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Receita recupera R$ 5,2 bilhões em dívidas de empresas com o Simples

Mais de 230 mil pequenos negócios regularizaram situação

Mais de 230 mil micro e pequenas empresas quitaram  débitos com o Simples Nacional no segundo semestre de 2019 e foram mantidas no regime especial de tributação em 2020. A regularização das pendências permitiu ao governo recuperar R$ 5,2 bilhões aos cofres públicos.

O balanço da regularização foi divulgado pela Receita Federal. Em setembro do ano passado, o governo tinha notificado 738.605 contribuintes de débitos previdenciários e não previdenciários com a Receita Federal e a Procuradoria-Geral da Fazenda Nacional (PGFN). No total, as micro e pequenas empresas deviam R$ 21,5 bilhões ao Simples Nacional.

Dos R$ 5,2 bilhões recuperados, R$ 3,6 bilhões referem-se a dívidas com a Receita Federal, e R$ 1,6 bilhão a débitos cobrados pela PGFN.

Só foram mantidos no Simples Nacional, regime tributário que unifica a cobrança de tributos federais, estaduais e municipais e tem alíquotas especiais, os contribuintes que quitaram os débitos até 30 dias depois da data de ciência da notificação. Em caso de discordância, micro e pequenos empresários poderiam pedir a impugnação do ato de exclusão.

Quem não pagou os débitos foi retirado do Simples Nacional em 1º de janeiro deste ano. As empresas excluídas, no entanto, têm até 31 de janeiro para pedir o regresso ao Simples Nacional, desde que resolvam as pendências até essa data.

Regularização

O processo de regularização deve ser feito por meio do Centro Virtual de Atendimento ao Contribuinte da Receita Federal, requerendo certificado digital ou código de acesso.

O devedor pode pagar à vista, abater parte da dívida com créditos tributários (recursos que a empresa tem direito a receber do Fisco) ou parcelar os débitos em até cinco anos com o pagamento de juros e multa.

Criado em 2007, o Simples Nacional é um regime tributário especial que reúne o pagamento de seis tributos federais, além do Imposto sobre Circulação de Mercadorias e Serviços (ICMS), cobrado por estados e pelo Distrito Federal, e do Imposto Sobre Serviços (ISS), arrecadado pelos municípios.

Em vez de pagar uma alíquota para cada tributo, o micro e pequeno empresário recolhem, numa única guia, um percentual sobre o faturamento que é repassado para os três níveis de governo. Somente as empresas que faturam até R$ 4,8 milhões por ano podem optar pelo regime.

Fonte: Agencia Brasil

Riscos inesperados ameaçam retorno do crédito privado no Brasil

Gustavo Poletto comprou R$ 200 mil em debêntures de infraestrutura emitidas por uma concessionária de rodovias brasileira em 2015, atraído pelo alto retorno e isenção de impostos. Seu corretor disse que era uma oportunidade única. Agora, o radiologista, de 39 anos, pode perder todo o investimento.

O pessimismo de Poletto é provavelmente justificado. A Concessionária Rodovias do Tietê, que vendeu os títulos, vem tentando reestruturar a dívida e disse que é pouco provável que consiga pagar integralmente os credores. Ainda que Poletto afirme ter aprendido a lição, outros milhares de brasileiros seguem encantados com as debêntures de infraestrutura, ou incentivadas, e outros títulos de crédito privado de alto rendimento. Para muitos, pode ser um sinal de alerta.

“Os riscos em um projeto de infraestrutura podem ser muito grandes”, diz Jean-Pierre Cote Gil, responsável pela área de crédito do family office do Julius Baer Group no Brasil. “Para um investidor de varejo, é difícil analisar, entender e precificar esse risco.”

Os brasileiros estão assumindo mais riscos por uma razão simples: com os juros baixos, precisam encontrar alternativas de melhor rendimento do que os títulos do Tesouro ou a poupança. Muitas vezes, porém, os investidores novatos não estão acostumados com as flutuações do mercado local de títulos corporativos, e não se dão conta que pode ser difícil recuperar perdas ou vender títulos.

As debêntures de infraestrutura usam o fluxo de caixa de um projeto, como de uma estrada pedagiada, para pagar investidores. Projetos mais arriscados deveriam, em tese, pagar prêmios mais altos em relação aos títulos do governo brasileiro, oferecendo retornos atrativos.

As debêntures de infraestrutura também são isentas do Imposto de Renda para pessoas físicas, um outro chamariz. “O Brasil incentivou investidores de varejo a comprar esse tipo de título, mas sabemos que eles geralmente não analisam um projeto em detalhes — se baseiam em um relatório que leem ou em uma recomendação”, diz Cote Gil, que analisa risco de crédito há mais de 20 anos.

Alguns gestores de fundos de investimento no Brasil estão preocupados com a popularidade desses títulos entre clientes do varejo. Desde que o programa de incentivo às debêntures de infraestrutura foi iniciado em 2012 até outubro, foram emitidos cerca de R$ 75,5 bilhões desses títulos, segundo dados compilados pela Bloomberg. Entre os gestores que têm alertado para os riscos está a Quasar Asset Management.

Em outubro, o sócio-fundador Carlos Maggioli disse em um tuíte que os investidores não devem comprar novas debêntures de infraestrutura, porque os spreads não compensavam adequadamente o risco e o prazo.

Por que os gestores estão preocupados? O crédito é uma classe de ativos em rápida expansão no Brasil. Os fundos que investem em dívida corporativa detinham cerca de R$ 15 bilhões em ativos em 2014. Esse volume subiu para quase R$ 100 bilhões em junho, ou cerca de 2% do total da indústria de fundos, de R$ 5 trilhões, diz Alexandre Muller, sócio e gestor da JGP Gestão de Recursos, uma das maiores gestoras independentes do Brasil. Ele compara esse número com os EUA, onde os fundos de crédito representam quase metade do total de ativos. “Então, há muito espaço para crescer”, diz Muller.

Mas os gestores de fundos de crédito querem evitar que esse crescimento traga problemas que possam afastar investidores dessa classe de ativos.

Investidores de varejo costumam demorar para perceber que um título de crédito privados está com problema. Isso acontece porque as corretoras normalmente informam apenas o valor de face dos títulos ao fornecer saldos aos clientes. Portanto, quando ocorre um não-pagamento, os clientes podem acabar surpreendidos com um título sendo marcado a praticamente zero, segundo Muller.

“Estamos fazendo um grande esforço para melhorar a transparência e os processos de marcação a mercado para a maioria dos títulos para que tenham um preço justo e que possa ser confirmado em operações reais”, diz.

A JGP atua como formadora da preços de títulos, um papel geralmente desempenhado por uma corretora ou por um banco. Para Muller, isso ajuda a melhorar a transparência do mercado e também beneficia os fundos da JGP que precisam de uma referência para uma boa negociação.

Fonte: Uol

45 milhões de endividados passaram a ignorar telefonemas por medo de cobrança, mostra pesquisa

Apesar da expectativa de crescimento da concessão de crédito, graças aos novos mecanismos em desenvolvimento no mercado, como o cadastro positivo e open banking, a demanda por empréstimos pode contrariar a tendência, tendo em vista o comportamento do consumidor. De acordo com o levantamento do Instituto Locomotiva, apenas 1/3 dos brasileiros se sentem seguros financeiramente para tomar dinheiro emprestado, o que torna o jogo da cobrança mais complicado do que em outros momentos.

O instituto constatou ainda que este comportamento receoso se explica por conta do pessimismo em relação ao cenário econômico: 2/3 dos brasileiros acham que estamos apenas na metade do começo da crise. E 97% dos entrevistados dizem que a crise impactou suas vidas. “E quanto menor a renda, maior o número de brasileiros que afirmam ter dificuldades para pagar as contas. Não é um cenário muito fácil”, comenta João Paulo Cunha, marketing research manager do Instituto Locomotiva.

A pesquisa aponta ainda que estar inadimplente transcende o transtorno financeiro na vida de um indivíduo, afetando também as esferas social e emocional. “Nove em cada 10 devedores estão muito preocupados com as dívidas, o que soma 57,9 milhões de brasileiros. E essa preocupação afeta o cotidiano. Hoje, 51% admitem ter brigado com alguém da família por conta da dívida e ¾ não atendem chamadas de números desconhecidos com medo de ser uma empresa de cobrança. São 45 milhões de pessoas que passaram a ignorar telefonemas”, continua Cunha.

Outras constatações importantes da pesquisa mostram que 73% dos inadimplentes afirmam ter vergonha que terceiros descubram a sua condição e que 78% acreditam que terão, sim, condições de honrar seus compromissos. Neste recorte entre os otimistas, 80% conta que vai regularizar as dívidas basicamente controlando-as, além de economizar e gerar novas receitas.

João Cunha chama atenção para a desconexão entre empresas de cobrança e tendências de mercado. “Há um consenso entre consumidores e profissionais de cobrança de que a melhor forma de negociar é por meios digitais, que constrange menos e talvez ofereça chance melhor de negociação. Mas 45% das empresas entrevistadas não adotam nenhuma tecnologia na recuperação, das quais 57% pretendem não adotá-las.”

Trabalhar medidas para recuperar este cliente negativado deve ser, na opinião do especialista, a principal jogada do mercado financeiro, já que os 63 milhões de inadimplentes são consumidores. “Não vemos pessoas andando sem roupa na rua, deixando de comer, de andar de ônibus, deixando de comprar. A pesquisa deixa claro que a grande maioria dos inadimplentes fez compras no mercado, online, em shoppings, viu filmes e séries”, continua o especialista do Instituto Locomotiva.

Mais que continuar a consumir, os reinseridos no ciclo compram até mais. “57% deles têm a intenção de comprar móveis para a casa, 47% querem comprar carro, 37% sonham com tvs, 35% com smartphones, geladeiras, máquinas de lavar”, ressalta Cunha.

A fim de repensar o ciclo de crédito, Rodrigo Sanchez, executive VP da Serasa Experian, pontua que não existe concessão de crédito sem inadimplentes e que, para reduzi-la, uma das atitudes é investir na educação financeira ao consumidor. Assim, cria-se um ciclo mais sustentável, em que seja possível reduzir o custo do spread: hoje 37% do spread bancário vem da inadimplência.

No entanto, criar mecanismos para diminuir o número de consumidores com dívidas em abertos e recuperar valores emprestados pode ser mais simples do que se imagina. Roque Pellizzaro Junior, presidente do SPC Brasil, conta que um dos grandes aprendizados que teve em sua experiência do mercado é que só se paga dívida velha com dinheiro novo.

“Inovação não precisa de muita tecnologia na cobrança. Um comerciante de Capinzal, em Santa Catarina, fez uma campanha com os clientes. Como a maioria é pedreiro e faz compras recorrentes, ele colocou um informativo dizendo: ‘Se você me deve e comprar à vista na minha loja, a cada R$ 100 gastos, abato 3% da dívida velha’. Assim, ele criou um mecanismo para manter o cliente e ainda receber a conta no médio prazo”, conclui Pellizzaro.

Fonte: Blog televendas

Brasileiros receberam 45,6 ligações de telemarketing ou golpe por mês em 2019

O problema das ligações de spam está piorando no mundo, inclusive no Brasil: nós recebemos, em média, 45,6 chamadas de telemarketing ou de golpe por mês, em média, ao longo de 2019. O estudo da Truecaller nota que o volume de telefonemas envolvendo fraudes disparou este ano. Também somos um dos países que mais recebe spam por SMS, cerca de 87 mensagens todo mês.

O Brasil é o país que recebe mais ligações de spam no mundo, segundo a Truecaller. O país superou a Índia em 2018, quando recebemos 37,5 chamadas de telemarketing por mês; e se manteve no primeiro lugar em 2019, com 45,6 chamadas em média.

Uma tendência alarmante é que o número de ligações de golpe disparou: elas correspondiam a 1% do total no ano passado, e agora compõem 26%. A Truecaller cita como exemplo a chamada de sequestro falso, na qual alguém finge que sequestrou alguém de sua família e exige que você envie o resgate via transferência bancária.

As operadoras de telefonia e TV paga correspondem ao maior volume de ligações de spam no Brasil: eram 33% do total no ano passado, e são 48% este ano. Elas tentam vender planos mais caros a todo momento, seja enquanto você está no trabalho ou tarde da noite.

O problema se tornou tão grave que a Anatel obrigou as operadoras a criarem um cadastro de bloqueio de telemarketing. O serviço Não Me Perturbe foi lançado em julho e promete barrar ligações da Algar, Claro/NET, Nextel, Oi, Sercomtel, Sky, TIM e Vivo.

E quanto ao telemarketing de outras empresas, como bancos e imobiliárias? Neste caso, é necessário recorrer a um cadastro local, geralmente oferecido pelo Procon. Isso foi lançado recentemente na cidade do Rio de Janeiro e está disponível em estados como São Paulo, Rio Grande do Sul e Goiás.

Brasileiros recebem 87 mensagens SMS de spam por mês

Pela primeira vez, a Truecaller também informa o volume de spam via SMS no mundo. Os três principais mercados afetados estão no continente africano; o Brasil aparece em quarto lugar com 87 mensagens indesejadas a cada mês.

Em 2019, o aplicativo da Truecaller para iPhone e Android bloqueou e identificou 26 bilhões de ligações de spam, aumento de 18% em relação ao ano passado. Quanto a SMS, foram 8,6 bilhões de mensagens de spam em todo o mundo.

O estudo utiliza dados agregados anonimamente a partir de chamadas e SMS que foram marcados como spam pelos usuários, ou que foram sinalizados automaticamente pela Truecaller, entre 1º de janeiro e 30 de outubro de 2019.

Fonte: Tecnoblog

Em cada dez brasileiros, apenas um tem renda suficiente para pagar despesas de início de ano

Minoria dos brasileiros consegue quitar despesas sazonais sem ter que parcelar ou economizar ao longo do ano e outros 22% não fazem planejamento. Consumidor deve ter organização para não se atrapalhar com compromissos de início de ano e parcelas que sobram das compras de Natal

Passada a euforia das compras de Natal e das comemorações de Réveillon, chega o momento de reflexão e de organização com o pagamento das tradicionais contas de início de ano. Um levantamento realizado pela Confederação Nacional de Dirigentes Lojistas (CNDL) e pelo Serviço de Proteção ao Crédito (SPC Brasil) mostra que apenas 11% dos consumidores brasileiros têm condições de pagar as despesas sazonais deste período, como IPTU (Imposto Predial e Territorial Urbano), IPVA (Imposto sobre Propriedade de Veículos Automotores) e material escolar, com os próprios rendimentos, sem que seja necessário fazer uma economia ou reserva financeira ao longo do ano. A pesquisa ainda mostra que 22% dos entrevistados não fizeram qualquer planejamento para pagar esses compromissos em 2020.

De acordo com o levantamento, para este novo ano, a maior parte (26%) dos entrevistados teve de economizar nas festas e com as compras de Natal para conseguir pagar as despesas de início de ano. Outros 21% guardaram ao menos parte do 13º salário para honrar os compromissos, ao passo que 17% disseram ter montado uma reserva ao longo de 2019 para cobrir os gastos no futuro. Outra descoberta é 14% passaram a fazer algum bico para acumular uma renda extra.

Na avaliação da economista-chefe do SPC Brasil, Marcela Kawauti, quem já se organizou para este momento está em situação mais confortável do que aqueles que terão de parcelar as despesas. “O recomendável é que o consumidor já tenha traçado no final do ano passado um planejamento das suas despesas sazonais, separando mensalmente uma quantia para essa finalidade.  Mas quem ainda não teve tempo ou nem pensou nisso, precisa agilizar a organização para não passar sufoco e manter a disciplina para que as prestações não desajustem o orçamento”, afirma a economista.

De acordo com um levantamento do SPC Brasil, na média, o brasileiro que parcelou suas compras natalinas vai terminar de pagar essas prestações somente no mês de abril, o que sinaliza um orçamento comprometido para além do primeiro trimestre do ano.

– IPTU e IPVA: pagar à vista ou parcelado?

Os especialistas do SPC Brasil explicam que para se livrar de compromissos como IPTU e IPVA o mais cedo possível, o recomendado é sempre pagá-los à vista, geralmente, com alguma reserva montada especificamente para esse tipo de gasto. No entanto, se o consumidor for mais organizado e quiser avaliar se o desconto no pagamento único é vantajoso em vez do parcelamento, ele deve fazer um cálculo mais criterioso.

O primeiro passo é avaliar se o desconto oferecido é maior do que o valor que esse dinheiro renderia caso estivesse em alguma aplicação financeira, como a poupança, por exemplo, que rende 0,3% ao mês e é isenta de taxas. No caso do IPTU, considerando um parcelamento em 10 meses, o pagamento à vista será vantajoso se o desconto for superior a 1,5%. No caso do IPVA, supondo um parcelamento em 3 vezes, para o pagamento ser realmente vantajoso, basta que o desconto supere os 0,5%.

Já quem não tem dinheiro guardado deve inevitavelmente pagar a prazo e iniciar um planejamento para quitar essas despesas sem passar por sufoco, dica que vale para todos os consumidores. A sugestão da economista do SPC Brasil é que para os próximos anos, o consumidor faça uma programação automática ou vá separando todo mês um determinado valor para quitar os compromissos sazonais.

Fonte: Redação

Como massificar a cobrança PJ? Líderes do mercado dão dicas

O Brasil vive um fenômeno de ‘pejotização’ dos trabalhadores. Diante do alto índice de desemprego e sem perspectiva real de crescimento da economia em mais de 3% ao ano, segundo Marcos Lisboa, presidente da Insper, cada vez mais a massa de desempregados está partindo para o outro lado do balcão: o mundo dos negócios.

Anúncios da equipe econômica do governo mostraram que o empreendedorismo é, de fato, a grande aposta para impulsionar o ritmo da economia, já que além de inserir mais conteúdo no Portal do Empreendedor, outras opções estão chegando para o público que visa criar a própria empresa, entre elas um marketplace de soluções para o microempreendedor, com informações sobre como precificar produtos, tomar crédito e realizar exportações.

Tantas mudanças na dinâmica do mercado de trabalho criaram uma nova demanda e ainda uma grande questão para as empresas de cobrança. Afinal, como massificar a recuperação deste novo público?

De acordo com Leandro Marques, presidente da Camec-SP (Câmara de Arbitragem, Mediação e Conciliação), o perfil do devedor Pessoa Jurídica é muito parecido com o da Pessoa Física. O empresário observa que o comércio compõe a maioria das empresas com dívida em atraso, seguido das empresas de serviço. A dívida média em aberto é de R$ 5.530 e 70% delas são pendências com bancos.

“São devedores que, muitas vezes, antes de contrair dívidas no PJ, já se comprometeram enquanto PF. Mas a forma que ele interpreta o PJ é totalmente diferente”, conta Marques, referindo ao nível de comprometimento com o perfil empresarial. Na semana de conciliação da Camec, por exemplo, 30 mil inadimplentes responsáveis pelas empresas foram convocados, 20 mil pessoas compareceram e 12.500 fecharam acordo. E o índice de cumprimento do acordo foi surpreendente: 88%.

A equipe Atento + RBrasil também enxerga semelhanças entre consumidor PF e PJ na adoção de estratégias de cobrança de massa. Para recuperar estes clientes e os valores em aberto, Ludovico Guzzo, executivo comercial de cobrança, conta que a empresa adota uma estratégia altamente especializada em público PJ para promover uma negociação de alto nível graças às novas tecnologias.

Mesmo assim, Guzzo afirma ser necessário respeitar o fluxo de caixa do inadimplente, caso o cliente admita não ter dinheiro para honrar os compromissos. E lembra que feirões regionais têm ajudado a facilitar negociações com empresas de débitos em atraso. “O desafio é cobrar dívidas acima de R$ 5 milhões, pois temos de ter um profissional qualificado para este ciclo de recuperação.”

Um dos motivos de orgulho de Guzzo é que a Atento tem um canal omnichannel para que o cliente possa negociar pendências do jeito que ele quiser. “É fazer o básico bem feito. Temos todas as tecnologias de massa para o PJ. O MEI e o empresário ME tendem a negociar pelo portal, fazem o boleto e pagam. Já em empresas maiores, o responsável vai ao portal para entender a dívida e faz um agendamento para discutir os valores com o operador. Este público não tem tanta adesão à tecnologia.”

Já Phelipe Alvarez, sócio-diretor da Intervalor Arvatto, defende que as empresas bem sucedidas na operação de recuperação PJ serão aquelas que usarem análise de dados. Porém, a qualidade dos dados ainda é um entrave para empresas de cobrança. “Os birôs têm muita informação, mas surgiram outras empresas com outros tipos de dados importantes: se a empresa está crescendo, o nível de atividade, o número de funcionários. Ainda assim, o contratante é muito carente de informação para fazer uma política de cobrança. Então, o mercado tem a visão de que carteiras com dois ou três anos de atraso não vale a pena cobrar.”

Para rentabilizar estas “dívidas mortas”, os executivos da Intervalor criaram um desconto maior que a média para pagamento, além de estudar carteiras para equilibrar o faturamento. “São mais descontos para dívidas mais antigas para não queimar desconto com dívidas recentes, para empresas que a gente não precisaria ser tão agressivo”, conclui.

Fonte: Blog televendas

BC quer mutirões para renegociar dívidas de 2 milhões de clientes em 2020

O diretor de diretor de Relacionamento, Cidadania e Supervisão de Conduta do BC (Banco Central), Maurício Moura, afirmou hoje que os bancos devem realizar dois mutirões de renegociações de dívidas para clientes neste ano, um em cada semestre. Cada evento deve atender pelo menos um milhão de pessoas e valer apenas para pessoa física, e não para empresas.

Um mutirão realizado no ano passado atendeu 820 mil pessoas e renegociou R$ 4,5 bilhões em dívidas. O desconto médio foi de 65%, e o prazo médio para pagamento das dívidas foi de 58 parcelas. Na ocasião, os bancos prometeram oferecer até 92% de descontos aos clientes.

“Vamos apurar as lições aprendidas no primeiro [mutirão] e melhorar o que foi feito. Queremos melhorar a parte de renegociação e de compartilhamento de educação financeira”, disse o diretor do BC, sem detalhar novas medidas.

No primeiro mutirão, 560 mil pessoas tiveram acesso a um vídeo sobre educação financeira nas agências dos bancos participantes. O vídeo também foi visto mais de 173 milhões de vezes na internet.

Fonte: Uol Noticias

Percentual de famílias com dívidas chega a 65,6% e atinge maior nível desde 2010, diz CNC

Apesar do nível recorde em dezembro, houve queda na inadimplência e no percentual de famílias que declararam não ter condições de pagar suas contas ou dívidas em atraso.

O percentual de famílias com dívidas no país subiu para 65,6% em dezembro, ante 65,1% em novembro., segundo pesquisa divulgada nesta quinta-feira (9) pela Confederação Nacional do Comércio de Bens, Serviços e Turismo (CNC). Trata-se do maior percentual da série histórica do levantamento, iniciado em janeiro de 2010.

Em dezembro de 2018, o percentual era de 59,8%.

O indicador considera dívidas os compromissos assumidos com cheque pré-datado, cartão de crédito, cheque especial, carnê de loja, empréstimo pessoal, prestação de carro e seguro.

Apesar do nível recorde de famílias endividadas, houve queda no percentual de famílias com contas ou dívidas em atraso (de 24,7% dos endividados em novembro para 24,5% em dezembro) quanto no percentual de famílias que declararam não ter condições de pagar suas contas ou dívidas em atraso e que, portanto, permaneceriam inadimplentes (de 10,2% em novembro para 10% em dezembro). Ambos os indicadores, entretanto, apresentaram alta em relação a dezembro de 2018.

Para o presidente da CNC, José Roberto Tadros, apesar do resultado ligar um sinal de alerta, o endividamento não foi acompanhado de um aumento expressivo da inadimplência, o que indica, segundo ele, uma dívida com responsabilidade e compatível com a renda das famílias.

“A tendência de alta do endividamento está associada à ampliação do mercado de crédito ao consumidor, impulsionada por fatores como a melhora recente no mercado de trabalho, sobretudo no emprego formal, e a redução das taxas de juros para patamares mínimos históricos, o que permitiu a redução do custo do crédito”, afirma Tadros.

Ele destacou ainda que a parcela média da renda comprometida com dívidas recuou em dezembro para 29,7%, menor patamar desde junho de 2019.

Principais dívidas

O cartão de crédito foi mais uma vez apontado como o principal tipo de dívida, sendo citado por 79,8% – maior patamar da série histórica, seguido por carnês (15,6%) e financiamento de carro (9,9%).

Apontado historicamente como o principal tipo de dívida pelas famílias, o cartão de crédito atingiu, em dezembro de 2019, seu maior patamar na série histórica, : 79,8%. Em segundo lugar, aparecem os carnês (15,6%) e, em terceiro, o financiamento de carro (9,9%).

Fonte: G1 economia

Bradesco fechará 10% das agências até fim de 2020

Concorrência maior e economia fraca pressionam balanço

Com a concorrência digital no encalço e um desempenho da economia aquém do imaginado, o Bradesco vai reduzir a rede de agências em quase 10% até o fim de 2020. Depois de encerrar 50 unidades desde janeiro, o banco planeja fechar as portas de mais cem até dezembro e de pelo menos outras 300 ao longo do próximo ano. O Bradesco tinha 4.567 agências no fim do terceiro trimestre.

No curto prazo, a medida é uma das respostas para conter as despesas operacionais, que crescem acima do projetado. De forma estrutural, no entanto, é um passo necessário num contexto de transformação nos serviços financeiros, com a chegada de novos concorrentes e tecnologias. A questão é que o Bradesco não esperava – pelo menos, no discurso – fazer esse ajuste tão rápido.

O banco tinha um visão otimista para a economia neste ano, e chegou a apostar que a reforma da Previdência poderia ser aprovada até março. Além de essa expectativa ter sido frustrada, a instituição tem enfrentado uma competição mais forte em áreas como cartões e investimentos, exploradas por fintechs que, segundo Octavio de Lazari Jr, presidente do banco, “dão trabalho e, em alguns casos, não devem nem mais ser chamadas de fintechs”.

Essas tendências ficaram claras no balanço do terceiro trimestre. O Bradesco teve lucro líquido de R$ 6,542 bilhões em termos recorrentes. A cifra representa aumento de 19,6% em relação ao mesmo intervalo de 2018, mas ficou um pouco aquém das projeções de analistas consultados pelo Valor.

O resultado veio de um bom desempenho no crédito, que compensou receitas de serviços mais fracas que o previsto e forte alta nas despesas. “As despesas se comportaram em níveis superiores, mas já entraram em ritmo de normalização”, disse Lazari ontem, em teleconferência com jornalistas. “No entanto, elas devem fechar o ano acima do guidance.”

Segundo o executivo, a combinação de um novo programa de remuneração variável aos funcionários, acordos em processos trabalhistas e reforço da equipe do banco digital Next provocaram a elevação dos gastos. Em nove meses, as despesas operacionais, que incluem as administrativas e de pessoal, cresceram 7,5%, para R$ 31,895 bilhões, enquanto o avanço estimado estava entre 0% e 4% no ano.

Para atacar o avanço dessa linha, o encerramento de agências promovido até o fim de 2020 deve ser o maior desde a compra do HSBC, em 2016, quando foram encerradas 565 unidades em um ano. A reação vem com um trimestre de atraso em relação aos concorrentes. O Itaú Unibanco fechou 195 agências entre abril e junho. O Banco do Brasil, por sua vez, anunciou em julho um corte de 242 unidades.

Outra iniciativa de redução de custos foi a implementação de um plano de demissão voluntária (PDV) que contava com a adesão de quase 3 mil funcionários até terça e cujo prazo terminou ontem. Embora o público-alvo alcançasse de 8 mil a 9 mil colaboradores, a adesão ficou acima da expectativa do banco.

Enquanto as despesas subiram acima do esperado, as receitas com prestação de serviços cresceram abaixo do projetado, devido à concorrência em áreas como adquirência e investimentos. As receitas com prestação de serviços somaram R$ 8,423 bilhões no terceiro trimestre, avanço de 3,7% ante igual período do ano passado. Em nove meses, o avanço de 2,5% está abaixo do guidance, entre 3% e 7%. O banco acredita que o indicador vai ficar no piso do intervalo.

As receitas devem começar a reagir, segundo Lazari, com a retomada mais forte da economia, a atração de clientes e o avanço do volume de negócios. “Em receitas, dias melhores devem vir”, afirmou o executivo a analistas. Ele ressaltou que nos últimos 12 meses o Bradesco teve incremento de 1,5 milhão de correntistas e que o banco digital Next atingirá 2 milhões de clientes até o fim deste ano.

Mais voltado à concessão de crédito para pessoas físicas e pequenas e médias empresas, o Bradesco teve crescimento da carteira expandida de 3,2% no trimestre e 10,5% em um ano, para R$ 578,317 bilhões. A inadimplência – operações com atraso acima de 90 dias – subiu de 3,2% no segundo trimestre para 3,6% no terceiro, avanço justificado pelo banco por casos específicos de grandes empresas.

O banco deve manter o foco em concessões de crédito a pessoas físicas e empresas de menor porte no próximo ano, uma estratégia que tende a trazer retornos melhores, uma vez que as margens são superiores. No segmento de grandes empresas, a tendência é que elas continuem a recorrer mais ao mercado de capitais.

Com essa estratégia, pelo menos no médio prazo, o Bradesco espera manter o retorno sobre o patrimônio líquido (ROE) acima do patamar de 20% – o indicador fechou o terceiro trimestre em 20,2%, ante 19% de um ano antes -, mesmo com ambiente de queda de juros, que pressiona os spreads, a diferença entre o que o banco paga para captar recursos e ganha para emprestá-los.

Segundo Lazari, os juros mais baixos criam desafios em algumas frentes, mas geram uma oportunidade inédita de captura de negócios no Brasil. Para o executivo, os investimentos que o banco fez ao longo dos últimos anos – aquisições, compra de folhas de pagamento setor público, ampliação de base de correntistas – o tornam pronto para capturar o crescimento que virá daqui para a frente. E nesse momento, segundo Lazari, quem não tiver escala não vai conseguir crescer “a dois dígitos ou a um dígito alto”.

No longo prazo, contudo, num ambiente possível de taxas reais de juro de 1%, é “factível” esperar um rentabilidade menor do que 20% e lucros crescendo abaixo de dois dígitos, disse o presidente do Bradesco.

Fonte: Valor Econômico

Maior parte dos inadimplentes do País tem dívida contraída há mais de 7 anos

Levantamento, que analisou dados de 25 milhões de brasileiros com restrição ao crédito, aponta ainda que quase um terço tem mais de um débito em atraso e que a maioria dos devedores tem idade entre 25 e 45 anos

O agravamento da crise econômica em 2014, após um período de abundância de renda e crédito, criou um enorme contingente de brasileiros inadimplentes, sem condições de voltar ao mercado. Hoje, quase um terço dos consumidores (30%) com restrição ao crédito tem mais de uma dívida em atraso, sendo que 56% dos empréstimos foram feitos há mais de sete anos, segundo pesquisa da empresa de recuperação de crédito Recovery.

O levantamento analisou dados de 25 milhões de pessoas que fazem parte da carteira administrada pela companhia, líder na cobrança de dívidas em atraso no País. De acordo com a pesquisa, a dívida média é de R$ 3.116 e a maioria dos endividados está localizada no Nordeste e no Sudeste e tem idade entre 25 e 45 anos.

Ao todo, o Brasil tem 60 milhões de inadimplentes. Boa parte deles surgiu na esteira do aumento do desemprego nos últimos anos, que chegou a deixar 14 milhões de pessoas sem trabalho. Com a renda em queda, os índices de inadimplência dispararam e ainda não retornaram aos níveis pré-crise.

Segundo dados do Banco Central, a taxa de inadimplência em empréstimo para pessoa física (exceto crédito consignado) está em 7,5% – meio ponto porcentual acima do verificado em janeiro. No cheque especial, que hoje tem os maiores juros do País (e que passarão a ser limitados em 2020), a inadimplência é de 16,1% – bem maior que os 14,2% do início do ano.

Retomada

Na avaliação do professor de Finanças do Insper, Ricardo Rocha, a mudança desse quadro só vai ocorrer com o aquecimento da economia e maior nível de contratação por parte das empresas. “Um crescimento de 2% ou 2,5% já daria um alívio; hoje qualquer impulso na renda teria efeito positivo.” Para o professor, quem consegue se recolocar no mercado de trabalho volta a pagar suas dívidas.

A chefe da área de Cobrança da Recovery, Marcela Gaiato, concorda. Ela afirma que, apesar da lenta retomada econômica – que reduziu o nível de desemprego de 12,7%, em 2017, para 11,8% –, tem percebido uma iniciativa maior por parte dos consumidores para regularizar suas contas.

Parte desse movimento se deve às compras de fim de ano e ao recebimento do 13.º salário. A maioria quer ter mais espaço para adquirir novos créditos e consumir.

Descontos

Esse movimento também foi verificado no Feirão Serasa Limpa Nome. Em apenas duas semanas, a empresa já havia alcançado mais de 1 milhão de negociações. A expectativa era dobrar esse número até ontem. Os acertos incluíram descontos de até 98% no valor da dívida.

A confeiteira Bernadete do Carmo França, de 46 anos, por exemplo, conseguiu fechar um acordo com desconto de quase 90% de uma dívida de R$ 12 mil. “Acabei pagando o justo, que é o valor da dívida sem os juros”, disse ela, que parcelou o montante renegociado.

A dívida de Bernadete começou a se formar há mais de uma década, quando conseguiu um cartão de crédito. Em determinado momento, começou a pagar o valor mínimo da fatura. “E, de repente, tinha virado uma bola de neve”, diz a confeiteira, que tentou renegociar o débito outras vezes, mas não conseguiu por causa dos valores elevados.

Fonte: Estadão