorme para crescer as operações de crédito. Para isso é preciso preservar a segurança jurídica conquistada e, também, que o Brasil siga em trajetória de redução dos custos de intermediação financeira, sobretudo aqueles relacionados à inadimplência”, disse Sardenberg.

O economista apresentou uma desagregação da diferença entre taxas média experimentado pelo setor entre 2018 e 2020. Segundo a Febraban, 18,9% da diferença entre taxas é a parte do lucro dos bancos, enquanto 19,6% são tributos, 29,6% são despesas administrativas e 31,9% representam os custos da inadimplência. Somados, portanto, 81,1% são considerados custos de operação, enquanto 18,9% é margem de lucro.

Em linha com pleito antigo da Febraban, Sardenberg defendeu que a redução estrutural da diferença entre taxas, que alavancaria a expansão do crédito, pode vir pela redução da inadimplência e dos impostos sobre a atividade.

Ele diminui o peso da margem de lucro dos bancos ao alegar que, se a diferença entre taxas bancária em 2021 foi de 15,33%, apenas 2,9 ponto percentual seriam relativos a ganhos. “Se o lucro fosse zero, a diferença entre taxas ainda seria de 12,4 ponto percentual”, defendeu.

Apesar do cenário, ressaltou, Sardenberg, o país vem em trajetória de expansão ‘notável’ do crédito desde os anos 1990, que inaugurou taxas de inflação mais baixas no pós-plano real, além da alienação fiduciária e a nova lei de falências. Nesse período, lembrou, a relação crédito x PIB era de 20%.

O economista assinalou, ainda, que o avanço recente foi reflexo da diminuição da participação dos bancos públicos na concessão de crédito, que permitiu crescimento da participação de bancos privados e incremento no mercado de capitais.

Até meados de 2017, mostrou Sardenberg, a razão entre o estoque de títulos domésticos no mercado de capital brasileiro e o PIB era de 6,7% e, em quatro anos, quase dobrou, para os 12,2% verificados em 2021.

Fonte: Valor Investe

BC muda cálculo de endividamento de famílias

Com essa alteração, o endividamento das famílias brasileiras com o sistema financeiro aumentou de 48,7%, em agosto, para 49,4% em setembro

O Banco Central apresentou nesta terça, 28, sua nova metodologia para calcular o endividamento e o comprometimento de renda das famílias. Com essa alteração, o endividamento das famílias brasileiras com o sistema financeiro aumentou de 48,7%, em agosto, para 49,4% em setembro. Pela metodologia anterior, que será descontinuada, a taxa estava em 59,9% em agosto – recorde da série em vigor até então.

Se forem descontadas as dívidas imobiliárias, o endividamento ficou em 30,6% em setembro pelo novo cálculo, ante 30,1% do mês anterior – estaria em 37% em agosto pela antiga metodologia.

O BC explicou que apresentou o conceito da chamada Renda Nacional Disponível Bruta das Famílias (RNDBF), uma nova medida de renda das famílias que aprimora e substitui a antiga medida de Massa Salarial Ampliada Disponível (MSAD), aproximando-se do conceito utilizado no Sistema de Contas Nacionais.

Entre as principais diferenças em relação ao antigo modelo, de acordo com o BC, estão a inclusão de recursos recebidos extraordinariamente pelas famílias, como o saque emergencial do FGTS em 2019 e o auxílio emergencial recebido em 2020 e 2021, como parte das medidas para compensar a crise econômica derivada da pandemia de covid.

“As novas séries apresentam níveis inferiores aos das séries anteriores, em função do aumento dos seus novos denominadores, mas suas trajetórias no longo prazo permanecem essencialmente as mesmas – as trajetórias podem apresentar maior disparidade no comprometimento, que utiliza no denominador a média móvel trimestral do indicador de renda, enquanto no endividamento é utilizada a renda acumulada em 12 meses, explicou o BC em nota.

Trajetória

Durante a apresentação dos novos números, o chefe-adjunto do Departamento de Estatísticas do BC, Renato Baldini, afirmou que o “novo indicador capta de forma mais precisa auxílios, férias, horas-extras e 13.º salário”.

Assim como foi mencionado na nota técnica divulgada pelo BC, Baldini disse que a nova metodologia considera uma renda mais alta e que, portanto, o endividamento tende a ficar menor. Ele também reforçou que o comportamento, a evolução e a trajetória do endividamento vão seguir iguais aos cálculos que eram apresentados anteriormente pelo BC. “A análise não muda”, garantiu ele.

O técnico salientou também que o aumento do endividamento não deve ser analisado como uma informação necessariamente ruim, já que isso pode significar a avaliação de famílias e empresas de que têm condição de honrar seus empréstimos. “A elevação do crédito imobiliário, por exemplo, é positiva”, afirmou ele, comentando que isso pode representar que o cidadão pode deixar de pagar aluguel.

Segundo o BC, o comprometimento de renda das famílias com o Sistema Financeiro Nacional (SFN) atingiu 26,2% em setembro, ante 25,8% no mês anterior – era de 30,1% em agosto pela metodologia antiga. Descontados os empréstimos imobiliários, o comprometimento da renda ficou em 24,1% no nono mês do ano, ante 23,7% de agosto (27,6% pela conta anterior). As informações são do jornal O Estado de S. Paulo.

Fonte: Época Negócios

Endividamento das famílias põe atividade de 2022 em risco

População recorre a crédito de curto prazo para compensar perda de renda

Depois da decepção com a inesperada queda nas vendas do varejo em outubro, divulgada na semana passada, analistas alertaram com mais ênfase para o estrago que o alto nível de endividamento e comprometimento de renda ainda deve causar no consumo, em meio a uma piora significativa das condições financeiras das famílias. Junto com a forte elevação dos juros iniciada neste ano, esta deve ser mais uma trava para o crescimento da atividade em 2022.

De acordo com dados do Banco Central e da Tendências Consultoria, endividamento e comprometimento continuam a bater recordes. Agora, há um agravante, o crescimento de um crédito extremamente caro e de curto prazo, composto pelo cartão de crédito rotativo e parcelado e do cheque especial, na contramão da desaceleração do crédito livre à pessoa física. São modalidades usadas para complementar renda do consumo no dia a dia.

“Além dos níveis elevados do endividamento e do comprometimento, o que merece atenção para 2022 é o crescimento do crédito emergencial, que tem juros acima de 100% ao ano”, afirma Isabela Tavares, economista da Tendências.

Depois de desacelerar em 2020 com a concessão do auxílio emergencial e renegociação de dívidas, a demanda por essas linhas de crédito voltou a aumentar. “Nos últimos três ou quatro meses elas estão crescendo, na margem, em termos reais e dessazonalizados”, afirma Tavares. Os volumes ainda são baixos, mas merecem atenção diante do cenário de mercado de trabalho ruim, aumento dos juros e endividamento, reforça.

Segundo a economista, em termos reais e dessazonalizados, o crescimento médio do crédito rotativo e parcelado foi de 4,9% ao mês de julho a outubro, contra alta de 2,2% de janeiro a junho deste ano. No mesmo período em 2020 (julho a outubro) houve queda média de 1,7%.

Outro dado que aponta maior uso do cartão é a pesquisa mensal da Confederação Nacional do Comércio (CNC). Em novembro, a proporção de famílias endividadas no cartão de crédito, 85,2%, teve um aumento de 7,4 pontos percentuais, a maior alta da série do levantamento.

Há vários elementos que ajudam a explicar o aumento do endividamento das famílias desde o ano passado, afirma Sergio Vale, economista-chefe da MB Associados. Um deles foi o juro baixo, que incentivou aquisições de imóveis e bens duráveis. Mas agora esse nível alto de dívidas se junta ao momento difícil da economia. “Com renda curta, a população começa a usar cartão de crédito, entra no cheque especial. Acessa um crédito que talvez não usaria numa situação melhor”, diz. “Cartão de crédito sendo usado com intensidade no momento fraco da economia é um sinal de alerta, ainda mais com um cenário preocupante para 2022”, afirma.

Os dados mais recentes do BC, de agosto, mostram que o endividamento chegou a 60%, alta de 8,8 pontos percentuais em um ano. O indicador mede a relação entre o saldo das dívidas das famílias e a renda acumulada em 12 meses. O comprometimento de renda alcançou 30%, alta de 0,8 ponto percentual.

No cálculo da Tendências, no mesmo período, os percentuais eram de 51,1% e 23,1%, respectivamente. Em setembro esses números tinham avançado para 52,5% e 25,2%, altas de 7,4 pontos e 3 pontos sobre o ano passado. A diferença entre os números do BC e os da consultoria é que a Tendências inclui o saldo do cartão de crédito sem juros na conta e considera a massa de renda habitual (valor sem acréscimos extraordinários ou descontos ocasionais). O BC usa a massa de renda efetiva (valor de fato recebido pelos trabalhadores em determinado período). Seja como for, ambos os cálculos mostram níveis recordes.

O processo de aperto monetário deve piorar ainda mais as condições financeiras das famílias de um lado, e de outro deve contribuir para um recuo no indicador de endividamento ao limitar o crédito, diz Tavares. Mas o nível deve continuar alto. O mesmo deve ocorrer com o comprometimento. As concessões de crédito livre para pessoa física devem sair de alta de 12% para 2,4% de 2021 a 2022, segundo estimativas da consultoria.

Outro item da equação da piora do orçamento familiar é a queda da renda do trabalho, que neste ano deve chegar a 6,5% e, em 2022, a 2%, em termos reais, segundo estimativa da Tendências, que leva em conta a renda média habitual. Vale, da MB, vê recuo parecido na renda do trabalho, de 2,1%, em 2022.

Assim, as condições estão dadas para uma atividade fraca no futuro próximo. O consumo das famílias, que puxa o PIB pelo lado da demanda, deve crescer apenas 0,5%, segundo Sergio Vale. “A economia vai crescer zero, a inflação vai ceder, mas ainda vai estar alta e ainda os juros vão encarecer o crédito. Para a população mais pobre a situação pode ficar mais complicada”, diz o economista. O programa Auxílio Brasil, que deve pagar R$ 400 mensais a 17 milhões de famílias vai apenas impedir um quadro mais grave em sua avaliação.

“O Auxilio Brasil vai ser usado para consumo básico e pagar dívidas”, diz. E junto com a safra de grãos, que deve ser recorde, deve ajudar a economia a não entrar em recessão. “Evita uma recessão, mas a economia deve permanecer estagnada com as condições de juros, inflação, emprego informal, risco político e fiscal. Um cenário que não favorece o consumo e uma retomada vigorosa de crescimento.”

Fernando Sampaio, da LCA Consultores, observou durante evento para traçar cenários para o próximo ano, que a desaceleração da inflação, de quase 11% em 2021 para algo em torno de 5%, deve beneficiar a demanda de bens essenciais, como alimentos. Mas as categorias que dependem de crédito, como os bens duráveis e material de construção, não devem ir bem. “O endividamento e o aumento dos juros vão desacelerar esses setores”, afirmou.

Nesse cenário, a inadimplência, que se manteve comportada até agora, pode crescer. Mas não se espera uma alta mais pronunciada como houve em 2015/ 2016. “Esse comportamento é a grande surpresa do mercado de crédito. Os prazos ainda estão bem elevados, o que ajuda a adiar um aumento. Mas há um cenário prospectivo de maior risco para a inadimplência”, afirma Isabela Tavares, da Tendências. Para Vale, da MB, a fragilidade econômica, que promete ser longa, pode ter efeito nesse indicador. “Em 2022, na média, ela deve ser maior.”

Fonte: Valor Econômico

Crescem concessões de crédito mais caro a pessoas físicas

Segundo o Banco Central, situação deve-se ao maior apetite dos bancos para oferecer linhas com maior risco, combinado com maiores dificuldades das pessoas físicas em pagar as suas faturas

As famílias passaram a tomar linhas de empréstimos mais caras nos bancos nos últimos meses, como cheque especial e cartão de crédito. Enquanto isso, as modalidades mais baratas, como crédito consignado e financiamento de veículos, perderam fôlego.

Essa mudança na composição do crédito, segundo o Banco Central, deve-se ao maior apetite dos bancos para oferecer linhas com maior risco, combinado com maiores dificuldades das pessoas físicas em pagar as suas faturas do cartão de crédito e acessar linhas mais baratas.

Dados divulgados nesta terça-feira (28) pelo Banco Central mostram um avanço em novembro de 13,5% nas concessões acumuladas em 12 meses nas linhas de empréstimos mais caras, incluindo o rotativo e parcelado do cartão de crédito, o cheque especial e o crédito sem consignação em folha de pagamento. Houve uma aceleração importante nessas linhas, que até agosto vinham encolhendo.

Já as modalidades de empréstimos mais baratas tiveram um incremento em novembro de 7,5% nas concessões acumuladas em 12 meses, incluindo o crédito consignado, financiamento de veículos, financiamentos de outros bens e arrendamento mercantil. Em agosto, elas cresciam numa velocidade bem mais forte, de 15,6%.

A inadimplência ficou estável em 2,3% em novembro, pelo sétimo mês seguido. Antes da pandemia, oscilava ao redor de 3%.

O impulso às linhas de maior custo já havia sido destacado pelo Banco Central no seu relatório de inflação deste mês. Dados das concessões dessazonalizadas até outubro mostram que os clientes estavam tomando mais empréstimos em linhas de alto custo, enquanto que as linhas com encargos menores estavam se desacelerando.

O diagnóstico da autoridade monetária é que, em decorrência dos baixos níveis de inadimplência e maiores níveis de provisão contra perdas, as instituições financeiras estão mais dispostas a assumir riscos nas linhas rotativas e sem garantias.

O Relatório de Inflação de dezembro, divulgado há duas semanas, diz que a ampliação dessas linhas mais caras também pode estar refletindo “alguma dificuldade das famílias para pagar as compras com cartão de crédito”.

“Do lado da demanda por crédito, o aumento no uso dessas linhas, em ambiente de taxas de juros crescentes, pode refletir, entre outros fatores, dificuldade de acesso a modalidades de custo mais reduzido”, diz o documento.

No ano passado, houve uma certa estagnação na contratação de operações de cheque especial, coincidindo com a vigência de uma norma do Conselho Monetário Nacional (CMN) que impôs um teto nessas operações. Mais recentemente, a modalidade ganhou impulso. Em novembro, as concessões no cheque especial somaram R$ 34,2 bilhões, ante R$ 25,8 bilhões em novembro de 2020.

O relatório também diz que o alto custo dessas operações mais caras contribui para a “elevação dos níveis de comprometimento de renda das famílias ao longo de 2021, que atingiram níveis próximos aos máximos históricos”.

Segundo o BC, o comprometimento de renda das famílias com o pagamento de dívidas subiu de 22,6% em setembro de 2020 para 26,2% em setembro de 2021. O BC mudou a metodologia de cálculo do indicador, que não incluía a renda dos auxílios pagos pelo governo e retiradas esporádicas, como saques do FGTS. Pela metodologia antiga, o comprometimento de renda estava em 30,15% em agosto.

A busca por linhas mais caras ocorre num ambiente de aumento nas taxas de juros do crédito bancário, que, por sua vez, é causado pelo aperto monetário feito pelo Banco Central para combater a inflação.

Em novembro, os juros médios das operações de crédito com pessoas físicas subiram para 28,2% ao ano, ante 27,2% em outubro, no quarto mês seguido de incremento. Em novembro de 2020, estava em 23,7% ao ano, num período em que o Banco Central mantinha os juros básicos no nível historicamente baixo de 2% ao ano.

O custo das empresas também ficou mais alto, passando de 16,5% ao ano para 17,8% ao ano entre outubro e novembro.

O estoque de crédito na economia subiu 1,8% em novembro ante outubro, para R$ 4,575 trilhões. Também aumentou em proporção ao Produto Interno Bruto (PIB), de 52,8% para 53,2%. Em 12 meses, o avanço é de 15,6%, mas a projeção do Banco Central é que desacelere em 2022, para 9,4%.

Fonte: Valor Econômico

Crédito sobe 1,5% e atinge R$ 4,5 trilhões em outubro, diz BC

Alta foi puxada pelos financiamentos às pessoas físicas, que subiram 1,9% no mês

O saldo de crédito no país chegou a R$ 4,497 trilhões em outubro. Subiu 1,5% em comparação com o mês anterior. Essa foi a 9ª alta consecutiva do estoque de financiamentos no Brasil.

Os dados foram divulgados nesta 6ª feira pelo BC (Banco Central). Eis a íntegra do relatório (298 KB).

A alta foi puxada pelo crédito às pessoas físicas, que subiu 1,9%, passando de R$ 2,537 trilhões em setembro para R$ 2,585 trilhões em outubro.

Os empréstimos às pessoas jurídicas subiu de R$ 1,894 trilhão para R$ 1,912 trilhão no mesmo período, o que representa uma alta de 0,9%.

O crédito é dividido entre recursos livres e direcionados. Entenda:

recursos livres — aquele que é negociado no mercado;

recursos direcionados — que há subsídios de governos;

O saldo de crédito com recursos direcionados do governo subiu 1,2% em outubro e atingiu R$ 1,853 trilhão. A alta dos empréstimos com recursos livres foi de 1,7%, atingindo R$ 2,643 trilhões no mês.

As novas concessões de crédito somaram R$ 21,5 bilhões em outubro, uma alta de 1%.

As taxas médias de juros cobradas no país chegaram a 23,2% em outubro, uma alta de 0,5 ponto percentual em comparação com o mês anterior.

O crescimento foi puxado pelos financiamentos com recursos livres: de 30,6% a 32,8%.

O spread bancário –diferença entre a taxa que os bancos pagam para captar dinheiro e os juros cobrados dos clientes– chegou a 15,3 pontos percentuais em outubro. Subiu 0,7 p.p. em comparação a setembro.

A inadimplência dos financiamentos ficou estável em 2,3% no mês.

Fonte: Poder 360

Cresce busca por crédito para negócio próprio

Empreendedorismo por necessidade explica aumento de 11% em pedidos de empréstimo

Solução para muitos em um cenário de desemprego e inflação alta no pós-pandemia, o empreendedorismo tem movimentado também o mercado de crédito. Segundo a plataforma “Bom Pra Crédito”, houve um aumento de 11% nos pedidos de empréstimo para investir no próprio negócio no terceiro trimestre de 2021, em relação ao mesmo período de 2020.

“Há um crescimento na busca de recursos para investir ou iniciar o próprio negócio. Há aspectos macroeconômicos nisso”, avalia Marco Afonso, diretor de marketing e vendas do Bom Pra Crédito.

Durante a pandemia, o número de empreendedores no Brasil subiu drasticamente. Números do Serviço Brasileiro de Apoio às Micro e Pequenas Empresas (Sebrae) mostram que no primeiro semestre de 2021 foram criados 2,1 milhões de pequenos negócios, dado 35% superior ao do mesmo período do ano passado e praticamente o dobro da criação de empresas ao longo de todo o ano de 2015.

Wilson Poit, diretor-superintendente do Sebrae-SP, diz que, apesar da popularização de serviços como Uber, iFood e Rappi, que se tornaram fonte de renda a autônomos em todo o país, a verdadeira “tábua de salvação” para quem fica desempregado acaba sendo a abertura de um negócio.

“Grande parte do nosso público é empreendedor por necessidade. Estamos atendendo a mais de 15 mil pessoas por dia este ano, o que é um recorde histórico”, destaca Poit.

O diretor do Sebrae conta que o caminho mais comum para esse tipo de micro e pequeno empresário é começar o negócio com capital próprio, muitas vezes proveniente de indenizações trabalhistas do emprego anterior, e depois buscar crédito para impulsionar a empresa.

“Nossos campeões de pedidos de orientação aqui são como vender pelo canal digital e como conseguir um microcrédito. O Sebrae não é um banco, mas ajudamos a pessoa a fazer um plano e a ser perseverante quando recebe uma negativa do gerente do banco.”

De acordo com dados do Banco Central, a concessão de crédito a microempresas entrou em uma crescente em 2019 e atingiu seu auge no quarto trimestre do ano passado. Foi quando a concessão de crédito à pessoa jurídica com rendimento bruto anual de até R$ 360 mil atingiu R$ 18,029 bilhões.

Ao longo de todo o ano passado, a concessão de crédito a microempresas totalizou R$ 64,795 bilhões, um crescimento de 12,2% ante 2019.

Já para 2021, a série do BC se limita aos dois primeiros trimestres, que somaram R$ 24,16 bilhões em crédito para microempreendedores, número 19,8% menor que o do mesmo período do ano anterior e mais próximo dos patamares pré-pandemia (3,5% abaixo dos dois primeiros trimestres de 2019).

Marco Afonso acredita que muitas pessoas estão buscando alternativas para complementar a renda em função da redução do poder de compra causada pelo crescimento da inflação.

O Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) de setembro mostrou que a inflação acumulada de 2021 está em 6,9% e nos últimos 12 meses chega a 10,25%, maior taxa desde fevereiro de 2016, quando o acumulado em 12 meses bateu 10,36%, segundo dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).

Ao mesmo tempo em que os preços sobem, o mercado de trabalho continua desafiador. A Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílio (Pnad Contínua) registrou uma queda do desemprego no trimestre encerrado em agosto de 13,7% para 13,2%, o que, apesar de ser uma boa notícia, ainda representa um contingente de 13,7 milhões de brasileiros desocupados.

Para Marco Afonso, os prognósticos para a obtenção de crédito por microempreendedores em 2022 não são mais fáceis, uma vez que as condições macroeconômicas devem ser piores.

“Esse ciclo de aperto na taxa de juros promovido pelo BC torna o cenário momentaneamente pior”, admite.

Poit, por sua vez, diz que inflação e juros em alta em 2022 formam um cenário que preocupa muito, de modo que o pequeno empresário deve ter atenção redobrada no planejamento do negócio.

“A margem de erro tem que ser reduzida para a menor possível. Mesmo o fim do ano sendo corrido, deve ser uma época de muita atenção às perspectivas para orçamento e receitas das empresas para o ano que vem”, defende.

Fonte: Valor Economico