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Receita abre nesta segunda consulta ao primeiro lote de restituição do IR 2019

Cerca de 2,55 milhões de contribuintes que fizeram a declaração neste ano vão receber dinheiro do Fisco

SÃO PAULO – A Receita Federal abriu nesta segunda-feira, 10, a consulta ao primeiro lote de restituição do Imposto de Renda Pessoa Física 2019. Cerca de 2,55 milhões de contribuintes que fizeram a declaração neste ano vão receber dinheiro do Fisco.

Ao todo, serão desembolsados R$ 4,99 bilhões do lote deste ano. A Receita também pagará R$ 109,6 milhões a 20.087 mil contribuintes que fizeram a declaração entre 2008 e 2018, mas estavam na malha fina. Considerando os lotes residuais e o pagamento de 2019, o total gasto com as restituições chegará a R$ 5,1 bilhões para 2.573.186 contribuintes.

A lista com os nomes estará disponível a partir das 9h no site da Receita na internet. A consulta também pode ser feita pelo Receitafone, no número 146. A Receita oferece ainda aplicativo para tablets e smartphones, que permite o acompanhamento das restituições.

O crédito bancário será feito em 17 de julho. As restituições terão correção de 1,54%, para o lote de 2019, a 109,82% para o lote de 2008. Em todos os casos, os índices têm como base a taxa Selic (juros básicos da economia) acumulada entre a data de entrega da declaração até este mês.

O dinheiro será depositado nas contas informadas na declaração. O contribuinte que não receber a restituição deverá ir a qualquer agência do Banco do Brasil ou ligar para os telefones 4004-0001 (capitais), 0800-729-0001 (demais localidades) e 0800-729-0088 (telefone especial exclusivo para deficientes auditivos) para ter acesso ao pagamento.

Os dois últimos lotes regulares serão liberados em novembro e dezembro. Se estiverem fora desses lotes, os contribuintes devem procurar a Receita Federal porque os nomes podem estar na malha fina por erros ou omissões na declaração.

A restituição ficará disponível durante um ano. Se o resgate não for feito no prazo, a solicitação deverá ser feita por meio do formulário eletrônico – pedido de pagamento de restituição, ou diretamente no e-CAC , no serviço extrato de processamento, na página da Receita na internet. Para quem não sabe usar os serviços no e-CAC, a Receita produziu um vídeo com instruções.

Fonte: Estadão

Educação financeira em escolas do País avança 72% em cinco anos

Ao todo, existem mais de 1.300 projetos de educação financeira no Brasil; tema faz parte da Base Nacional Comum Curricular da educação infantil e do ensino fundamental

dinheiro vem da Casa da Moeda, no Rio de Janeiro. A cédula lá produzida é feita de um papel especial antifraude, enquanto a moeda tem fabricação em aço. A poupança, por sua vez, é uma maquininha na qual o dinheiro entra e sai maior – mas só um pouquinho.

As afirmações são de uma turma de alunos com idades entre seis e sete anos do Colégio Magno/Mágico de Oz, na Zona Sul de São Paulo. Lá, educação financeira é um tema abordado em todas as idades, do berçário à educação infantil, por meio de projetos que remetem a situações do dia a dia.  As atividades vão de uma mini cidade, onde os alunos simulam compras e trabalhos, à uma visita ao supermercado para discutir valores e escolhas conscientes. 

Ações como a do Colégio Magno têm crescido no País. Segundo um levantamento coordenado pela Associação de Educação Financeira do Brasil (AEF-Brasil), iniciativas de educação financeira aumentaram 72% em cinco anos. Ao todo, foram identificados mais de 1.300 projetos sobre o tema, quase metade apenas em instituições de ensino. 

Segundo a superintendente da AEF, Claudia Forte, índices como mais de 60 milhões de brasileiros com nome negativado, o superendividamento dos aposentados e o baixo nível de poupança no Brasil são reflexo de uma geração que não se preocupava com a educação financeira. “Agora, a gente vive um momento no qual as pessoas estão buscando essas informações. Concluiu-se que é importante formar uma nação mais preocupada com o ato de ser coisas e não de tê-las”, explicou ao Estado.

O tema começou a ser discutido com mais ênfase em 2010, quando foi instituída a Estratégia Nacional de Educação Financeira (ENEF). Mas foi em 2017 que ganhou força, com a inclusão de educação financeira na Base Nacional Comum Curricular (BNCC) da educação infantil e do ensino fundamental.

Desde então, os sistemas e as redes de ensino devem incorporar educação financeira e de consumo em escalas local, regional e global, como uma disciplina transversal, ou seja, que não é tratada apenas em matemática, mas em outras áreas, como linguagens, história e geografia. As instituições ou redes de ensino têm até o início do ano letivo de 2020 para adequar os currículos e propostas pedagógicas à BNCC

Na avaliação de Claudia Forte, o ensino da educação financeira trafega por todas as grandes áreas de conhecimento com muita fluidez. “É confortável abordar o assunto em qualquer que seja a disciplina, de acordo com a realidade e a idade de cada criança, desde que o professor tenha sido preparado e capacitado para isso”, resumiu.

No Colégio Maple Bear, uma visita à feira livre para falar sobre a extração da cana de açúcar no Brasil Colônia acabou abordando temas como poder de escolha e conferência do troco. Inicialmente, a atividade era apenas sobre História, mas no final também incluiu educação financeira. “A gente pensa junto de que maneira isso faz mais sentido para o aluno e como conseguimos unir as matérias para que seja mais significativo”, explica a mestre em linguística aplicada e coordenadora da unidade de Moema, Feliciana Amaral. 

Em outra dinâmica para abordar o tema, os alunos do último ano vendem doces para pagar as camisetas da formatura. Durante o processo, eles discutem questões como orçamento, controle de venda e investimento.

Tendência mundial

A eficiência  da educação financeira nas escolas foi comprovada em um projeto piloto feito pela ENEF, que contou com o treinamento de 1.200 professores, o desenvolvimento de livros didáticos e o ensino da temática para 27.000 alunos por três semestres. Depois de realizada, a iniciativa foi avaliada pelo Banco Mundial, que indicou melhora na proficiência financeira e no comportamento por parte dos alunos. A conclusão da experiência está no relatório  “Educação Financeira nas Escolas: Desafios e Caminhos”, do Banco Central. “Não é para ninguém ficar milionário, é pra viver bem com aquilo que tem disponível”, ressalta Claudia Forte.

Ainda segundo o documento do BC, desde a crise financeira de 2008, estudos sobre o impacto da educação financeira nas escolas foram conduzidos em diversos países. Na Espanha, por exemplo, o documento afirma que houve incremento na consciência dos alunos sobre o valor atual dos recursos e as consequências futuras de escolhas presentes. Em pesquisa no Reino Unido, foi constatado que as habilidades cognitivas relacionadas à leitura e matemática atreladas ao aprendizado de educação financeira são fortes preditoras de bons resultados financeiros na vida adulta.

A pesquisadora Ruth Hofmann, da Universidade Federal do Paraná, explica que, no exterior, a educação financeira é abordada em aspectos práticos, do cotidiano. “A gente tem em boa parte dos países desenvolvimento de materiais didáticos falando o que é um cartão de crédito, como ler um boleto, um holerite. São muito pragmáticos na abordagem.”

Tendência em outros países, o ensino da educação financeira no Brasil tem recebido incentivo para ser disseminado. Segundo o levantamento da AEF, aumento ocorreu sobretudo nas iniciativas gratuitas, que passaram de 23% para 32%. 

Exemplo disso é o Bank of America, que, em parceria com o Instituto Brasil Solidário, já conseguiu levar o conteúdo a 160 mil alunos por meio do “Projeto Jogos de Educação Financeira”, que funciona através do treinamento gratuito dos educadores das redes de ensino estaduais e municipais, com foco em jovens com faixa etária de 6 a 14 anos. A expectativa é de que, até o fim do ano, o ensino que começou no Ceará e que se dá com jogos de tabuleiro, chegue a 1 milhão de estudantes da rede pública brasileira.

 “Quando a gente começa a falar do treinamento, nem entramos na questão de matemática: provocamos diálogos e conversas sobre o cotidiano. O que eles sonham ou desejam? Para isso, eles guardam ou não guardam o dinheiro? Vamos elaborando isso com linguagens ajustadas para crianças”, explica o diretor do Brasil Solidário, Luis Salvatore. Os jogos “Piquenique” e “Bons Negócios”, criados pelo grupo, visam a estimular aos alunos tomadas de decisões, cumprimento de responsabilidades do dia a dia, a experiência prática de investir e a negociação.

O projeto segue para nova etapa de expansão, envolvendo a distribuição de mais de 14 mil jogos na rede pública nacional e até em Santiago, no Chile, com um modelo adaptado para a realidade local. “Vai além da educação financeira, porque o jogo é inserido num contexto de vida real, com a troca de ideias sobre várias situações cotidianas. Os professores podem usar isso de uma maneira argumentativa para trabalhar outras disciplinas como língua portuguesa, história, geografia e ciências”, resume Salvatore.

O aumento de iniciativas de educação financeira se deu, principalmente, em escolas públicas. Elas representam 78% das instituições que tiveram ações mapeadas pela AEF-Brasil. 

Em São Paulo, a Escola Estadual Cesar Martinez abordava educação financeira com os alunos antes mesmo da BNCC. Mas no ano passado, a instituição recebeu, do Banco Central, apostilas sobre o tema e dinâmicas com os alunos. “Foi um dia só com atividades do BC. Eles conversam com as crianças sobre a importância do dinheiro e a sua utilização, sobre os animais que estão na cédula, que eram da nossa fauna”, conta a professora e coordenadora Solange Aparecida da Silva. “É um programa interessante que tem que ser expandido para outras escolas”, completa. 

O Banco Central tem colaborado, em diversas frentes, com a ampliação da educação financeira no País. Além de ter participado da interlocução com o Ministério da Educação para a inclusão do tema na BNCC, ele é membro do Comitê Nacional de Educação Financeira (Conef). Segundo o presidente do Banco, Roberto Campos Neto, o assunto faz parte da Agenda da autarquia, não só com projetos para escolas, mas no que diz respeito ao planejamento de longo prazo das famílias. 

Fonte: Estadão

Passagem de graça? Quem paga pelas recompensas de cartões de crédito

Entenda o processo por trás das recompensas de cartão de crédito que permite que algumas pessoas façam viagens e consigam outros produtos e serviços de graça

Júlia Bocci sempre dá um jeito de encaixar uma viagem no orçamento. No início de abril, a jovem de 22 anos foi para Florianópolis e não pagou as passagens de ida e volta. Como? Usando milhas do cartão de crédito.

“Em casa a gente tem o cartão de crédito com o nome de um titular para a família toda, então acumulamos bastante milhas. Já fiz também viagens internacionais: quando fui para a Austrália comprei a ida só com milhas. Sempre fico de olho para usar – já perdemos [pelo prazo de validade] e fiquei inconformada, porque realmente dá para viajar sem pagar nada”, conta.

Como Bocci, muitas pessoas usam as milhas e outros tipos de recompensas oferecidas pelo cartão de crédito para pagar menos (ou nada) para viajar, comprar produtos em varejistas ou ter outros tipos de descontos.

Mas todo mundo sabe que “não existe almoço grátis” – e alguém tem que arcar com esses custos.

Geralmente, a maior parte é paga pelos emissores do cartão – considerando o modelo mais tradicional e popular de recompensas, segundo Alexandre Zylberstajn, sócio-diretor do Passageiro de Primeira, site especializado em programa de fidelidade.

Mas a verdade é que o processo de pagamento que faz a recompensa ser oferecida e chegar nas mãos do consumidor é bem longo. Para entender melhor, Zylberstajn explicou quem participa de mercado de pagamentos:

Hoje, além dos emissores, as bandeiras de cartão, como Visa e MasterCard oferecem seus próprios programas de recompensas em paralelo às opções dos emissores. São benefícios separados.

Mas, considerando um modelo mais popular de recompensas de cartão, quando Bocci viaja com a família sem pagar nada, por exemplo, quem está arcando com esses custos é o emissor do cartão, no caso, o banco. E quem fornece esse dinheiro ao banco é o correntista, através das taxas pagas e das transações feitas.

“Os emissores têm o constante desafio de conquistar novos clientes (e novos cartões) e usam as recompensas como atrativo. Podem ser milhas e pontos, cashback, acesso a lounges, ingressos, descontos, entre outros benefícios”, explica o especialista.

Os contratos são caros e, também por por conta disso, os próprios emissores verticalizaram o negócio, entrando no mercado ao criarem os próprios programas de fidelidade, acrescentando mais um elemento no processo do mundo de pagamentos – como o Livelo, programa de pontos do Bradesco em conjunto com o Banco do Brasil.

Para entender melhor o processo, imagine que um consumidor passou seu cartão em uma loja para comprar uma calça de R$ 100. Do total do preço da calça, a loja recebe um valor descontado de uma comissão, um percentual.

Essa comissão é paga para os credenciadores (como a Cielo, por exemplo), que por sua vez, repassam uma parte para os emissores (que pode ser o banco que emitiu o cartão utilizado pelo cliente). Com esse dinheiro recebido a partir dos credenciadores, os emissores podem oferecer ao consumidor diversas recompensas.

Mas essa taxa descontada do valor não é a única forma de recebimento dos emissores.

Tipos de benefício e seus preços

Após entender que realmente não existe viagem grátis, é preciso entender da onde vem esse dinheiro que compõe a cesta de receita dos emissores. “Dentro dos emissores, essas recompensas têm um custo – e não é pouco. Quando falamos de milhas e pontos, eles negociam os valores com os programas de fidelidade parceiros, por exemplo”, explica Zylberstajn.

Como foi dito, a comissão descontada é uma das três principais fontes de receita que possibilitam que os emissores ofereçam milhas e outros benefícios. Segundo o especialista, os emissores também recebem dinheiro por meio da anuidade paga pelos clientes e por meio de juros.

No caso da anuidade, o próprio cliente paga para receber benefícios que podem ser muito valiosos, segundo Zylberstajn. “Quanto maior a anuidade que o cliente paga, maiores e melhores são as recompensas que ele recebe. Muitas pessoas não têm ideia da quantidade de benefícios a que têm direito”.

Por exemplo, alguns cartões oferecem a “garantia estendida”. Quando um consumidor compra uma geladeira, por exemplo, e a mesma apresenta um problema depois do prazo de garantia oferecido pelo varejista, o cartão com esse benefício oferece um ano extra para cobrir qualquer eventual falha.

Outro benefício é “preço garantido”. Se o consumidor compra uma televisão por R$ 1.000 e, um mês depois esse valor diminui, a emissora do cartão paga a diferença.

Há também as diferenças por tipo de cartão. Cartões de entrada tendem a oferecer benefícios mais tímidos, como ingressos de cinema, de teatro e cupons de descontos em determinados varejistas.

Nesse caso, os emissores que não cobram anuidade compõem sua cesta de receita para oferecer esses benefícios por meio das taxas descontadas dos estabelecimentos e de juros.

Por outro lado, cartões premium oferecem milhas por meio dos programas de fidelidade parceiros, acesso aos lounges de aeroportos, garantia estendida e outros benefícios exclusivos.

“Vale dizer que hoje os programas de fidelidade, como Smiles, Multiplus e Livelo, evoluíram a ponto de oferecer uma série de tipos de recompensas e não só passagens aéreas. Com uma certa quantidade de milhas você pode trocá-las por passagens aéreas, mas também por hospedagem em hotéis, locação de carros, produtos de varejistas, entre outras coisas”, lembra o especialista.

Júlia Bocci, a viajante do início deste texto, conta que seus pais também são adeptos das milhas. “Eles são aposentados e podem viajar fora de época. Na última viagem foram para Gramado, no Rio Grande do Sul, e pegaram as passagens de ida e volta, o aluguel do carro e o hotel com as milhas, tudo de graça”, diz.

Entre as recompensas existe ainda o cashback. “Quando um percentual do valor que o consumidor gastou é devolvido em crédito na fatura. É mais simples e direto”, explica Zylberstajn.

Se você paga, deve usar

O especialista explica que entender o processo e saber dos benefícios a que tem direito pode valer a pena para o consumidor. Principalmente porque todo cliente que usa cartão de crédito, no fim, contribui para esse sistema de pagamentos.

Na prática, quanto mais os estabelecimentos passam os cartões, maior será o percentual que vão repassar aos credenciadores, que posteriormente repassarão aos emissores para oferecer recompensas.

Então, se o consumidor usa o cartão de crédito, mas não está usufruindo dos benefícios que pode ter, deve procurar saber quais são ou avaliar se seu cartão é a melhor opção para o momento.

“Milhões em milhas não são utilizadas todo ano, mas o consumidor paga sempre que usa seu cartão. Por exemplo, quando a pessoa paga uma televisão via boleto na varejista ela deixa de contribuir para essa cadeia e geralmente paga um valor mais barato do que o preço do cartão. Mas quando paga no cartão, a varejista não recebe os R$ 1 mil da TV, mas sim esse valor descontado da taxa que vai para os credenciadores”, explica.

Além disso, quem paga anuidade contribui ainda mais para a cadeia de recompensas. “Se você contribui a mais é importante que receba a mais. Então, se o consumidor achar que não está valendo a pena, se não usa as recompensas deve negociar a anuidade ou tentar mudar o cartão, por exemplo, para não deixar dinheiro na mesa”.

Fonte: InfoMoney

CLIENTES DE BAIXA RENDA SÃO OS QUE MAIS RENEGOCIAM DÍVIDAS, DIZ BC

Segundo o BC, os tomadores de crédito com renda inferior a três salários mínimos correspondiam a 70% dos clientes que reestruturaram dívida, em dezembro de 2018; saldo reestruturado na faixa até três salários mínimos totalizou R$ 1,2 bilhão; já os tomadores de alta renda (acima de dez salários mínimos) haviam reestruturado cerca de R$ 660 milhões de suas dívidas ou 23% do total da carteira reestruturada

A reestruturação de dívida ocorre nas situações em que o tomador de crédito “enfrenta dificuldades financeiras evidentes e, em geral, já tem parcelas em atraso”. É diferente da renegociação de dívida que costuma ocorrer por meio de alongamento de prazos, redução de taxas, alteração nas condições de pagamento, obtenção de recursos adicionais, migração para outras modalidades de crédito, entre outras possibilidades, explicou o BC.

Segundo o BC, os tomadores de crédito com renda inferior a três salários mínimos correspondiam a 70% dos clientes que reestruturaram dívida, em dezembro de 2018.

“Sobressaem nessa faixa os clientes com renda de até dois salários mínimos, representando 53% do total. O saldo reestruturado na faixa até três salários mínimos totalizou R$ 1,2 bilhão, o equivalente a 43% da carteira ativa reestruturada e a 0,21% de toda a carteira ativa para essa faixa de valor”, diz o BC.

Por sua vez, os tomadores de alta renda (acima de dez salários mínimos) haviam reestruturado cerca de R$ 660 milhões de suas dívidas ou 23% do total da carteira reestruturada. O número desses tomadores também é bem menor, atingindo 5% dos clientes com dívidas reestruturadas.

Cartão de crédito
Segundo o BC, 27% dos clientes com dívidas reestruturadas era da modalidade cartão de crédito. Entretanto, as reestruturações nessa modalidade representaram apenas 6% do saldo total da carteira reestruturada.

O destaque do BC em relação a essa modalidade é para o número de clientes de baixa renda com dívidas renegociadas. Cerca de 70% das reestruturações de cartão são de clientes de baixa renda (inferior a três salários mínimos).

Dívidas abaixo de R$ 3 mil
Dos cerca de 278 mil tomadores que reestruturaram dívidas em dezembro de 2018, 178 mil tinham débitos em montantes inferiores a R$ 3 mil. O saldo total reestruturado nessa faixa de valor foi de R$ 220 milhões, ou seja, aproximadamente 65% dos tomadores reestruturaram dívidas que correspondiam a apenas 8% do saldo reestruturado total (R$ 2,9 bilhões).

Por outro lado, 63% do saldo da carteira reestruturada em dezembro de 2018 referia-se a dívidas acima de R$ 50 mil. O número de tomadores nessa faixa, contudo, é pequeno, correspondendo a 5% do total de devedores, diz o BC.

Crédito imobiliário
Em dezembro de 2018, cerca de 15 mil tomadores de crédito imobiliário recorreram à reestruturação de seus débitos. “Ainda que pouco representativa em relação ao número de tomadores com operações reestruturadas (cerca de 6%), essa modalidade de crédito atinge R$ 1,3 bilhão de saldo na carteira (46% da carteira reestruturada)”, destaca o BC.

Dos clientes com crédito imobiliário reestruturado, 67% têm renda inferior a três salários mínimos. “A maior parcela do saldo da carteira reestruturada (23% do total) é composta por tomadores dessa faixa de renda que financiaram imóveis com valores superiores a R$ 50 mil, um possível reflexo da recessão econômica de 2015 e 2016 sobre os clientes que operam nos limites de sua capacidade financeira”, diz o BC.

Inadimplência
Segundo o BC, um pouco menos da metade da dívida renegociada é paga em dia. Em dezembro de 2017, após 12 meses da reestruturação, 48% do saldo (45% dos tomadores) estava pago ou com pagamento em dia. Cerca de 23% da carteira estava com atraso inferior a 90 dias (considerados pré-inadimplente), 15% estava inadimplente ou havia sofrido nova reestruturação e 5% (18% dos tomadores) havia sido lançada como prejuízo para os bancos.

Entre as modalidades, o crédito imobiliário tinha 83% da carteira (84% dos clientes) paga, adimplente ou com atraso inferior a 90 dias. No caso do cartão de crédito, esse percentual cai para 55% da carteira reestruturada (49% dos clientes).

“As reestruturações de operações de crédito imobiliário foram mais efetivas do que as de cartão de crédito”, conclui o BC.

Segundo o BC, “esse comportamento pode estar relacionado com o fato de o crédito imobiliário ser de alto volume e envolver uma boa garantia, levando a um maior interesse tanto por parte do tomador quanto da instituição concedente em mantê-lo adimplente”.

“Porém, a permanência dos tomadores na modalidade cartão de crédito é preocupante dado seu alto custo, que tende a levar ao aumento da inadimplência. Essa análise é compatível com a participação do cartão de crédito na carteira inadimplente. Em dezembro de 2018, embora representasse 12% do saldo da carteira de crédito pessoa física, o cartão de crédito correspondia a 22% da carteira inadimplente”, diz o BC.

Saldo renegociado
O saldo da carteira reestruturada, em dezembro de 2018, chegou a R$ 2,9 bilhões. Esse estoque representa cerca de 0,15% do saldo dos empréstimos concedidos pelos bancos no país. O número de clientes com dívidas reestruturadas em relação ao total de tomadores é de aproximadamente 0,3%. Isso corresponde a uma média de 252 mil clientes com novas reestruturações a cada mês.


Fonte: Agencia Brasil

Ford anuncia demissão mundial de 7 mil funcionários

Visando economizar US$ 600 milhões, a fabricante norte-americana Ford anunciou nesta segunda-feira (20) o corte de sete mil funcionários dos setores administrativos até o fim de agosto.

O CEO da Ford, Jim Hackett, revelou a notícia aos trabalhadores através de um e-mail. A fabricante iniciará o processo hoje (21) e informou que serão 2,3 mil empregos a menos somente nos Estados Unidos.

“Para ter sucesso em nossa indústria competitiva e posicionar a Ford para vencer em um futuro de rápidas mudanças, precisamos reduzir a burocracia, capacitar gerentes, acelerar a tomada de decisões, focar no trabalho mais valioso e cortar custos”, informou Hackett.

A manobra para tentar salvar a Ford também eliminará cerca de 20% dos gerentes do alto escalão da companhia.

A Ford está seguindo os mesmos passos da General Motors, que anunciou no ano passado o corte de mais de 14 mil postos de trabalho e o fechamento de cinco fábricas de produção, sendo quatro nos Estados Unidos e uma no Canadá.

A montadora vem sofrendo dificuldades globalmente, mas ainda não foi informado se os cortes afetarão os trabalhadores da Ford no Brasil. No entanto, em fevereiro, a companhia anunciou o fechamento da fábrica de caminhões de São Bernardo do Campo, em São Paulo.

Além disso, as fábricas da Ford no Brasil poderão ser assumidas pela Caoa até o final de 2019.

Fonte: Metro Foco

Cartão de crédito consignado da Caixa começa a valer em todo o país

Cartão, de bandeira Elo, pode ser usado para compras e tem 95% do limite disponível para crédito em conta

Aposentados e pensionistas do Instituto Nacional do Seguro Social (INSS) de todo o país podem contratar, a partir desta quarta-feira (dia 22), o cartão de crédito consignado da Caixa Econômica Federal. O projeto-piloto havia sido lançado em abril, disponível apenas nas agências de Brasília (DF), mas agora foi ampliado para os demais estados.

O produto tem taxa de juro de 2,85% ao mês e limite de crédito de até 1,4 vez o valor do benefício. Ou seja, um aposentado que recebe do INSS o valor mensal de R$ 998 (um salário mínimo), teria limite de R$ 1.397,20.

O cartão, de bandeira Elo, pode ser usado para compras e tem 95% do limite disponível para crédito em conta. Além disso, não tem cobrança de anuidade e pode ser utilizado no exterior. A Caixa informou que, com o cartão, o contratante poderá comprometer até 5% do valor mensal da aposentadoria ou da pensão. Essa margem não concorre com o limite de 30% do empréstimo consignado.

Vice-presidente de Produtos de Varejo da Caixa, Julio César Volpp Sierra explicou que não é necessário receber o benefício nesse banco para obter o cartão. — É uma solução de crédito interessante para o beneficiário, que não consegue um cartão com muita facilidade no mercado, e, para a Caixa, porque o desconto da mensalidade é feito diretamente no benefício. Com seu uso consciente, o cartão Caixa Simples, inclusive, facilita a organização das finanças pessoais — disse.

No ato da contratação, o cliente interessado será informado sobre todas as condições de uso do produto, além de ser orientado a pagar o valor total da fatura, como forma de promover a educação financeira dos clientes, incentivando a utilização consciente do crédito.

Os clientes que contratarem o cartão também contarão com o check-up lar, em que poderão solicitar serviços de reparos domiciliares, como chaveiro, troca de lâmpada e conserto de encanamento, entre outros.

Fonte: o globo

Conta de luz vai ficar mais cara: reajuste de 50% da Aneel

A Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel) aprovou na última terça-feira (21) um reajuste nos preços das bandeiras tarifárias amarela e vermelha, nos patamares 1 e 2 — a bandeira verde continua no mesmo patamar. Atualmente, o Brasil opera em bandeira amarela, então a população sentirá a diferença.

Segundo o G1, o maior aumento de preço aconteceu na bandeira amarela, que pulou R$ 1 para R$ 1,50 a cada 100 quilowatts-hora (kWh). É um aumento de 50%. A bandeira vermelha também sofreu aumentos: R$ 3 para R$ 4 a cada 100 kWh (33%) no patamar 1 e R$ 5 para R$ 6 por 100 kWh (20%) no patamar 2.

Entenda as diferenças:

  • Sistema de bandeiras: adotado pela Aneel para indicar se o consumidor pagará mais, já que o valor da energia precisaria ser repassado ao consumidor final
  • Bandeira verde, sem alteração: custo baixo, coberto pela tarifa regular
  • Bandeira amarela: aumento no custo de produção de energia
  • Bandeira vermelha: aumento maior no custo de produção, ligado principalmente ao volume de chuvas e ao nível dos reservatórios

O reajuste que será repassado aos consumidores deve evitar que a conta da bandeira tarifária fique deficitária em 2019, afirma o o diretor-geral da Aneel, André Pepitone. Os últimos dois anos foram de déficit: R$ 4,4 bilhões (2017) e R$ 500 milhões (2018).

“A revisão é necessária para que não haja um déficit ainda maior em 2019, que terá que ser pago nas tarifas de energia em 2020”, afirma Pepitone.

Fonte: G1

Desemprego cresce em São Paulo e mais 13 estados no 1º tri, aponta IBGE

No período, as maiores altas da taxa de desemprego foram observadas no Acre, Goiás e Mato Grosso do Sul

Na passagem do quarto trimestre de 2018 para o primeiro trimestre deste ano, a taxa de desemprego subiu de forma estatisticamente significativa em 14 das 27 unidades da federação. No Estado de São Paulo, houve elevação de 12,4% no quarto trimestre de 2018 para 13,5% no primeiro trimestre deste ano, de acordo com dados da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios Contínua (Pnad Contínua) divulgados nesta quinta-feira, 16, pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). No primeiro trimestre de 2018, a taxa de desemprego em São Paulo estava em 14,0%.

As maiores taxas de desemprego foram registradas no Amapá (20,2%), na Bahia (18,3%) e no Acre (18,0%). No Rio, a taxa de desemprego ficou em 15,3% e, em Minas Gerais, em 11,2%. As menores taxas foram observadas em Santa Catarina (7,2%), Rio Grande do Sul (8,0%) e Paraná e Rondônia (ambos com 8,9%).

A taxa de desocupação no total do País no primeiro trimestre de 2019 foi de 12,7%, ante 13,1% no primeiro trimestre de 2018, como já havia divulgado o IBGE no fim de abril. No quarto trimestre do ano passado, a taxa de desocupação era de 11,6%.

São 13,387 milhões de brasileiros desempregados no primeiro trimestre e um quarto deles está há dois anos ou mais em busca de trabalho. Do total de desempregados no primeiro trimestre, 24,8%, ou 3,319 milhões de pessoas, estão nessa condição há dois anos ou mais.

Outros 6,074 milhões de trabalhadores estão desempregados de um mês a menos de um ano, o equivalente a 45,4% do total de desempregados, enquanto 2,108 milhões (15,7%) buscam trabalho há menos de um mês e 1,886 milhão (14,1% do total) o fazem de um ano a menos de dois anos.

Subutilização

A taxa de subutilização (os que estão desempregados, que trabalham menos do que poderiam e que estavam disponíveis para trabalhar mas não conseguiram procurar emprego) do primeiro trimestre foi a maior dos últimos da série histórica (iniciada em 2012) em 13 das 27 unidades da Federação.

As maiores taxas foram observadas no Piauí (41,6%), Maranhão (41,1%), Acre (35%), na Paraíba (34,3%), no Ceará (31,9%) e Amazonas (29,2%). A taxa média de subutilização no país foi de 25%, também a maior da série histórica.

Os maiores contingentes de desalentados (aqueles que desistiram de procurar emprego) no primeiro trimestre deste ano foram registrados na Bahia (768 mil pessoas) e no Maranhão (561 mil). Os menores foram observados em Roraima (8 mil) e no Amapá (15 mil).

Os maiores percentuais de trabalhadores com carteira assinada estavam em Santa Catarina (88,1%), no Rio Grande do Sul (83,2%) e Rio de Janeiro (81,8%) e os menores, no Maranhão (50,3%), Piauí (52,5%) e Pará (53,0%).

As maiores proporções de trabalhadores sem carteira foram observadas no Maranhão (49,5%), Piauí (47,8%) e Pará (46,4%), e as menores, em Santa Catarina (13,2%), no Rio Grande do Sul (18,0%) e Rio de Janeiro (18,4%).

Em relação ao tempo de procura de emprego no Brasil, 45,4% dos desocupados estavam de um mês a menos de um ano em busca de trabalho; 24,8%, há dois anos ou mais, 15,7%, há menos de um mês e 14,1% de um ano a menos de dois anos.

Fonte: Exame.com

Governo ainda tem dúvidas se fim do Simples traria aumento de receita

No fim do ano passado, a equipe econômica do ex-presidente Michel Temer chamou a atenção para necessidade de revisão do Simples para torná-lo mais rígido

Brasília — O secretário de Previdência do Ministério da Economia, Leonardo Rolim, afirmou nesta quarta-feira, 15, que o regime tributário do Simples Nacional trouxe aumento “considerável” de formalidade, razão pela qual tem “muita dúvida” sobre eventual crescimento da receita previdenciária no caso da sua extinção.

Sozinho, o Simples deverá responder neste ano por 29,4 bilhões de reais em renúncias tributárias, ou 45,9% do total, conforme dados mostrados por Rolim em comissão especial da reforma da Previdência na Câmara dos Deputados.

Em sua apresentação, ele também afirmou ser “impensável” acabar com o cadastro de Microempreendedor Individual (MEI), que deverá implicar renúncia tributária de 2,4 bilhões de reais em 2019.

No fim do ano passado, a equipe econômica do ex-presidente Michel Temer chamou a atenção para necessidade de revisão do Simples para torná-lo mais rígido, com avaliação de que o limite de faturamento anual para adesão ao programa, atualmente de 4,8 milhões, seria muito alto comparado ao de outros países.

A crítica era de que, com essa linha de corte, o Simples estaria escapando do seu objetivo e também inibindo o crescimento das empresas, com algumas preferindo permanecer no regime pelas vantagens tributárias em vez de faturar mais.

Em 2019, as entidades filantrópicas responderão pelo segundo maior impacto para as renúncias tributárias (18,8% do total, ou 12,1 bilhões de reais), seguidas pela desoneração da folha de salários (14,91% do total, ou 9,6 bilhões de reais).

O ministro da Economia, Paulo Guedes, tem defendido a completa desoneração da folha de pagamento como forma de impulsionar a criação de empregos no país, com a instituição de um imposto sobre pagamentos para substituir essa base de arrecadação.

Fonte: Exame.com

Sem crédito, pagamento do Bolsa Família para em setembro, diz Guedes

Congresso Nacional precisa aprovar o projeto de crédito suplementar de R$ 248 bilhões, necessários para governo conseguir fazer pagamentos do governo

Brasília — O ministro da Economia, Paulo Guedes, disse que, se o Congresso Nacional não aprovar o projeto de crédito suplementar de R$ 248 bilhões, necessário para cumprir a regra de ouro, travará os pagamentos do governo. De acordo com o ministro, sem o crédito, os pagamentos de subsídios param em junho, de benefícios assistenciais em agosto e, do Bolsa Família, em setembro. “Tenho que apostar que o Congresso vai aprovar o crédito suplementar”, completou ele, durante audiência da Comissão Mista de Orçamento (CMO).

Guedes reforçou a necessidade de aprovação da reforma da Previdência e disse que o crescimento desses gastos pode impedir a tentativa do governo de “salvar o País”. “Pode não dar tempo”, afirmou.

Eles ponderou ainda que, como ministro da Economia, “manda muito pouco” e que não é ele quem decide onde são feitos cortes orçamentários, já que o presidente Jair Bolsonaro indica as prioridades do governo. “As pessoas acham que eu tenho muito mais poder do que eu tenho. O poder está em quem vai sancionar leis”, concluiu.

Imposto sobre dividendos

O ministro da Economia afirmou ainda que há outros temas que precisam ser endereçados no contexto econômico como, por exemplo, a tributação em cima de dividendos, mas que a reforma da Previdência é mais urgente neste momento. “Não vou cuidar do imposto em dividendos agora porque daí a Previdência já explodiu. É preciso desarmar essa bomba”, disse.

Conforme Guedes, uma eventual mudança em impostos tem impacto somente no ano seguinte e, por causa disso, pode ser tratada depois.

Ele garantiu, contudo, que irá tratar desse tema, mas que começou a endereçar o descontrole dos gastos pelo lado que acha “mais certo”.

“Se aumentar os impostos agora, posso destruir os poucos investimentos que temos. É preciso agir com muito cuidado. Vamos olhar isso também (tributação de dividendos), apagar o problema de excesso de desonerações”, enfatizou Guedes.

Privatizações

Questionado sobre o momento de fazer privatizações no governo de Jair Bolsonaro, o ministro da Economia afirmou que é um movimento para fazer “ontem, anteontem”. Ponderou, entretanto, que há uma “coisa com mais urgência”, referindo-se à reforma da Previdência.

“Não posso nem pensar em correr para vender empresas estatais. Salim (Mattar) está correndo, conversando com bancos, mapeando potencial, conversando com dentro dos próprios ministérios”, explicou Guedes, referindo-se ao secretário Especial de Desestatização e Desinvestimento do Ministério da Economia, Salim Mattar.

Fonte: Exame.com