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Brasileiro não sabe quanto paga de tarifas bancárias

Entre contas corrente, poupança, salário, de investimento ou de pagamento, o brasileiro bancarizado tem em média 3,7 contas abertas, sendo que a mais popular é a conta poupança, com 79% de participação, seguida pela conta corrente (78%).

 Apesar de manter todos esses canais abertos, pouco menos da metade dessas pessoas, 49%, sabe dizer exatamente quanto paga em tarifas. Os dados são de uma pesquisa do Ibope Inteligência, encomendada pelo C6 Bank, em que 2.009 pessoas de todo o país responderam a questionário.

Se por um lado ter mais de uma conta já não ajuda na hora de calcular quanto se gasta para mantê-las, por outro, as instituições podem criar empecilhos para que o cliente tenha clareza sobre os valores cobrados.

“As instituições vão manter isso como letrinhas minúsculas nos contratos. Não vai estar estampado e você vai ter de gastar uns minutos para entender exatamente o que está pagando”, diz Rogério Nakata, planejador financeiro pela Planejar.

Nakata aconselha o consumidor a renegociar pacotes de serviços. “É recorrente que os pacotes estejam inadequados, com muito mais transferências que o cliente realmente faz, por exemplo. São como planos de TV a cabo, se o contrato é muito antigo, pode ser que ao pesquisar você encontre opções mais baratas e vantajosas”, diz.

O Procon-SP orienta os bancos a informarem tarifas e taxas nos contratos e sites de maneira “clara, ostensiva e adequada”, como prevê o Código do Consumidor. Mas nem sempre é o que acontece. Das 7.054 reclamações relacionadas a bancos registradas pelo Procon-SP no primeiro semestre, 2.762 foram sobre cobranças indevidas –o cliente não entendeu por que determinado serviço foi cobrado.

Para Tony Perrela, analista do Ibope responsável pela pesquisa, a surpresa foi a quantidade de pessoas que dizem saber exatamente quanto pagam de taxas. “Imagino que o movimento de novos bancos e fintechs que batem na tecla da isenção de tarifas leve clientes de bancos tradicionais a ficarem mais atentos a essas cobranças.”

O diretor da Associação Brasileira de Fintechs, Mathias Fischer, diz que a cobrança de tarifas não é a única forma de tornar as transações rentáveis para instituições e cobrar valores menores por serviços avulsos pode ser mais claro e viável. “Compensa para o cliente porque, às vezes, ele paga valores extras por operações mesmo já pagando um pacote de serviços.”

Vale ficar atento, porém, ao valor cobrado em cada transação: para quem faz muitas movimentações no mês, determinados pacotes podem ser mais vantajosos.

A Federação Brasileira de Bancos (Febraban), que reserva em seu site um espaço para que bancos divulguem suas taxas, afirma que tem como compromisso a adequação de tarifas ao uso do cliente. “É o que a gente chama de ‘suitability’. O banco deve oferecer pacotes de serviços que evitem que o cliente pague por algo que não usa e tenha gastos extras com operações que faz com mais frequência”, explica Amaury Oliva, diretor de Autorregulação da Febraban.

Fonte: Estadão

65% dos micro e pequenos empresários não pretendem contratar crédito nos próximos três meses, mostra indicador CNDL/SPC Brasil

Um terço dos empresários considera difícil tomar recursos emprestados. Indicador de Demanda por Investimento registra melhora, mas maioria está indecisa ou não vai tirar do papel plano de investir pelos próximos três meses

Em cada dez micro e pequenos empresários que atuam no comércio e no ramo de serviços, seis (65%) não planejam contratar crédito para seus negócios em um horizonte de três meses. A constatação é do Indicador de Demanda por Crédito calculado pela CNDL (Confederação Nacional de Dirigentes Lojistas) e pelo SPC Brasil (Serviço de Proteção ao Crédito). O percentual de indecisos saltou de 17% para 24%, ao passo que apenas 11% declararam a intenção de contratar crédito para seus negócios. Puxado pela alta incidência de consumidores reticentes em buscar crédito, o indicador registrou 26,0 pontos em junho, com um pequeno crescimento de apenas 1,0 ponto na comparação com o mês anterior. O número varia de zero a 100, sendo que quanto mais próximo a 100, maior é demanda do empresário por crédito.

A maioria dos que não pretendem contratar crédito diz não ver necessidade (42%) ou então alega ser possível manter a empresa com recursos próprios (40%). Em seguida, aparecem os empresários que justificam devido às altas taxas de juros (25%) e o receio de não ter condições de pagar as prestações no futuro (11%).

O indicador de demanda por crédito tem permanecido em baixo patamar, mesmo após o fim da recessão econômica e sinaliza que a recuperação está distante de atingir um ritmo satisfatório. “A revisão das expectativas sobre o futuro da economia mantem o apetite ao crédito modesto. Mesmo com uma sutil melhora das condições econômicas do país, a demanda por crédito está distante do um nível ideal para induzir o crescimento”, avalia o presidente da CNDL, José Cesar da Costa.

Mais de um terço (33%) dos empresários de menor porte considera difícil contratar empréstimos e financiamentos, contra apenas 16% que avaliam o processo de modo simples. Os principais motivos são o excesso de burocracia e exigências dos bancos (61%) e as altas taxas de juros (47%). Na opinião dos entrevistados, o crédito via BNDES (Banco Nacional de Desenvolvimento Social) é o mais complicado de se obter, com 21% de menções. Em seguida aparecem os empréstimos em instituições financeiras (16%).

Já entre os que consideram a contratação algo fácil (16%), as justificativas mais citadas são o bom relacionamento com o banco (45%), estar com as contas em dia (45%), encontrar-se com a documentação regularizada (30%) e tempo de existência da empresa (17%). Levando em conta a minoria de empresários que tomarão recursos emprestados, a média é de R$ 44.339,62 a serem contratados.

Demanda por investimento cresce 1,7 ponto, mas empresários indecisos e os que não vão investir ainda formam maioria

O Indicador de Demanda por Investimento do micro e pequeno empresário melhorou na comparação com o mês anterior, apesar de a maioria não pensar em investir. Em junho, ele marcou 48,3 pontos, ante 46,6 pontos em maio. O índice varia de zero a 100, sendo que quanto mais próximo a 100, maior é demanda do empresário ao investimento.

A melhora do indicador fez com que a parcela de empresários que pretendem investir alcançasse os que não devem realizar melhorias em seus negócios: 37% em ambos os casos. Os indecisos somam 25% da amostra.

Dentre os empresários que não pretendem investir, a maioria justifica dizendo que não vê necessidade (45%) ou relata a percepção de que o país ainda não saiu da crise (31%). Há ainda 24% de entrevistados que já investiram recentemente e aguardam retorno.

Já entre os micro e pequenos empresários que pretendem realizar investimentos nos próximos três meses, a maior parte tem como finalidade aumentar as vendas (58%), além da adaptação da empresa a uma nova tecnologia (30%) e da necessidade de atender a uma demanda que aumentou (25%). Para isso, os destinos dos investimentos mais citados são a compra de máquinas e equipamentos (30%), ampliação dos estoques (22%), reforma da empresa (19%) e divulgação em mídia e propaganda (16%). A origem dos investimentos será, para a maioria, o capital próprio, seja por meio de recursos guardados (45%) ou venda de bem (7%).

Na avaliação do presidente do SPC Brasil, Roque Pellizzaro Junior, o ambiente de incerteza que ainda paira faz com que os projetos de expansão e melhoria do negócio sejam colocados em segundo plano e a preocupação de grande parte dos empresários passa a ser lidar com a queda do faturamento e o aumento da inadimplência “A lenta recuperação da crise leva muitas empresas a operarem com capacidade ociosa e, em alguns casos, até a redução do quadro de funcionários. Em meio a esse ambiente, os investimentos são adiados”, explica Pellizzaro Junior.

Fonte: Segs

Após 4 meses, prévia do PIB indica primeira alta, de 0,54% em maio

Conhecido como uma espécie de prévia do PIB, o IBC-Br serve como parâmetro para avaliar o ritmo da economia brasileira

São Paulo — O Brasil voltou a crescer em maio após quatro meses seguidos de contração na atividade econômica, aliviando um pouco os temores de que o país entraria em recessão no segundo trimestre.

O Índice de Atividade Econômica do Banco Central (IBC-Br), espécie de sinalizador do Produto Interno Bruto (PIB), avançou 0,54% em maio na comparação com abril, mostraram dados dessazonalizados divulgado pelo BC nesta segunda-feira.

Esse foi o primeiro resultado no azul na comparação mensal desde o início do ano, e depois de o índice abrir o segundo trimestre com contração de 0,3% em abril, em dado revisado pelo BC de queda de 0,47% divulgada antes.

Na comparação com maio de 2018, marcado pela greve dos caminhoneiros, o IBC-Br apresentou avanço de 4,40% e, no acumulado em 12 meses, teve alta de 1,31%, segundo números observados.

O IBC-Br cresceu em maio contra abril, “compensando parte da perda de 1,6% acumulada nos quatro meses anteriores. O bom resultado corrobora a expectativa de leve crescimento do PIB no segundo trimestre do ano”, afirmou a Rosenberg Associados em nota.Para o Bradesco, os indicadores de atividade econômica de maio sugerem crescimento de 0,2% do PIB no segundo trimestre.

Em maio, a produção da indústria brasileira recuou 0,2%, e continuou mostrando instabilidade do setor. As vendas no varejo frustraram as expectativas e recuaram 0,1% sobre abril, mas o setor de serviços surpreendeu positivamente ao mostrar estabilidade.

Sem conseguir engatar um ritmo mais forte, a economia brasileira ainda tem cerca de 13 milhões de desempregados, com números recordes de desalentados e subutilizados.

No final da semana passada, o governo cortou sua projeção para o crescimento da economia este ano a 0,81%, sobre 1,6% anteriormente. Também passou a ver elevação de 0,3% no segundo trimestre sobre o trimestre anterior, com ajuste sazonal.

O cenário de fraqueza da atividade e inflação comportada favorecem a perspectiva de corte de juros em breve pelo Banco Central, em uma medida para impulsionar a expansão.

O presidente do BC, Roberto Campos Neto, vem classificando como “relevantes” os riscos à inflação, a despeito da melhora do balanço de riscos para os preços, reiterando que o risco do lado das reformas é “preponderante”.

A mais recente pesquisa Focus realizada semanalmente pelo Banco Central junto a uma centena de economistas mostrou que a estimativa para a atividade neste ano agora é de crescimento de 0,81%, indo a 2,10% em 2020.

Focus

O mercado fez leves ajustes a suas perspectivas para o Brasil na pesquisa Focus do Banco Central divulgada nesta segunda-feira, reduzindo pela 20ª vez seguida a perspectiva para o crescimento econômico.

Para o Produto Interno Bruto (PIB) em 2019, a estimativa de crescimento passou a 0,81%, de 0,82% no levantamento anterior. Para 2020 a conta também foi reduzida, em 0,1 ponto percentual, a uma expansão de 2,10%.

Fonte: Exame.com

Mercado prevê nova queda na taxa de juros para o fim deste ano

Segundo o relatório Focus, analistas reajustaram previsão da Selic de 5,75% para 5,50% para o fim deste ano, e de 6,50% para 6,00% em 2020; há um mês, elas estavam em 6,50% e 7,25%, respectivamente

BRASÍLIA – Os economistas do mercado financeiro alteraram suas projeções para a Selic(a taxa básica de juros) no fim de 2019 e 2020. O Relatório de Mercado Focus trouxe na manhã desta segunda-feira, 1º, que a mediana das previsões para a Selic em 2019 foi de 5,75% para 5,50% ao ano. Há um mês, estava em 6,50%. Já a projeção para a Selic no fim de 2020 foi de 6,50% para 6,00% ao ano, ante 7,25% de quatro semanas atrás. 

No caso de 2021, a projeção seguiu em 7,50%, ante 8,00% de um mês antes. A projeção para a Selic no fim de 2022 permaneceu em 7,50%, igual ao visto um mês antes.

No dia 19, o Comitê de Política Monetária (Copom) anunciou a manutenção, pela décima vez consecutiva, da Selic em 6,50% ao ano. Ao mesmo tempo, vinculou eventuais novos cortes da taxa ao andamento da reforma da Previdência no Congresso. No comunicado sobre a decisão, o Banco Central também disse que a recuperação econômica parou e avaliou que o cenário externo está mais favorável.  

Já as projeções mais recentes do BC, considerando o cenário de mercado, apontam para inflação de 3,6% em 2019, 3,9% em 2020 e 3,9% em 2021. Elas constaram no Relatório Trimestral de Inflação (RTI), divulgado na semana passada. 

No grupo dos analistas consultados que mais acertam as projeções (Top 5) de médio prazo, a mediana da taxa básica em 2019 seguiu em 5,50% ao ano, ante 6,50% de um mês antes. No caso de 2020, foi de 6,25% para 6,00%, ante 7,00% de quatro semanas atrás. 

A projeção para o fim de 2021 no Top 5 foi de 7,50% para 7,25%. Há um mês, estava em 8,00%. Para 2022, a projeção do Top 5 permaneceu em 7,00% ao ano, ante 7,50% de um mês antes. 

Ainda de acordo com o relatório,  a previsão para o IPCA – o índice oficial de preços – este ano passou de alta de 3,82% para elevação de 3,80%. Há um mês, estava em 4,03%. A projeção para o índice em 2020 foi de 3,95% para 3,91%. Quatro semanas atrás, estava em 4,00%. Para julho, a projeção no Focus seguiu em alta de 0,20% e, para agosto, passou de elevação de 0,12% para alta de 0,11%.

O relatório Focus trouxe ainda a projeção para o IPCA em 2021, que seguiu em 3,75%. No caso de 2022, a expectativa também permaneceu em 3,75%. Há quatro semanas, essas projeções eram de 3,75% para ambos os casos. 

A previsão para o Produto Interno Bruto (PIB) deste ano também sofreu queda, de 0,87% para 0,85%. Há quatro semanas, a estimativa de crescimento era de 1,13%. Para 2020, o mercado financeiro manteve a previsão de alta do PIB em 2,20%. Quatro semanas atrás, estava em 2,50%. 

A relação entre o déficit primário e o PIB este ano seguiu em 1,40%. No caso de 2020, permaneceu em 1,00%. Há um mês, os porcentuais estavam em 1,37% e 0,90%, respectivamente. Já a relação entre déficit nominal e PIB em 2019 passou de 6,40% para 6,30%, conforme as projeções dos economistas do mercado financeiro.

As projeções do IGP-M de 2019 passou de alta de 6,12% para elevação de 6,53%. Há um mês, estava em 5,87%. No caso de 2020, o IGP-M projetado foi de alta de 4,13% para elevação de 4,14%, ante 4,00% de quatro semanas antes. Calculados pela Fundação Getúlio Vargas (FGV), os Índices Gerais de Preços (IGPs) são bastante afetados pelo desempenho do câmbio e pelos produtos de atacado, em especial os agrícolas. Ainda de acordo com o relatório da Focus, a mediana das expectativas para o câmbio no fim deste ano seguiu em R$ 3,80, igual ao visto um mês atrás. 

Fonte: Estadão

Pequenas empresas garantem saldo positivo de empregos, mostra Sebrae

O saldo positivo na geração de empregos em maio só foi possível por causa do desempenho das micro e pequenas empresas. O setor foi responsável, no mês passado, pela criação de 38 mil postos formais de trabalho (com carteira assinada) no país, enquanto as médias e grandes corporações registraram saldo negativo, demitindo 7,2 mil trabalhadores, conforme levantamento do Serviço Brasileiro de Apoio à Micro e Pequena Empresa (Sebrae) feito com base nos números do Cadastro Geral de Empregados e Desempregados (Caged), do Ministério da Economia. No total, levando em conta a diferença entre contratações e desligamentos, o Caged de maio fechou com saldo positivo de 32,1 mil empregos gerados. 

“Nas crises, perder gente na micro e pequena empresa é pior do que na média e, sobretudo, na grande empresa. Então, os pequenos negócios têm essa característica, eles contratam quando precisam e praticamente não dispensam. Até porque uma dispensa numa grande empresa é só mais uma, mas numa pequena empresa a demissão gera um desfalque”, afirma Carlos Melles, presidente nacional do Sebrae.

Os pequenos negócios do setor agropecuário lideraram a geração de vagas em maio, em função do cultivo de café, principalmente nos estados de Minas Gerais, do Espírito Santo e de São Paulo, e da laranja, também no interior paulista e mineiro. O setor de serviços, que empregou nesse período 16,7 mil pessoas, vem em segundo lugar no ranking de geração de novas vagas. O comércio e a indústria de transformação registraram saldos negativos de 9,4 mil e 3,1 mil empregos, respectivamente.

No acumulado dos cinco primeiros meses de 2019, os pequenos negócios responderam pela criação de 326,6 mil novos empregos, 35 vezes mais que os empregos gerados pelas médias e grandes empresas. Porém, esse saldo foi 9,6% inferior ao registrado pelo segmento no mesmo período de 2018.

Participação na economia

As micro e pequenas empresas representam, no Brasil, 99,1% do total registrado, segundo o Sebrae. São mais de 12 milhões de negócios, dos quais 8,3 milhões são microempreendedores individuais (MEI). Os pequenos negócios também respondem por 52,2% dos empregos gerados pelas empresas no país. 

Apesar disso, o segmento ainda tem participação um pouco tímida no Produto Interno Bruno (PIB, a soma de bens e serviços produzidos) do setor empresarial, gerando 25% do total. Em países como o Reino Unido, a Alemanha, Itália e Holanda, essa participação na formação no valor adicionado ao PIB está acima de 50%.

Crédito

Para Carlos Melles, o desafio para aumentar a rentabilidade e o faturamento das micro e pequenas empresas passa pela ampliação do acesso ao crédito. “Esperamos que a Empresa Simples possa irrigar o setor com recursos, atualmente muito concentrado em poucos bancos”, afirma. 

Em abril, entrou em vigor a lei que cria a Empresa Simples de Crédito (ESC), que passou a permitir que qualquer pessoa possa abrir uma empresa e emprestar recursos no mercado local para pequenos negócios. O governo estima que a criação da ESC pode injetar R$ 20 bilhões por ano em novos recursos para as micro e pequenas empresas no Brasil. Isso representa crescimento de 10% no mercado de concessão de crédito para as micro e pequenas empresas que, em 2018, alcançou o montante de R$ 208 bilhões.

Exportação

O Sebrae também quer reverter a baixa participação das micro e pequenas empresas brasileiras na exportação. “No mundo todo, os pequenos negócios são muito atuantes nas exportações, superiores a 40% do total em países como a Alemanha, França e Portugal e até mais de 50% do total de exportações na Itália, Espanha e no Reino Unido. No Brasil, os pequenos negócios só respondem por 4,2% das exportações. Precisamos aumentar a produtividade dos pequenos negócios para ampliar a competitividade desse setor”, afirma Melles.  

Fonte: Agencia Brasil

Faltou trabalho para 28,5 milhões no país até maio, diz IBGE

Indicador inclui taxa de desocupação, taxa de subocupação por horas e a taxa de pessoas que não buscam emprego, mas que estariam disponíveis

Rio — Faltou trabalho para um montante recorde de 28,524 milhões de pessoas no País no trimestre encerrado em maio, segundo os dados da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios Contínua (Pnad Contínua), iniciada em 2012 pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).

A taxa composta de subutilização da força de trabalho aumentou de 24,6% no trimestre até fevereiro para 25,0% no trimestre até maio.

O indicador inclui a taxa de desocupação, a taxa de subocupação por insuficiência de horas e a taxa da força de trabalho potencial, pessoas que não estão em busca de emprego, mas que estariam disponíveis para trabalhar.

No trimestre até maio de 2018, a taxa de subutilização da força de trabalho estava mais baixa, em 24,6%.

Subocupados

Segundo o IBGE, a taxa de subocupação por insuficiência de horas trabalhadas ficou em 7,8% no trimestre até maio, ante 7,2% no trimestre até fevereiro.

O indicador inclui as pessoas ocupadas com uma jornada inferior a 40 horas semanais que gostariam de trabalhar por um período maior.

Em todo o Brasil, há um recorde de 7,226 milhões de trabalhadores subocupados por insuficiência de horas trabalhadas.

Na passagem do trimestre até fevereiro para o trimestre até maio, houve um aumento de 582 mil pessoas na população nessa condição. Em um ano, o País ganhou mais 898 mil pessoas subocupadas por insuficiência de horas trabalhadas.

Desemprego

O número de desempregados no Brasil ficou abaixo de 13 milhões pela primeira vez desde o início do ano, mas o mercado de trabalho mostra que ainda sofre com a deterioração econômica ao registrar números recordes de desalentados e subutilizados.

Nos três meses até maio, a taxa de desemprego brasileira foi a 12,3%, de 12,5% no trimestre até abril e 12,7% no mesmo período do ano passado.

Fonte: Exame.com

Sem escolha, desempregados encaram qualquer trabalho no Brasil

O desemprego no país, de 12,3%, é maior do que em qualquer momento da recessão que abalou o país entre 2015 e 2016

Enfrentando fila em frente a uma agência de emprego no Rio de Janeiro, Thaysa dos Santos se diz disposta a aceitar qualquer oferta de emprego. Como os mais de 13 milhões de desempregados no país, ela não pode se dar ao luxo de ser exigente.

Enquanto a maior economia da América Latina corre o risco de voltar à recessão dois anos depois de uma crise devastadora, encontrar trabalho está mais difícil do que nunca.

“Hoje em dia é muito difícil”, diz a jovem de 27 anos, auxiliar administrativa há três meses em busca de um emprego em tempo integral.

“A gente não pode escolher segundo nosso currículo. Tem que pegar qualquer vaga”, explica.

O desemprego no país, de 12,3%, é maior do que em qualquer momento da recessão que abalou o país entre 2015 e 2016 e fez a economia encolher mais de 7%.

Um crescimento letárgico desde então – a economia se expandiu 1,1% em 2017 e 2018, e analistas apontando para um crescimento ainda mais lento este ano – desencoraja as empresas a aumentar sua folha de pagamento, apesar do governo de viés liberal empossado em janeiro.

O presidente Jair Bolsonaro, que assumiu o mandato com a promessa de impulsionar a economia, diz que a chave para o crescimento é a aprovação da reforma da Previdência, que enfrenta a resistência de sindicatos e de um Congresso hostil.

Com a pouca ajuda formal disponível, muitos desempregados dependem do apoio da família ou aceitam empregos informais, apesar disto significar ganhar menos e abrir mão de benefícios, como seguro de saúde e INSS.

Wanderson César, de 32 anos, está em busca de um trabalho permanente de segurança há mais de quatro anos.

Ele se considera afortunado pela esposa trabalhar como recepcionista. Com o dinheiro que ganha fazendo bicos, o casal consegue sobreviver.

“Sou homem, então preciso trabalhar para levar alimento para minha casa, preciso ajudar”, conta César, enquanto espera para entrar na agência de empregos.

Falta de investimento em educação

O problema não é apenas a falta de oportunidades. Algumas empresas lutam para conseguir candidatos qualificados para as vagas disponíveis, afirma Aline Cardoso, secretária do Trabalho em São Paulo.

“Isso pode ser tanto no nível mais técnico, mais sofisticado, em profissões muito tecnológicas, mas às vezes até em profissões mais básicas faltam profissionais qualificados”, diz ela.

O lastimável sistema educacional no país é parcialmente responsável.

Em 2017, o Banco Mundial estimou que os brasileiros de 15 anos vão precisar de 75 anos para alcançar a proficiência média dos adolescentes da mesma idade em países da OCDE em matemática e mais de 260 anos em leitura.

E isto se eles de fato concluírem os estudos. Apenas 69% dos brasileiros com idades entre 15 e 19 anos se dedicam aos estudos, reportou a OCDE no ano passado, uma das taxas mais baixas neste grupo.

Lúcia Santos está entre os muitos brasileiros que não conseguiram concluir os estudos. Esta jovem de 23 anos, mãe de duas crianças, procura há cinco anos um emprego de caixa em tempo integral.

“Agora é mais complicado porque eles [os empregadores] pedem o ensino fundamental completo”, lamenta ela, que parou de estudar na oitava série.

Desistência

O desemprego crônico está piorando no país.

O número de pessoas sem trabalho há mais de dois anos alcançou 3,3 milhões de pessoas no primeiro trimestre – um aumento de 42,4% em quatro anos, informou em pesquisa recente o Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea).

O desemprego prolongado pesa sobre quem procura emprego, explica Paulo Vasconcelos, coordenador do grupo de voluntários Comunidade Católica Gerando Vidas, que administra a agência de emprego.

“Temos gente com um ano, um ano e meio, dois anos desempregada”, diz Vasconcelos, reportando um aumento nos casos de depressão e desamparo entre aqueles que procuram trabalho.

“Este ano a gente começou a perceber que muitas pessoas que vêm procurar oportunidades de trabalho não têm nada em casa para comer”, acrescenta.

Alguns meses atrás, Yanca Castro, de 22 anos, viajou milhares de quilômetros de Manaus para o Rio em busca de uma oportunidade, que ela ainda está procurando.

Em São Paulo, Marcelo dos Santos está sem trabalho há 15 meses depois de perder o emprego na área da construção civil.

Ele se candidatou para várias vagas, mas até agora “ninguém o chamou”, conta este homem de 48 anos em uma agência de emprego pública.

“Passar 10, 15 meses [sem emprego] nunca aconteceu”, afirma.

Muitos acabam desistindo.

O número de pessoas que pararam de procurar trabalho no período de março a maio chegou a 4,9 milhões, batendo o recorde anterior de 4,8 milhões, segundo os últimos dados oficiais.

Sem solução fácil

O crescimento estagnado dificulta a criação de emprego, disse recentemente à AFP o economista do Ipea José Ronaldo Souza, alertando que a taxa de desemprego “pode piorar”.

Isto tem um efeito em cascata.

“Com tantos desempregados, provavelmente o aumento do consumo vai permanecer baixo”, diz William Jackson, do Capital Economics.

“É difícil ver outros motores de crescimento na economia brasileira: o crescimento global está fraco, o que vai conter as exportações, e a política fiscal está cada vez mais restritiva”, prossegue.

Não há solução fácil para um problema que Alex Agostini, da Austin Ratings, diz ser tanto estrutural quanto cíclico.

A falta de investimento em educação e treinamento em um país com uma grande população jovem intensificou o desemprego.

Apesar dos desafios, Thaysa diz que é otimista sobre o futuro.

“Tem que ser”, diz. “Tem bastante [competição], cada vez mais”.

Fonte: Exame.com

Número de famílias endividadas aumenta para 56% em maio em São Paulo

Alto índice de desemprego fez inadimplência crescer, diz FecomercioSP

A proporção de famílias endividadas na capital paulista aumentou para 56,5% em maio deste ano, em relação a abril (55,2%). Segundo levantamento da Federação do Comércio de Bens, Serviços e Turismo do Estado de São Paulo (FecomercioSP), na comparação com o mesmo período do ano passado,a alta foi de 5,4 pontos percentuais, o que significa 227 mil famílias endividadas a mais do que em maio de 2018.

De acordo com a FecomercioSP, o alto índice de desemprego também levou ao aumento da taxa de inadimplência, que chegou a 20,5% em maio. Isso significa que 804,3 mil famílias não pagaram a dívida até a data do vencimento, com crescimento de 53 mil em um ano, próximo do maior patamar histórico, de 21,8%, registrado em abril de 2012.

Também em maio, houve queda de 1,8% na intenção de consumo das famílias e de 1,6% na propensão de comprar algum produto financiado nos próximos três meses, na comparação com o mês de abril. A Federação do Comércio ressalta que o percentual de renda comprometida com dívida tem permanecido em torno de 28,5% ao longo dos meses.

“É bom evitar o repasse de aumento de preços ao cliente, já não tão disposto a comprar”, diz, em nota, a FecomercioSP. “Por isso, é preciso se empenhar na negociação com os fornecedores, com atenção ao câmbio e à inflação, ainda que seja necessário reduzir a margem de lucro. Assim, será possível manter o fluxo de caixa e fazer o estoque girar.”

Segundo a entidade, os comerciantes precisam oferecer opções variadas de pagamento aos clientes, o que pode ser uma forma positiva de garantir vendas, além de descontos no pagamento à vista e de disponibilizar parcelamento da compra. A FecomercioSP lembra que os consumidores têm enfrentado restrições de créditos nas grandes instituições.

Fonte: Agencia Brasil

Número de desempregados de longo prazo cresce 42,4% em quatro anos

Estudo do Ipea mostra perfil de 3,3 milhões de brasileiros sem emprego há mais de dois anos

A parcela de desempregados que está nesta situação há mais de dois anos avançou de 17,4% no 1º trimestre de 2015 para 24,8% no mesmo período de 2019, atingindo 3,3 milhões de pessoas. O crescimento é de 42,4% em quatro anos, aponta análise de Mercado de Trabalho divulgada nesta terça-feira pelo Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea). O estudo utiliza dados da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios Contínua (Pnad), do IBGE.

Segundo dados do primeiro trimestre deste ano, o desemprego de longo prazo atinge mais fortemente as mulheres. Entre as desocupadas, 28,8% estão nesta condição há pelo menos dois anos, contra 20,3% dos homens desempregados na mesma situação – embora o crescimento tenha sido maior entre o público masculino. Na análise por faixa etária, 27,3% dos desocupados com mais de 40 anos insistem sem sucesso na busca por trabalho há pelo menos dois anos, mas o crescimento do desemprego de longo prazo é maior entre os jovens. As regiões Norte e Nordeste são as mais afetadas.

Além do aumento no tempo de permanência no desemprego, o estudo mostra que os efeitos da crise econômica sobre o mercado de trabalho também vêm impactando a renda domiciliar. Em que pese algum ganho real, os dados da Pnad mostram que, no 1º trimestre de 2019, 22,7% dos domicílios brasileiros não possuíam nenhum tipo de renda proveniente do trabalho, e que os domicílios de renda mais baixa foram os que apresentaram menores ganhos salarias. A análise mostra, ainda, que a renda dos domicílios mais ricos é 30 vezes maior que a dos domicílios mais pobres.

A seção Mercado de Trabalho da Carta de Conjuntura do Ipea também analisa os contratos de trabalho intermitente (temporário e esporádico) e de jornada parcial (até 30 horas semanais), que totalizam 15,5% do total de empregos com carteira assinada gerados a partir da entrada em vigor da reforma trabalhista. Das 507.140 novas vagas de trabalho abertas de novembro de 2017 a abril de 2019, 58.630 foram para trabalho intermitente e 19.765 para parcial, geralmente nos setores de serviços e comércio. Enquanto a maioria das vagas intermitentes foi destinada aos homens (63,6%), as mulheres formam a maior parcela das ocupações parciais (60,7%). A maioria dessas vagas está concentrada nas empresas de pequeno porte, com até 19 funcionários.

O estudo conclui que o mercado de trabalho brasileiro, portanto, segue bastante deteriorado, com altos contingentes de desocupados, desalentados e subocupados. Para o restante do ano, porém, a expectativa é de manutenção de uma recuperação gradual da ocupação e da renda média. Uma queda mais expressiva da taxa de desemprego e da desigualdade é esperada para 2020, a partir da retomada mais forte do nível de atividade, condicionada à aprovação da reforma previdenciária no 2º semestre de 2019.

Fonte: Segs

Banco Central prepara mudanças no cheque especial

O Banco Central está aprofundando estudos para mudar a estrutura de preços do cheque especial, permitindo que os bancos cobrem tarifas nessas operações para em troca oferecer juros mais baixos. O presidente do BC, Roberto Campos Neto, conta em entrevista ao Valor que o ponto de partida dos estudos é um diagnóstico, apresentado no Relatório de Economia Bancária, que mostra que clientes de baixa renda usam mais o cheque especial e os bancos extraem mais lucros dessas operações que seus pares no exterior.

Um dos problemas é a proibição da cobrança de tarifas nas operações no Brasil, que em outros países funciona como mecanismo de equalização. “Precisa de algum tipo de regulação em que fique claro para todo mundo que essa nova estrutura é para corrigir uma deficiência e que, na média, o custo para as pessoas vai cair”, diz Campos.

Na conversa que segue, Campos sustenta que a forma correta de estimular a economia é pela credibilidade da política monetária. “Eu vou lá e reduzo os juros, porque eu quero dar um impulso à economia. Provavelmente, o que vai ocorrer nesse cenário? A curva de juros vai inclinar, os juros futuros vão subir”, afirma.

Mas ele vê sinais positivos no mercado, avaliando que aumentou a confiança na aprovação da reforma da Previdência, o que leva à queda da inflação implícita nos títulos públicos e a uma melhora na curva de juros.

A seguir, os principais trechos da entrevista, realizada ontem no escritório do BC em São Paulo.

Valor: Nós estamos voltando para uma recessão?

Roberto Campos Neto: A gente teve na verdade o primeiro PIB negativo depois de oito trimestres. Obviamente é uma grande preocupação para o Banco Central entender o que está por trás dos números de crescimento. Eu diria que há dois ou três pontos importantes. O primeiro é que a gente sofreu vários choques. Eu sei que é difícil para as pessoas quantificarem o choque, ou entenderem o que é um choque, principalmente quando há um atrás do outro e essa sequência adia o investimento.

Valor: Quais foram os choques?

Campos: A gente veio do ano passado com o tema de normalização de juros nos EUA. Foi um tema que gerou uma saída de dinheiro de emergentes muito grande. No Brasil, o governo fez uma intervenção no câmbio, mas foi entendido naquele momento que era o remédio suficiente, se mostrou uma boa política. Quando veio recuperando, nós tivemos a greve dos caminhoneiros, um tema que parou o país. E, olhando ex-post, acho que ele foi pior não só como o “conduit” de crescimento mais baixo, mas também como credibilidade.

Valor: Por quê?

Campos: Porque a indústria não conseguia distribuir os produtos, as pessoas olhavam e não podiam sair de casa, não tinha gasolina no posto. Houve um efeito credibilidade grande, que tem uma consequência no consumo e no investimento. Quando as pessoas estavam se recuperando do efeito da greve dos caminhoneiros, houve o tema das eleições. A polarização foi bastante extrema, como a gente pôde ver, e essa polarização também teve efeito de adiar o investimento. Depois nós tivemos um governo novo – e houve Brumadinho [o colapso da barragem da Vale na cidade mineira, em janeiro]. E acho que houve um efeito também das pessoas entenderem um governo novo, com uma ansiedade de que algumas coisas seriam aprovadas rápido e coisas desse tipo. Houve todos esses choques sucessivos, que têm uma importância. Eles vão se dissipando, a gente colocou mais peso neles na primeira comunicação do que na comunicação mais recente. E há um tema que a gente tinha olhado no passado e acho que cresceu em importância. É difícil de quantificar, e a gente está olhando muito aqui.

Valor: Qual?

Campos: É a complementaridade entre o setor público e o setor privado. A gente está tentando fazer um trabalho para quantificar isso. Quando você conversa com os diversos setores, entende que muitos setores ao longo desses últimos anos passaram a fazer negócios com o governo de um modo ou de outro. A complementaridade entre o público e o privado subiu muito. O problema é que ela veio ou com planejamento do governo, ou com funding do governo, e a hora em que o fiscal bateu no muro, o governo teve que dar uma freada fiscal. Essa complementaridade fez com que a indústria privada também ficasse um pouco, vamos dizer assim, sem alternativas de curto prazo. Tem essa complementaridade que em alguns setores em que ela é mais clara, como a construção civil, que ainda não recuperou, em que a complementaridade foi ao extremo. Vários outros setores tiveram esse ponto.

Valor: Vocês estão tentando quantificar isso?

Campos: É, a gente está tentando quantificar e ver mais ou menos qual é o impacto. O diretor Carlos [Viana, de Política Econômica] está trabalhando nisso, mas o importante para a gente é mostrar que há esse efeito e que esse efeito se mostra mais importante do que a gente achava no passado.

Valor: Como isso afeta a atividade?

Campos: Eu sempre uso o exemplo do avião. Imagine que uma turbina é o mundo privado e a outra é o mundo público. Eu vou desligar a turbina do mundo público, mas, com credibilidade, vou ligar a turbina privada e vai ter uma transferência de energia de uma para a outra, ou de potência, e o avião vai continuar na mesma velocidade. A transferência de uma para a outra se dá na confiança, na credibilidade. A gente olha os índices de confiança, que até caíram recentemente, mas eles estavam relativamente altos. Isso dava a certeza de que, bom, o público vai desligar, mas com o novo governo, com credibilidade, com uma agenda positiva, essa energia, essa potência, vai se transferir. Isso não ocorreu na forma esperada.

Valor: Então o multiplicador fiscal é maior do que se imaginava?

Campos: Eu não chamaria de multiplicador [fiscal], eu diria a dependência do mundo privado no mundo público maior do que a gente imaginava. Eu não gostaria de falar de multiplicar fiscal porque fiscal tem outras implicações. Mas eu diria que essa complementaridade, olhando hoje, é bastante alta. Se o fiscal bateu no freio no federal, no estadual e no municipal ele bateu muito mais no freio. Se tem alguma indústria, alguma área produtiva, que estava fazendo negócios ou com Estados ou com municípios, também teve um impacto é muito grande. Teve essa trombada fiscal, essa parada no motor público muito rápido, acho que isso também explica parte…

Valor: Se o fiscal não anda, não é papel do juro suprir isso e dar mais estímulo para o setor privado andar?

Campos: Eu vou chegar nos juros, mas o papel dos juros hoje – na verdade, não é dos juros, é da credibilidade. O que a gente precisa ter é credibilidade. Saindo um pouco do tema do crescimento, indo para o tema do papel do BC, o principal papel do BC é ter credibilidade, manter os preços constantes, manter a inflação sob controle, com credibilidade, e ancorar a inflação num período mais longo.

Valor: Por que a credibilidade é tão importante?

Campos: Com a credibilidade eu consigo ancorar o curto prazo, o médio prazo e o longo prazo. E um outro tema muito importante da credibilidade é que, na verdade, quando a gente faz política monetária, quando a gente quer usar o instrumento de juros para gerar, para impulsionar o crescimento ou frear, a gente pensa nos seguintes termos. O importante é ter condições de liquidez. O que significa isso? Se eu quero fazer o país crescer, eu preciso injetar liquidez no sistema. Se eu acho que o país tem que frear, eu tenho que retirar liquidez. É importante entender que esse processo de gerar liquidez ou retirar liquidez não é apenas a Selic. A Selic é um instrumento, mas o conduit da Selic para que esse processo aconteça é a credibilidade. Eu posso estar num momento em que o mercado não tem mais credibilidade na minha política e a gente teve esse exemplo num país vizinho, na Argentina, há pouco tempo. E aí eu digo: olha, mesmo o mercado entendendo que provavelmente eu não vou bater a meta, eu vou lá e reduzo os juros, porque eu quero dar um impulso à economia. Provavelmente, o que vai ocorrer nesse cenário? A curva de juros vai inclinar, os juros futuros vão subir, a inflação implícita vai subir, o mercado vai entender que é uma solução de curto prazo, porque eu vou ter que subir os juros na frente. Nesse sentido eu injetei liquidez no sistema ou não? Não, eu não injetei. Apesar de ter feito uma mudança na Selic, eu não consegui atingir o meu objetivo, porque ele é atingido com credibilidade. A coisa mais importante é a credibilidade do BC.

Valor: Mas hoje o BC tem credibilidade.

Campos: Tem uma credibilidade alta. É importante ter credibilidade, mas a gente também tem que lembrar que as nossas revisões de crescimento para baixo não vieram acompanhadas de revisão de inflação para baixo. Nós não anunciamos número entre as reuniões, mas provavelmente vamos revisar o número de crescimento para baixo. O mercado está ao redor de 1%, já tem algumas casas falando num número próximo a 1%. Mas, se você olhar a inflação, [no caso de] grande parte das casas e a nossa própria revisão, ela está perto do que estava antes. A gente teve na verdade um movimento de revisão de crescimento para baixo que não veio acompanhado [de queda das projeções de inflação].

Valor: O crescimento tem sido muito baixo e os núcleos de inflação são benignos. O juro não está alto? A taxa estrutural (que permite a economia crescer sem pressionar a inflação) não seria menor ainda?

Campos: No caso do debate de juro estrutural, a gente no BC não anuncia. Todo mundo tem um estudo. É uma variável superdifícil de medir, de comparar. Os núcleos estão num nível que a gente chamou na última ata de confortável e depois mudou para apropriado. Ele deu um “tiquezinho” para cima, no último mês, e agora manteve mais ou menos em linha. Se a gente pega o índice de difusão, ele está acima do momento mais deflacionário, mas ainda em níveis confortáveis abaixo da meta. Quando a gente olha para os números da inflação, a gente vê mais ou menos uma continuidade do que a gente vinha vendo. Em termos do que o que levaria a uma interpretação diferente, a gente tem narrado os três fatores. A capacidade ociosa, a parte externa e a parte que a gente chama a parte estrutural, local, da agenda de reformas. Acho que o importante para a gente é que nós não podemos trocar o crescimento de curto prazo por inflação futura. Para nós é importante a credibilidade. O canal de credibilidade é ter a inflação ancorada, ter expectativa futura bem controlada. Nesse sentido, eu volto a dizer que é importante acompanhar a linguagem que a gente tem adotado na ata. Não é verdade, não é um bom ângulo a afirmativa de que o BC não está preocupado com o crescimento – é o contrário. O BC está preocupado com o crescimento, e a melhor forma de contribuir para o crescimento é ter credibilidade. Nós vivemos um episódio recente em que baixamos os juros quando o mercado não acreditava que deveria baixar, quando a sociedade não entendia que esse era o principal problema. A gente teve, mesmo com juros para baixo, um aperto de condições financeiras, a gente teve uma sequência de vários meses em que a inflação era para cima e o crescimento era para baixo. Nós vivemos isso há algum tempo. Perder credibilidade é muito mais fácil do que ganhar.

Valor: A confiança na economia caiu e as projeções do PIB também. Se o corte de juros demorar, não pode comprometer o crescimento do ano que vem?

Campos: Não adianta a gente falar de crescimento sem falar de expectativas de inflação. A expectativa de inflação tem melhorado recentemente? Hoje [ontem], o Focus caiu para 4,03%, caiu um pouquinho. Mas, se você pegar a revisão do crescimento com a revisão de inflação, verá que a revisão de crescimento foi para baixo, e a revisão de inflação, nem tanto. Temos uma inflação mais longa que está perto da meta ainda. Respondendo se é cedo ou tarde, não podemos fazer um movimento precipitado que tenha uma perda de credibilidade. Nós estamos sempre enumerando os três fatores: parte externa, parte das reformas, e parte da capacidade ociosa. A capacidade ociosa tem se revelado pior do que a gente esperava? Sim. Muito provavelmente nós vamos fazer uma revisão para baixo também. Nossas revisões são sempre no Relatório de Inflação. Mas acho que o mercado está caminhando para um número mais baixo. Nosso último número era 2% no último relatório.

Valor: A reforma da Previdência é a mãe de todas as reformas. Ela não pode ser um choque positivo?

Campos: O BC não faz previsões sobre isso, mas olhando os parâmetros de mercado, os preços, o mercado recentemente ficou um pouco mais confiante nas reformas. A gente pega as inflações implícitas e caíram, as taxas de juros estão mais planas lá na frente. Acho que o mercado ficou um pouco mais otimista. Nós trabalhamos com um cenário na linguagem oficial, que a gente não muda, que a reforma vai ser aprovada. É difícil falar de timing e quantidade, mas a gente acha que a reforma vai ser aprovada. Acho que esse vai ser um elemento importante. Também temos o cuidado de dizer que falamos em reformas, e não só uma reforma. O importante para o Banco Central é como essas variáveis nos impactam no canal da inflação, pelo canal da credibilidade. Olhando as variáveis de mercado, parece que teve um ganho nesse sentido nos últimos tempos, ou porque a sociedade entendeu que está mais perto de um acordo ou porque entendeu que a parte política melhorou.

Valor: Por que o sr. perguntou num painel de ex-presidentes do BC no seminário de metas de inflação se a reforma da Previdência poderia ser contracionista se a última ata do Copom diz que é expansionista? O sr. está em dúvida?

Campos: Não tenho dúvida. Na verdade, foi uma pergunta feita num âmbito acadêmico. Tem um trabalho que foi apresentado naquele seminário do professor [da Universidade Bocconi, Francesco] Giavazzi que mostra exatamente que os planos fiscais com redução de gasto têm uma capacidade expansionista, enquanto que os planos fiscais que tem aumento de impostos têm capacidade contracionista. Nosso cenário é que [a reforma da Previdência] é expansionista. Temos mencionado na ata. São dois pesos em uma balança. O elemento credibilidade e o elemento fiscal que ele causa de ter menos dinheiro nas mãos dos aposentados. Nos acreditamos que o elemento credibilidade é maior que o fiscal.

Valor: E o que o BC poderá fazer para baixar os juros do cheque especial?

Campos: Uma grande parte dos usuários do cheque especial ganha abaixo de dois salários mínimos e, para eles, representa um grande comprometimento de renda, ao pagar 310% de juros. Em termos de produto financeiro, temos 1% da carteira, que é cheque especial, responsável por 10% do resultado dos bancos. Em outros países, o cheque especial dá prejuízo ou uma rentabilidade bem menor, de 2,5%, digamos. Tem um juro maior, mas também uma inadimplência maior, porque é a categoria emergencial.

Valor: Por que isso ocorre?

Campos: O cheque especial acaba sendo um produto de subsídio cruzado. Em grande parte desses outros países, o cheque especial é um produto de maior risco, com juros maiores, que tem um retorno menor. Mas também tem um pedaço do retorno que vai para a cadeia toda que são tarifas. No Brasil, não temos a tarifa nos produtos de uso emergencial. Não ter tarifa significa que o produto acaba sendo regressivo. Nos outros países, a estrutura de tarifa equaliza isso. Uma das coisas que estamos discutindo é que não adianta falar que vou colocar tarifa e baixar os juros, mas no final o custo ser maior. Se eu quiser fazer realmente com as tarifas um plano linear ou progressivo, em que as pessoas de baixo pagam menos ou proporcionalmente, eu tenho que mostrar de forma clara e com credibilidade que o cheque especial mais a nova tarifa terá um custo menor do que temos hoje. Precisa de algum tipo de regulação em que fique claro para todo mundo que essa nova estrutura é para corrigir uma deficiência e que, na média, o custo para as pessoas vai cair. Outro ponto importante é a educação financeira.

Valor: O que o sr. acha da proposta do Arminio Fraga de o BC ter entre os seus objetivos a suavização do ciclo econômico?

Campos: Sou contra. Acho que a intenção do Arminio é que, dado que o BC já faz de uma forma indireta, porque não colocar na lei para ganhar um grau de confiança a mais. Eu acho que é o contrário. Colocar uma coisa na linguagem de lei que é vaga, porque suavizar ciclos é uma coisa vaga, poderia levar a uma interpretação diferente do que seria o lógico. Então, dado que é uma coisa que você já faz, e que colocar isso te gera uma vulnerabilidade, um custo, sem nenhum benefício, acho que não deveria. Na hora que vai ser discutido no Legislativo, as pessoas podem ter uma interpretação diferente do que é suavizar ciclos. A forma de o BC estimular o crescimento sustentado de longo prazo é a estabilidade da moeda e a solidez do sistema financeiro.

Fonte: Valor Econômico