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Menor crescimento afeta capacidade de empresas recuperarem crédito

Entre os efeitos negativos do enfraquecimento da atividade econômica no segundo semestre está a redução na capacidade de renegociação e recuperação de dívidas vencidas entre empresas. É o que mostra o Indicador de Recuperação de Crédito do Serasa Experian, que mede as dívidas pagas em até 60 dias após um calote. Em outubro de 2021, o indicador foi de 44,6%, o pior resultado do ano. Em agosto e setembro, ficou em 49,5% e 47%, respectivamente.

Segundo o economista da Serasa Experian, Luiz Rabi, a piora na capacidade de recuperação das dívidas começou pelo setor não financeiro. Prestadores de serviços em geral têm tido mais dificuldade em recuperar o crédito (33,2%), assim como o setor de telefonia (12,9%). O histórico sugere que a piora da inadimplência começa pelo setor não financeiro e, depois, avança para o bancário e de cartões.

Além do enfraquecimento da atividade econômica, a inflação atrapalhou a recuperação do crédito. A alta de preços na economia faz com que o Banco Central tenha de subir a taxa básica de juros para segurar os preços e os descontos para quitar dívidas acabam mais escassos.

Fonte: Estado de São Paulo

Governo negocia novas regras contra inadimplência em crédito emergencial

Mudanças podem abrir possibilidade de alterar juros de empréstimos em caso de renegociação

Enquanto prepara o relançamento de programas de crédito criados durante a pandemia, o governo discute com os bancos mudanças para elevar a recuperação de recursos de devedores e adicionar a possibilidade de alterar os juros dos empréstimos em caso de renegociações.

As medidas são debatidas em meio à expectativa de aumento da inadimplência no país, e podem ser estendidas também a um conjunto de até R$ 137 bilhões em empréstimos firmados por meio de programas emergenciais.

As principais instituições financeiras do país, como Bradesco, Itaú e Banco do Brasil, projetam neste ano um aumento gradual da carteira de crédito com atrasos de mais de 90 dias nos pagamentos.

“É intuitivo a gente imaginar que a inadimplência possa aumentar um pouco”, afirmou neste mês o diretor-presidente do Bradesco, Octavio de Lazari Junior.

“Já percebemos sinais de uma inadimplência subindo. Conseguimos ver isso principalmente no indicador de pessoa física”, disse o diretor-presidente do Itaú Unibanco, Milton Maluhy Filho.

No caso dos programas emergenciais, as instituições veem limitações para as cobranças. O motivo é a legislação que os rege, que não traz uma autorização clara para medidas tradicionais de recuperação dos valores.

Entre as medidas discutidas, está a autorização para substituir o devedor em caso de movimentação societária da empresa que tomou o crédito —em casos de cisão ou falência, por exemplo— e a flexibilidade para aplicar novas taxas após a renegociação dos débitos.

A legislação dos programas, que já foram encerrados para novas operações, prevê juros limitados ou um patamar pré-definido.

No Peac (Programa Emergencial de Acesso a Crédito), por exemplo, a taxa média praticada pela instituição financeira não pode superar 1% ao mês e o regulamento do programa diz que “será vedado o aditamento do contrato com o tomador de crédito que aumente a taxa de juros do contrato”.

O tema é discutido entre representantes de Ministério da Economia, Febraban (Federação Brasileira de Bancos), ABBC (Associação Brasileira de Bancos) e BNDES (Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social).

Leonardo Vilain, diretor-executivo de Inovação, Produtos e Serviços Bancários da Febraban, afirmou que os bancos se preocupam com um aumento da inadimplência em 2022 ocasionado sobretudo pela situação da atividade econômica e estão sem autonomia para renegociar os contratos dos programas emergenciais.

“Por mais que o cliente queira e por mais que eu, banco, entenda que é uma coisa boa para aquele estabelecimento, a lei não prevê a renegociação”, disse à Folha. “Esse processo de cobrança a gente vem conversando com o governo”, afirmou.

Vilain disse que as mudanças ajudariam na recuperação financeira dos clientes ao destravar a renegociação das dívidas e seriam benéficas também para os cofres públicos, já que os programas emergenciais usam recursos do Tesouro. Apesar de os bancos pedirem ao governo flexibilidade para determinar novos juros após as renegociações, Vilain afirmou que as taxas não seriam elevadas. “Você está renegociando para receber alguma coisa. Se não facilitar a vida do cara, vai ficar sem receber nada.”

Paulo Solmucci, presidente da Abrasel (Associação Brasileira de Bares e Restaurantes), afirmou que mudanças nos programas são bem-vindas porque boa parte do setor está endividado, mas teme que as alterações acabem elevando os encargos cobrados.

“Taxas maiores seriam um golpe duríssimo em quem vive essa situação após pagar uma conta injusta e desproporcional para o bem coletivo. Lembrando aqui que a nossa banca quebrou recordes de lucro, enquanto os impedidos de abrir pagaram a conta que deveria ser de toda a sociedade”, disse.

Segundo ele, já há relatos de empresários tendo de renegociar valores com taxas mais altas do que o contrato original no Pronampe (Programa Nacional de Apoio às Microempresas e Empresas de Pequeno Porte) —com elevação de 1,25% para 6%— além de ter de encarar a escalada da Selic, que disparou de 2% no fim de 2020 para 10,75% neste ano.

A lei do Pronampe estabelece juros máximos iguais aos da Selic, mais uma taxa de 1,25% –mas abre brecha para este último percentual chegar a 6% em operações firmadas a partir de 1º de janeiro de 2021.

O pacote de crédito deste ano deve ser criado por meio de MP (medida provisória). A intenção é relançar as duas principais linhas de 2020 —o Pronampe e o Peac. Também está prevista uma linha de microcrédito da Caixa para trabalhadores informais e microempreendedores individuais investirem em seus negócios, como na compra de equipamentos.

No Peac e no Pronampe, seriam concedidos até R$ 100 bilhões em crédito para empresas que faturam até R$ 300 milhões por ano, sendo que o Pronampe seria mantido para empresas menores, de até R$ 4,8 milhões.

Não haverá necessidade de novos aportes do Tesouro Nacional, já que seriam usados recursos das rodadas anteriores sendo devolvidos aos fundos garantidores. Por meio da assessoria de imprensa, o Ministério da Economia afirmou que ainda está estudando os programas.

Mais de 60% dos pequenos negócios buscaram empréstimos desde o início da crise da Covid e quase um terço do total (28%) estão inadimplentes, de acordo com pesquisa do Sebrae e da FGV (Fundação Getulio Vargas) feita entre novembro e dezembro (a mais recente disponível). O valor é menor do que na pesquisa anterior (31%), feita em agosto de 2021.

O aumento dos custos —com mercadorias, combustíveis, aluguel e energia, por exemplo— é a principal dificuldade apontada pelas empresas para voltar à situação financeira de antes da pandemia, citado por 50% dos entrevistados. Em seguida, estão a falta de clientes (25%) e as dívidas com empréstimos (10%).

Fonte: Folha de São Paulo

Governo planeja injetar crédito nas microempresas neste ano

Guilherme Afif Domingos, assessor especial do Ministério da Economia, afirmou ao Valor que espera que os volumes sigam em crescimento. De abril de 2020 até agora, foram liberados R$ 146,9 bilhões

O governo pretende injetar crédito nas micro e pequenas empresas em 2022, disse ao Valor o assessor especial do Ministério da Economia Guilherme Afif Domingos. Ele espera que os volumes de empréstimos sigam em crescimento. De abril de 2020 até agora, foram liberados R$ 146,9 bilhões, segundo dados do Portal do Empreendedor.

“Será a hora e a vez dos fundos garantidores”, afirmou. A expansão do crédito será apoiada por fundos que servem para cobrir as perdas dos bancos em casos de inadimplência. Novos mecanismos do tipo estão em estruturação.

Além disso, o governo avalia estabelecer fontes permanentes para o Fundo Garantidor de Operações (FGO), que nos últimos dois anos cobriu perdas com empréstimos do Programa Nacional de Apoio às Micro e Pequenas Empresas (Pronampe), e o Fundo Garantidor de Investimentos (FGI), que fez o mesmo em relação ao Programa Emergencial de Acesso ao Crédito (Peac).

Esses dois fundos receberam aportes em 2020 e 2021, como parte das medidas de combate à pandemia. No momento, há uma discussão sobre como manter os recursos neles, uma vez que o Pronampe foi convertido em política permanente e há planos para estender programas como o Peac Maquininhas.

Segundo Afif, o FGO poderá ser reabastecido com os recursos que retornarem de operações realizadas nos dois últimos anos. A questão está em análise na área técnica para estabelecer, por exemplo, se os aportes serão contabilizados ou não no teto de gastos.

A solução para o FGO é necessária para garantir a expansão do crédito para as micro e pequenas empresas em 2022, disse a presidente da Associação Brasileira de Desenvolvimento (ABDE), Jeannete Lontra. A entidade congrega instituições de fomento, desde o BNDES até agências regionais de desenvolvimento e cooperativas de crédito.

A ABDE apoia o Projeto de Lei 3.188/21, de autoria do senador Jorginho Mello (PL-SC). O texto mantém no FGO os recursos que foram aportados durante a pandemia e que deveriam ser devolvidos ao Tesouro Nacional. É a mesma solução descrita por Afif. A senadora Katia Abreu (PP-TO) deu parecer favorável à proposta na Comissão de Assuntos Econômicos (CAE) da casa. Após ser aprovada no Senado, a proposta ainda precisa passar pela Câmara.

“São nesses períodos anticíclicos que o sistema nacional de fomento mostra sua importância”, disse Jeanette. O valor contratado pelas micro e pequenas empresas nessas instituições cresceu 118% durante a pandemia, informou. O sistema nacional de fomento disponibilizou R$ 62,5 bilhões para o Pronampe.

Segundo Afif, os fundos garantidores viabilizam crédito para micro e pequenas empresas porque contornam um problema que esse público enfrenta: falta de garantias a oferecer às instituições financeiras. Foi com base nesse diagnóstico que ele, à frente do Sebrae, criou o Fundo de Aval para a Micro e Pequena Empresa (Fampe), 25 anos atrás. A fórmula se mostrou acertada durante a pandemia, com a atuação do FGO e do FGI.

O BNDES, disse ele, vai se especializar na administração de fundos verticais de aval, que são específicos para certos tipos de empresa. São projetos em parceria com o Sebrae para dar apoio a empréstimos a startups, por exemplo.

Outra nova frente de atuação é o apoio aos empresários antes e após a concessão do crédito. Ontem, foi lançado um piloto do Sebrae de São Paulo para capacitar 300 pessoas, principalmente microempreendedores individuais (MEIs), informou Afif. O ministro da Economia, Paulo Guedes, esteve presente.

Hoje, Guedes e o presidente Jair Bolsonaro participaram de um evento da Caixa sobre democratização do acesso ao crédito, no qual foi lançado um produto que antecipa receitas de frete aos caminhoneiros. Paralelamente, a Caixa trabalha num programa de microcrédito.

Afif sorriu quando foi questionado o quanto a alta dos juros básicos atrapalharia os planos de fortalecer o crédito. “Microempresário sempre trabalhou com juro alto”, disse. A criação de fundos garantidores atua na direção contrária, a de reduzir o custo das operações. “O spread cai porque o risco é menor”, comentou.

Fonte: Valor Econômico

PORTARIA INTERMINISTERIAL MTP/MS Nº 14, DE 20 DE JANEIRO DE 2022.

MEDIDAS PREVENTIVAS NO NOVO CORONAVÍRUS (COVID-19)

OS MINISTROS DE ESTADO DO TRABALHO E PREVIDÊNCIA E DA SAÚDE, no uso das atribuições que lhes conferem os incisos I e II do parágrafo único do art. 87 da Constituição, e tendo em vista o disposto na Lei nº 13.979, de 6 de fevereiro de 2020, resolvem:

Art. 1º O Anexo I da Portaria Conjunta nº 20, de 18 de junho de 2020, que estabelece as medidas para prevenção, controle e mitigação dos riscos de transmissão do coronavírus (Covid-19) em ambientes de trabalho, passa a vigorar com a redação constante do Anexo desta Portaria.

Art. 2º Esta Portaria entra em vigor na data de sua publicação.

PARA SABER MAIS ACESSE: https://www.in.gov.br/en/web/dou/-/portaria-interministerial-mtp/ms-n-14-de-20-de-janeiro-de-2022-375794121

Bradesco lança Pix Saque em 22 mil estabelecimentos no País

O Bradesco lançou no fim de dezembro o serviço Pix Saque em 22 mil estabelecimentos comerciais espalhados pelo País. O uso do novo serviço começa com o estabelecimento gerando um QR Code com o valor solicitado pelo usuário. Em seguida, o cliente escaneia com seu celular o código, autoriza a transação e pode receber o valor em espécie.

Além da aposta de aumento do fluxo de pessoas, o estabelecimento receberá uma tarifa (não divulgada pelo Bradesco) pelo serviço prestado.

Para ser um correspondente bancário, o varejista deve entrar em contato com o gerente do banco para se cadastrar como tal ou fazer a solicitação por meio deste site. Mas precisará aguardar aprovação depois de uma análise prévia.

Fonte: Mobile Time

Empresas negociam com credores e escapam da recuperação judicial

Número de pedidos registrado em todo o país em 2021 é o mais baixo dos últimos seis anos

O número de pedidos de recuperação judicial registrado em todo o país em 2021 é o mais baixo dos últimos seis anos. Até o mês de novembro, 807 empresas haviam batido à porta do Judiciário, segundo a Serasa Experian. É menos da metade do que se viu em 2016, por exemplo, ano do impeachment de Dilma Rousseff, em que foram contabilizados 1.865 casos.

A baixa procura contraria a previsão feita por especialistas no começo do ano. Falava-se em recorde de recuperações judiciais. A busca por bancas especializadas estava alta. A pandemia havia agravado e aquele momento coincidia com o vencimento dos prazos das dívidas que foram renegociadas pelas empresas em 2020.

Um dos principais motivos para essa panela de pressão não ter estourado, segundo advogados, foi o comportamento dos credores – bancos, especialmente. A disposição para as negociações, em alta no ano de 2020, se repetiu em 2021.

Companhias que estavam com a papelada pronta para entrar com pedido de recuperação conseguiram mais prazo e condições de pagamento muito próximas das que pleiteariam no processo judicial. “Todas as vezes que tentamos negociar nós conseguimos”, diz a advogada Ana Carolina Monteiro, do escritório Kincaid Mendes Vianna, especializado na área de insolvência.

André Moraes, do Moraes & Savaget Advogados, cita um de seus clientes, uma rede de hotéis conhecida do Rio de Janeiro. “Estávamos prontos para entrar com o processo e não seguimos adiante por causa da renegociação. Os bancos estão renegociando em termos e parâmetros que antes não eram comuns fora do ambiente da recuperação.”

Além de conseguir negociar as dívidas, as empresas tiveram acesso a mais crédito – em bancos ou por meio de programas do governo operacionalizados por instituições financeiras. Entre eles, o Pronampe, destinado a companhias que faturaram até R$ 4,8 milhões em 2020.

Segundo a Federação Brasileira de Bancos (Febraban), a carteira de pessoas jurídicas cresceu de forma expressiva desde o ano passado – especialmente para o segmento de micro e pequenas empresas. Foi registrado aumento de 22% em 2020 e atualmente está em alta de 11,4%.

A captação no mercado de capitais, pelas grandes empresas, além disso, mesmo com o ano ainda em aberto, demonstra ser maior que a registrada no período pré-pandemia. Foram R$ 450 bilhões neste ano de 2021 contra R$ 432,5 bilhões em 2019.

O volume total de crédito concedido ao mercado está em R$ 4,5 trilhões – o que equivale a 53% do PIB (aqui incluídas também as pessoas físicas).

Vicente de Chiara, diretor jurídico da Febraban, diz que a combinação de renegociações das parcelas em aberto e a liberação de mais crédito para que as empresas conseguissem cumprir com as suas obrigações geraram os menores índices de inadimplência da história. A inadimplência é justamente o que leva aos pedidos de recuperação e às falências.

No período pré-pandemia, ele afirma, estava em 2,2% da carteira e hoje é de 1,4%. “A tendência é que aumente um pouco em 2022, mas certamente vai continuar em patamar inferior ao índice da pré-pandemia.”

Além do fator pandemia, dizem advogados, as soluções extrajudiciais também foram impulsionadas pela nova Lei de Recuperações e Falências, que entrou em vigor no mês de janeiro.

Agora, as empresas podem, por exemplo, se utilizar do chamado stay period fora do processo de recuperação judicial, ou seja, enquanto tentam negociar com os credores. Esse mecanismo suspende as ações de cobrança contra a devedora.

Os prazos, no entanto, são diferentes. Nas recuperações judiciais, as ações de cobrança ficam suspensas por 180 dias. Já para as negociações a nova lei prevê até 60 dias.

A nova norma também deu força para as recuperações extrajudiciais. Tanto na judicial como na extrajudicial, o devedor reúne os seus credores para negociar. Elabora-se um plano de pagamento – geralmente com prazo de carência, descontos e o parcelamento dos valores. Se a maioria dos credores aprovar tais condições, todos os outros ficam vinculados e receberão o que lhes é devido da mesma forma.

Muda de uma modalidade para a outra, no entanto, a quantidade de credores envolvida. Na judicial, são submetidas todas as dívidas contraídas até a data de início do processo (há exceção para débitos fiscais e valores com garantia fiduciária).

Já na extrajudicial, a devedora escolhe os credores com quem deseja negociar – o que a permite, por exemplo, poupar fornecedores, evitando se indispor com quem é essencial ao negócio. Essa negociação ocorre sem que haja interferência do Judiciário. Só depois de aprovado pelo grupo de credores, o plano de pagamento é levado para a homologação de um juiz.

Antes da nova lei, era necessária a concordância de 50% dos credores com quem a devedora escolheu negociar. Agora, se o devedor tiver um terço de aprovação do plano de pagamento, ele comunica o juiz e ganha um prazo de 90 dias para tentar convencer os demais – e chegar aos 50%.

Durante esse período, as ações de cobrança ficam suspensas. Se mesmo depois desse prazo o devedor não conseguir a aprovação, ele ainda pode entrar com pedido de recuperação judicial.

O advogado André Moraes diz que das 13 recuperações iniciadas pelo escritório neste ano, três foram extrajudiciais. Uma delas, da Flytour, maior agência de viagens de negócios do país. A intenção, com a recuperação extrajudicial, era a de preservar o maior número de clientes e fornecedores possíveis.

As negociações ficaram concentradas em nove credores financeiros – Bradesco, Banco do Brasil e Itaú, além de fundos de investimentos. Eles aprovaram o plano de pagamento em julho. O documento informa dívidas de R$ 142 milhões.

Especialistas na área de insolvência afirmam que os pedidos de recuperação – tanto extrajudicial como judicial – foram capitaneados, neste ano, por empresas de setores diretamente afetados pela pandemia: hotelaria, turismo e transporte.

A SuperVia, companhia de trens urbanos da região metropolitana do Rio de Janeiro, está entre as que entraram com pedido de recuperação judicial. A empresa encerrou 2020 com prejuízos acumulados de R$ 386,52 milhões, que atribuiu principalmente à redução de passageiros provocada pela pandemia.

O pedido de recuperação, segundo informou em nota, teve como objetivo preservar a prestação do serviço e iniciar um novo ciclo de negociação com os credores e o poder concedente para superar a crise financeira.

Segundo os dados da Serasa Experian, dos 807 pedidos de recuperação judicial registrados até o mês de novembro, 539 foram protocolados por pequenas empresas, 183 por médias e 85 por grandes companhias.

No ano de 2020, foram apresentados 1.179 pedidos de recuperação judicial. É pouco provável que o total ainda a ser registrado neste mês de dezembro se aproxime da quantidade verificada em 2020.

Para 2022, diz Eduardo Seixas, diretor de reestruturação da Alvarez & Marsal, não deve haver grande mudança. “Haverá eleições. Normalmente, em ano eleitoral, o volume de recuperações judiciais equivale, mais ou menos, ao ano anterior. Foi assim na última década.”

Fonte: Valor Econômico

Febraban relaciona expansão de crédito ao controle da inadimplência

A redução estrutural da diferença entre taxas, que alavancaria a expansão do crédito, pode vir pela redução da inadimplência

O economista chefe da Federação Brasileira de Bancos (Febraban), Rubens Sardenberg, afirmou há pouco que há espaço para crescimento da relação entre volume de crédito concedido e Produto Interno Bruto, hoje em 54%, para a casa dos 80% nos próximos anos. Ele comentou o cenário do crédito no país no 3º seminário “STF em Ação”, organizado pelo Instituto de Estudos Jurídicos Aplicados (IEJA), hoje no Rio de Janeiro.

Sardenberg afirmou que os obstáculos dessa expansão são o custo da intermediação financeira no país e o nível de inadimplência, que torna a atividade de concessão de crédito menos atrativa para os bancos, ao mesmo tempo em que eleva as taxas de juros praticadas.

“Poderíamos estar falando de 70%, 80%, 90% do PIB. Há espaço enorme para crescer as operações de crédito. Para isso é preciso preservar a segurança jurídica conquistada e, também, que o Brasil siga em trajetória de redução dos custos de intermediação financeira, sobretudo aqueles relacionados à inadimplência”, disse Sardenberg.

O economista apresentou uma desagregação da diferença entre taxas média experimentado pelo setor entre 2018 e 2020. Segundo a Febraban, 18,9% da diferença entre taxas é a parte do lucro dos bancos, enquanto 19,6% são tributos, 29,6% são despesas administrativas e 31,9% representam os custos da inadimplência. Somados, portanto, 81,1% são considerados custos de operação, enquanto 18,9% é margem de lucro.

Em linha com pleito antigo da Febraban, Sardenberg defendeu que a redução estrutural da diferença entre taxas, que alavancaria a expansão do crédito, pode vir pela redução da inadimplência e dos impostos sobre a atividade.

Ele diminui o peso da margem de lucro dos bancos ao alegar que, se a diferença entre taxas bancária em 2021 foi de 15,33%, apenas 2,9 ponto percentual seriam relativos a ganhos. “Se o lucro fosse zero, a diferença entre taxas ainda seria de 12,4 ponto percentual”, defendeu.

Apesar do cenário, ressaltou, Sardenberg, o país vem em trajetória de expansão ‘notável’ do crédito desde os anos 1990, que inaugurou taxas de inflação mais baixas no pós-plano real, além da alienação fiduciária e a nova lei de falências. Nesse período, lembrou, a relação crédito x PIB era de 20%.

O economista assinalou, ainda, que o avanço recente foi reflexo da diminuição da participação dos bancos públicos na concessão de crédito, que permitiu crescimento da participação de bancos privados e incremento no mercado de capitais.

Até meados de 2017, mostrou Sardenberg, a razão entre o estoque de títulos domésticos no mercado de capital brasileiro e o PIB era de 6,7% e, em quatro anos, quase dobrou, para os 12,2% verificados em 2021.

Fonte: Valor Investe

BC muda cálculo de endividamento de famílias

Com essa alteração, o endividamento das famílias brasileiras com o sistema financeiro aumentou de 48,7%, em agosto, para 49,4% em setembro

O Banco Central apresentou nesta terça, 28, sua nova metodologia para calcular o endividamento e o comprometimento de renda das famílias. Com essa alteração, o endividamento das famílias brasileiras com o sistema financeiro aumentou de 48,7%, em agosto, para 49,4% em setembro. Pela metodologia anterior, que será descontinuada, a taxa estava em 59,9% em agosto – recorde da série em vigor até então.

Se forem descontadas as dívidas imobiliárias, o endividamento ficou em 30,6% em setembro pelo novo cálculo, ante 30,1% do mês anterior – estaria em 37% em agosto pela antiga metodologia.

O BC explicou que apresentou o conceito da chamada Renda Nacional Disponível Bruta das Famílias (RNDBF), uma nova medida de renda das famílias que aprimora e substitui a antiga medida de Massa Salarial Ampliada Disponível (MSAD), aproximando-se do conceito utilizado no Sistema de Contas Nacionais.

Entre as principais diferenças em relação ao antigo modelo, de acordo com o BC, estão a inclusão de recursos recebidos extraordinariamente pelas famílias, como o saque emergencial do FGTS em 2019 e o auxílio emergencial recebido em 2020 e 2021, como parte das medidas para compensar a crise econômica derivada da pandemia de covid.

“As novas séries apresentam níveis inferiores aos das séries anteriores, em função do aumento dos seus novos denominadores, mas suas trajetórias no longo prazo permanecem essencialmente as mesmas – as trajetórias podem apresentar maior disparidade no comprometimento, que utiliza no denominador a média móvel trimestral do indicador de renda, enquanto no endividamento é utilizada a renda acumulada em 12 meses, explicou o BC em nota.

Trajetória

Durante a apresentação dos novos números, o chefe-adjunto do Departamento de Estatísticas do BC, Renato Baldini, afirmou que o “novo indicador capta de forma mais precisa auxílios, férias, horas-extras e 13.º salário”.

Assim como foi mencionado na nota técnica divulgada pelo BC, Baldini disse que a nova metodologia considera uma renda mais alta e que, portanto, o endividamento tende a ficar menor. Ele também reforçou que o comportamento, a evolução e a trajetória do endividamento vão seguir iguais aos cálculos que eram apresentados anteriormente pelo BC. “A análise não muda”, garantiu ele.

O técnico salientou também que o aumento do endividamento não deve ser analisado como uma informação necessariamente ruim, já que isso pode significar a avaliação de famílias e empresas de que têm condição de honrar seus empréstimos. “A elevação do crédito imobiliário, por exemplo, é positiva”, afirmou ele, comentando que isso pode representar que o cidadão pode deixar de pagar aluguel.

Segundo o BC, o comprometimento de renda das famílias com o Sistema Financeiro Nacional (SFN) atingiu 26,2% em setembro, ante 25,8% no mês anterior – era de 30,1% em agosto pela metodologia antiga. Descontados os empréstimos imobiliários, o comprometimento da renda ficou em 24,1% no nono mês do ano, ante 23,7% de agosto (27,6% pela conta anterior). As informações são do jornal O Estado de S. Paulo.

Fonte: Época Negócios