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Supermercado já limita quantidade de produto por consumidor

Segundo associação, não há necessidade de estocar produtos e sim de incentivar o consumo consciente, pensando sempre na coletividade

Com o aumento do movimento nos supermercados nos últimos dias, após avanço do coronavírus, produtos de necessidade básica, como água, arroz, feijão, massas, leite, óleo, material de limpeza e de higiene pessoal, começaram a ter a quantidade de compra limitada por consumidor.

Clientes do Pão de Açúcar da Rua Alves Guimarães, em Pinheiros, zona oeste de São Paulo, relataram que ficaram surpresos ao encontrar nas pratileiras cartazes com a indicação da quantidade permitida para a compra de vários produtos.

 Movimento

 Só na última segunda-feira (16), o movimento nos supermercados paulistas cresceu 18%, segundo levantamento feito pela Apas (Associação Paulista de Supermercados), em comparação com o dia 17 de fevereiro.

O presidente da Apas, Ronaldo dos Santos, informou que a associação está mapeando diariamente toda a cadeia produtiva, como indústria e logística de distribuição de produtos, que está operando normalmente, sem falta de produtos. A única exceção, que tem demandado maior procura, é o álcool em gel.

Segundo Ronaldo dos Santos, não há necessidade de corrida aos supermercados e os consumidores devem realizar um consumo consciente, pensando sempre na coletividade.

“Não há necessidade de estocar produtos. Pode haver ruptura pontual nas gôndolas, porém os supermercados têm se esforçado para disponibilizar os produtos o mais rápido possível”, disse.

Já o Pão de Açúcar disse que alguns itens só poderão ser adquiridos de forma limitada a cada compra. A iniciativa é válida para todas as lojas da rede e em todo o Brasil por tempo indeterminado.

“A rede Pão de Açúcar está atuando junto a toda cadeia de valor para manter a agilidade do abastecimento, trabalhando na máxima capacidade para que os (as) clientes possam comprar o que precisar, quando precisar e pelo canal que escolher”, informou a rede em nota.

Fonte: R7 noticia

Juro menor puxa endividamento das famílias

Segundo economistas, alta do endividamento e do comprometimento de renda ainda não deve piorar situação financeira das famílias, mas mercado de trabalho precisa se recuperar para que o aumento das dívidas continue controlado e não gere inadimplência

Depois de longo período de desalavancagem, as famílias brasileiras voltaram a se endividar. Dados do Banco Central mostram que a proporção entre o valor das dívidas com o Sistema Financeiro Nacional e a renda efetiva acumulada em 12 meses atingiu 44,9% em novembro, 2,3 pontos acima do observado em igual período de 2018. Ante o mês anterior, o índice está em alta há 11 meses seguidos. Excluindo o financiamento imobiliário, o endividamento é bem menor, mas também está em trajetória crescente: subiu de 24,1% para 26,3% em um ano.

O comprometimento mensal da renda com dívidas – que, segundo economistas, é mais importante para determinar o poder de compra das famílias – também está em alta, mas em ritmo mais modesto. O dado avançou um ponto na comparação anual, para 20,9%. Sem o crédito para compra de imóveis, o aumento foi de 1,2 ponto, para 18,6% da renda mensal.

Série calculada pela Tendências Consultoria usando a massa de renda habitual, e não a efetiva – e por isso, com dados um mês à frente -, aponta na mesma direção. Em dezembro, 28,6% da renda mensal das famílias estava comprometida com dívidas, ante 27% há um ano. Já o endividamento em relação à renda acumulada em 12 meses aumentou três pontos em igual ordem, para 54,7%. Os dois percentuais são superiores ao estimado pela autoridade monetária porque incluem o saldo de dívidas sem juros no cartão de crédito, não considerado no critério do BC.

Também no último mês de 2019, 65,6% das famílias tinham algum empréstimo e/ou compra a prazo, segundo pesquisa da Confederação Nacional do Comércio de Bens, Serviços e Turismo (CNC). Esse é o nível recorde do levantamento, que começou em janeiro de 2010.

Para especialistas, a queda dos juros e o aumento da confiança dos consumidores, após anos com a demanda por bens mais caros reprimida, elevaram a procura por crédito. No momento atual, esse movimento não desperta preocupação, devido à expectativa de que o mercado de trabalho formal gere mais empregos e renda este ano. Por outro lado, a trajetória ainda fraca dos salários acenderia um sinal de alerta para a situação financeira das famílias, caso persista. Por ora, a taxa de inadimplência da pessoa física no crédito com recursos livres segue controlada, em 5% até dezembro.

Enquanto as concessões para famílias com recursos livres, em que as taxas são pactuadas livremente entre bancos e clientes, subiram 14,7% entre 2018 e 2019, a massa salarial, que combina a variação do emprego e da renda real, cresceu 2,5% em igual comparação. Em relatório recente, Tony Volpon, economista-chefe para o Brasil do UBS, destaca essa disparidade da economia brasileira, uma vez que é normal que os dois indicadores evoluam em ritmo mais próximo.

O crescimento das novas concessões já superou o ritmo observado em 2013, de cerca de 12%, nota Volpon, enquanto a massa de renda ainda está bastante aquém da alta de 10% verificada no ano anterior à crise. “O desempenho do crédito é surpreendente”, diz o economista, que relaciona o aumento do endividamento à queda dos juros e também a uma mudança de composição dos financiamentos, para modalidades mais baratas.

Por isso, mesmo com o crédito se expandindo a uma velocidade de dois dígitos, o serviço da dívida não subiu em igual proporção nem o comprometimento, ressalta Volpon. “Olhando o crédito em relação à renda, poderíamos achar que há um problema, mas o percentual de renda comprometida não está perto do pico”, afirmou. Para o UBS, na medida em que o mercado de trabalho formal se recuperar, o crescimento da massa salarial deve acelerar, o que reduz o risco de alta desenfreada do endividamento e da inadimplência.

Nas estimativas da Tendências, a massa salarial vai crescer 2,7% em 2020, taxa que não coloca o orçamento familiar sob estresse, afirma a economista Isabela Tavares. Com melhora da renda, o maior endividamento não é prejudicial, diz, porque o comprometimento mensal permaneceria abaixo de 30%, devido ao menor custo das dívidas e, também, ao alongamento dos prazos.

“Durante a crise, houve aumento do uso do rotativo do cartão de crédito e do cheque especial, linhas que têm juros mais altos”, diz Isabela. Agora, as modalidades mais contratadas são o crédito pessoal e o financiamento de carro, aponta ela, mais baratas e com prazos maiores e que, por isso, não consomem tanto o orçamento mensal.

Segundo a CNC, entre os consumidores endividados, 9,9% financiaram um veículo e 8,9%, um imóvel, fatia acima daqueles que estão no cheque especial (6,7%). A principal dívida ainda é cartão de crédito (79,8%).

É normal que, depois de um longo período de moderação, as dívidas tenham voltado a subir na esteira da recuperação do consumo, aponta Marianne Hanson, economista da CNC. “As famílias adiaram compras, como a troca de carro e eletrodomésticos. A partir do momento em que houve retomada da confiança, estão contratando mais crédito”, disse, e a redução dos juros seria um incentivo a mais para a decisão de voltar a se endividar.

A demanda dos consumidores por crédito cresceu 12,4% em 2019 de acordo com medição da Serasa Experian, puxada principalmente por pessoas de menor renda. Na faixa que recebe de R$ 500 a R$ 1.000 por mês, a alta foi de 14%. Para Luiz Rabi, economista da Serasa, o crédito deve crescer novamente na casa de dois dígitos neste ano, mas o Brasil não deve enfrentar um problema de superendividamento e inadimplência, como em 2011.

Hoje, o comprometimento de renda excluindo financiamento imobiliário – medida que Rabi prefere analisar – está em 18,6%, nível mais confortável do que os 21,5% observados há nove anos. “O que pode gerar algum problema no futuro é o aumento do comprometimento da renda, mas a redução dos juros e o aumento dos prazos de parcelamento podem compensar isso.”

O número do BC aponta o comprometimento médio mensal com base nas dívidas com o SFN, enquanto a pesquisa da CNC pergunta aos consumidores qual a parcela de rendimentos destinada ao pagamento desses dispêndios. Nessa análise, um dado chama atenção, pondera Marianne: 20% das famílias com alguma dívida afirmam possuir mais da metade dos rendimentos comprometido. A considerável parcela de famílias nessa condição impõe um limite para o crescimento do crédito, mas não impede que a retomada do consumo continue, avalia ela.

Fonte: Valor Econômico

Governo quer antecipar três anos de saque do FGTS para crédito, diz jornal

O governo avalia medidas para liberar mais recursos do FGTS (Fundo de Garantia do Tempo de Serviço) para estimular a economia depois que o PIB (Produto Interno Bruto) cresceu 1,1% em 2019.

De acordo com reportagem do jornal O Globo, uma das ideias estudadas é permitir que trabalhadores que optarem pelo saque-aniversário possam antecipar o resgate em até três anos apenas para operações de crédito. A quantia poderia ser sacada ou usada como garantia de empréstimo em qualquer banco.

Fonte: Uol

Cooperativas de crédito crescem com taxas baixas e agências. Vale sair do banco?

Cooperativas oferecem os mesmos produtos e serviços que os bancos, a taxas menores e com educação financeira, mas é preciso participar das assembleias

Enquanto as fintechs, startups de serviços financeiros, ganham força — e bota força nisso — um modelo antigo de instituição financeira, do início do século XX, vem conquistando espaço: as cooperativas de crédito. Essas entidades crescem oferecendo os mesmos produtos e serviços que os bancos, a taxas menores e com educação financeira.

Compare os prós e contras da modernidade das contas digitais

As 925 cooperativas de crédito do país somavam R$ 137 bilhões em ativos totais em 2018, 18% mais que em 2017. Para se ter uma ideia, o sistema financeiro como um todo cresceu 7% no mesmo período.

A quantidade de cooperados atingiu 9,9 milhões em 2018, alta de 9% em relação a 2017. O número de empresas associadas cresceu 18%, enquanto o de pessoas físicas, 8%. O aumento do número de cooperados pessoas físicas foi maior que o crescimento estimado para a população, de acordo com o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).

Os dados refletem a busca das entidades do setor por profissionalização, ganhos de escala e diversificação de produtos e serviços.

“O nome técnico ainda é cooperativa de crédito, mas hoje falamos em cooperativa financeira. Temos todos os produtos e serviços de um banco”, diz Francisco Reposse Junior, diretor de desenvolvimento e supervisão do Sicoob Confederação.

sso significa que elas oferecem conta, cartão, empréstimos, investimentos, seguros, maquininhas de pagamento e por aí vai.

O Sicoob e o Sicredi são hoje os maiores sistemas de cooperativas do Brasil.

Cooperativas X Bancos

Apesar das cooperativas oferecerem os mesmos produtos e serviços que os bancos, essas instituições possuem algumas diferenças. Enquanto os bancos precisam dar lucro aos acionistas, as cooperativas distribuem resultado para os próprios cooperados. Ao abrir uma conta em uma cooperativa, você se torna um sócio dela.

“Somos um grande crowdfunding. Antigos de constituição, mas modernos de conceito”, diz Jaime Basso, presidente do Sicredi Vale do Piquiri, que atua em São Paulo, no ABC paulista e em parte do Paraná.

Na maioria das cooperativas do Brasil, qualquer um pode ser cooperado, independentemente da sua renda ou profissão. Para entrar, é preciso pagar um valor inicial, chamado de capital social, geralmente abaixo de R$ 50.

Se a cooperativa tiver resultado positivo, o dinheiro é distribuído aos cooperados uma vez por ano, proporcional ao valor das operações de cada um. Mas se tiver resultado negativo, o cooperado pode ter que arcar com eventuais perdas se o fundo de reserva for insuficiente para cobri-las.

Todos os depósitos mantidos nas cooperativas têm a proteção do Fundo Garantidor do Cooperativismo de Crédito (FGCoop), que garante até R$ 250 mil por CPF. O valor é o mesmo garantido pelo Fundo Garantidor de Créditos (FGC) aos clientes dos bancos.

Os associados podem votar em assembleias para tomar decisões sobre os rumos da cooperativa. A maioria delas investe na própria comunidade em que atua.

“Como sócio da cooperativa, você precisa participar e saber como a entidade está indo financeiramente para não ser pego de surpresa”, diz Myrian Lund, planejadora financeira certificada pela Associação Brasileira de Planejadores Financeiros (Planejar) e especialista em cooperativas de crédito.

Taxas mais baixas

Uma das principais vantagens de ser um cooperado são as tarifas dos serviços financeiros menores e taxas de juros mais baixas. Em geral, nas linhas de crédito em que o risco é maior, como empréstimo pessoal e cartão de crédito, os juros são proporcionalmente menores do que quando comparados com os bancos.

Quando existe uma garantia associada, como acontece no empréstimo consignado ou no financiamento de veículos, por exemplo, as taxas de juros das cooperativas são similares às dos bancos.

A seguir, compare as taxas de juros médias por modalidade de crédito cobradas pelas maiores cooperativas de crédito em relação às taxas praticadas pelos bancos.

Fonte: Valor Investe

BC quer que banco dê desconto se cliente fizer curso de educação financeira

Os cursos serão oferecidos por meio de app, que deve ser lançado até junho.

Uma iniciativa do Banco Central (BC) e da Federação Brasileira de Bancos (Febraban) pretende fomentar ações de educação financeira por meio de uma plataforma de cursos. O app foi pensado para os clientes bancários e a expectativa é de que já esteja disponível até o final do primeiro semestre.

A plataforma contará com um programa de pontos, semelhante ao de milhas. “Na medida em que fazem os cursos, os clientes receberão pontuação que poderá ser trocada por descontos em produtos financeiros e tarifas.” – como noticiou o UOL.

Sobre a nova plataforma, o diretor de Relacionamento, Cidadania e Supervisão de Conduta do BC (Banco Central), Mauricio Moura, afirmou que os pontos serão um certificado que os clientes receberão para ter acesso a condições diferenciadas.

“Também está em estudo que os birôs de crédito tenham acesso aos pontos para que isso tenha impacto positivo na nota de crédito do cliente no cadastro positivo. A plataforma ainda está em fase de desenvolvimento e será divulgada no primeiro semestre desse ano pela Febraban e pelo BC”, disse o diretor – como apontou, ainda, a publicação.

Fonte: Cooperativismo de credito

Bancos travam guerra silenciosa por clientes na área de crédito imobiliário

Em 2015, o total de crédito que migrou para outro banco somou R$ 68,93 milhões. No ano passado, até novembro, essa conta já era de R$ 1,46 bilhão

As instituições financeiras travam uma guerra silenciosa pelo cliente na área de crédito imobiliário no Brasil. Entre os cinco maiores bancos do País – Caixa, Banco do Brasil, Bradesco, Itaú e Santander -, nenhum deles aceitou abrir ao Broadcast (sistema de notícias em tempo real do Grupo Estado) seus números mais recentes sobre portabilidade de crédito. Esses dados são considerados “estratégicos” pelas instituições, ainda mais neste momento em que o mercado de crédito habitacional está se abrindo.

Em 2015, o total de crédito imobiliário que migrou para outra instituição somou apenas R$ 68,93 milhões, considerando todos os bancos do País. No ano passado, até o mês de novembro, essa conta já era de R$ 1,46 bilhão. Os números ilustram somente o início da guerra pelo cliente, em um mercado que possui hoje estoque total de R$ 630 bilhões, considerando o financiamento para pessoas físicas.

A Caixa Econômica Federal, que abarca a maior fatia do crédito imobiliário no Brasil, afirma que tem como prioridade a concessão de novos financiamentos, mas também oferece a portabilidade aos interessados. Quando o cliente solicita a mudança da Caixa para outro banco, a estatal analisa a situação específica.

Bradesco, Santander e Banco do Brasil também afirmaram, por meio de assessoria de imprensa, que avaliam “caso a caso” a situação de quem deseja migrar seu financiamento para outro banco. De forma geral, a intenção é sempre reter o cliente que procura a concorrência.

Neste cenário, instituições menores também lutam para conquistar uma fatia maior do mercado. O Banco de Brasília (BRB), que hoje tem atuação concentrada no Distrito Federal, registrou crescimento de 368% do crédito imobiliário ao longo de 2019.

“Tivemos 228 contratos de portabilidade apenas no segundo semestre de 2019”, disse o presidente do banco, Paulo Henrique Costa. “Hoje, a distribuição está quase meio a meio, entre novos contratos e contratos de portabilidade.”

De acordo com Costa, o crédito imobiliário é estratégico. “Entendemos que o crédito imobiliário é um produto especial, que traz um relacionamento de longo prazo. Ele permite ampliar o relacionamento com o banco e o consumo de outros produtos”, afirma.

Para os próximos meses, a meta do BRB é lançar novos produtos, como os contratos prefixados e indexados ao IPCA, inclusive para quem deseja fazer a portabilidade para o banco.

Fonte: Info Money

O que acontece com o meu empréstimo consignado em caso de demissão?

Especialista responde dúvida de leitor sobre crédito consignado. Envie você também as suas perguntas

Pergunta da leitora: Peguei um empréstimo consignado no banco em que a empresa tinha convênio e as parcelas são descontadas do meu salário. Se eu for demitida ou pedir demissão, o que acontece?

Resposta de Beto Veiga:

As parcelas podem ser cobradas diretamente na sua conta ou por meio de boleto bancário. A forma depende de previsão contratual. O passo mais urgente é verificar o seu contrato e, se a forma de desconto não for a mais favorável para você, entre em contato imediatamente com o banco para negociar um ajuste.

Uma situação curiosa no caso do empréstimo consignado em folha é o fato de que, quando empregado, a prestação mensal não pode ultrapassar 30% do valor do salário. Quando você é demitido, nada poderia ser descontado, uma vez que o salário passou a ser zero. Porém, infelizmente, não é isso o que ocorre e as prestações continuam sendo devidas.

Assim, se você não tiver condição financeira de pagá-las, faça uma renegociação com o banco para evitar ficar inadimplente.

Uma informação importante sobre o consignado é que, desde 2015, as parcelas também podem ser descontadas de até 30% das verbas rescisórias, para reduzir a dívida. Se essas verbas são pequenas em comparação com seu saldo devedor, pouco efeito terá na diminuição do seu endividamento. De qualquer forma, fique atento.

Em contratos assinados depois de 2016, até 10% do saldo do FGTS e até 100% da multa rescisória podem ser utilizados para abater a dívida em caso de demissão sem justa causa.

Fonte: Exame

BB pode vender negócios na área de cartões

Banco quer “destravar valor” em conjunto de ativos avaliado em R$ 9,2 bilhões, dizem fontes

O Banco do Brasil (BB) colocou em revisão suas participações no setor de cartões, o que poderá levar a uma reorganização da área e até à venda de ativos, apurou o Valor. O objetivo é estudar como “extrair mais valor” das operações, segundo duas fontes a par do assunto.

O presidente do BB, Rubem Novaes, e o presidente do conselho de administração, Hélio Magalhães, estão diretamente envolvidos. Um diagnóstico deve ser concluído até o fim de junho. “O mercado [de pagamentos] está crescendo fortemente. Temos todo o ecossistema nas mãos. A ideia é aproveitar melhor as sinergias”, diz uma fonte.

Os negócios do BB incluem uma administradora de cartões e participações na credenciadora Cielo, na empresa de vouchers de alimentação Alelo, na Cateno, que processa as transações com cartões de débito, e na bandeira de cartões Elo. O investimento nesses ativos estava avaliado em R$ 9,2 bilhões no balanço de setembro de 2019. O BB divulga amanhã as demonstrações do quarto trimestre.

As discussões também passam pelo posicionamento que o banco quer dar à sua carteira digital, que está sendo desenvolvida e deve competir com soluções como o iti, do Itaú Unibanco, e o PicPay, controlado pelo Original. O BB está fazendo uma aposta grande na “wallet” e quer que ela seja um agregador de meios de pagamentos. O lançamento está previsto para ocorrer ainda neste semestre, diz um interlocutor a par dos planos.

Em 2019, o banco já reorganizou as empresas relacionadas à área, que foram reunidas sob a holding BB Elo Cartões Participações. Até então, parte das operações – inclusive ações da Cielo – estava debaixo do banco de investimento. A mudança foi um passo para reorganizar os ativos para a parceria firmada com o UBS no banco de investimento, mas deixou a holding de cartões posicionada para uma eventual abertura de capital, afirma uma fonte familiarizada com a instituição. Porém, um plano nesse sentido não está no radar por enquanto, segundo outra pessoa próxima ao banco.

A Cielo é o mais valioso dos ativos do banco em cartões, e também o que enfrenta o maior desafio. Controlada por BB e Bradesco, a credenciadora vem perdendo valor de mercado diante do aumento da concorrência, e investidores levantam as hipóteses de venda ou fechamento de capital. Novaes descartou essas possibilidades no ano passado. Essa orientação não mudou, assim como a necessidade de a companhia reencontrar sua vocação, afirma uma fonte.

Resolver o nó da Cielo não é simples. A credenciadora tem importância estratégica não apenas em pagamentos, mas como ponto de contato com os clientes para a oferta de outros produtos bancários. Desde o fim de 2018, a empresa abriu mão de rentabilidade para estancar a perda de “market share”. As vendas até reagiram, mas não convenceram o mercado. A estratégia mudou de novo em 2020, quando a Cielo sinalizou que voltará a priorizar resultado. “Foi importante comprimir margem para manter participação de mercado, mas neste ano isso vai mudar”, diz fonte próxima ao BB.

Mesmo que quisesse vender sua parte na companhia, o banco precisaria desfazer uma série de amarras com o Bradesco. Uma exigência do sócio é que, se algum deles vender a participação, terá de ficar fora do setor de adquirência por um tempo. Outra é que o vendedor não pode negociar com outra credenciadora para evitar que se fortaleça um concorrente.

Outro ponto que adiciona complexidade no cenário é a Cateno. A empresa é uma joint venture entre Cielo e BB, e tem como atividade principal processar transações de cartões de débito do banco. A questão é que o valor do ativo reside justamente nesse contrato. Se o BB saísse do negócio, a empresa deixaria de fazer sentido – e a Cielo precisaria ser ressarcida.

“A solução ideal seria o BB vender a fatia que detém na Cielo ao Bradesco, e comprar da credenciadora a Cateno de volta”, diz fonte próxima aos acionistas. Nesse caso, o Banco do Brasil continuaria sendo remunerado pelo uso de seu balcão para vender produtos da credenciadora. Mas, além de um acordo entre os bancos, seria necessário chegar a um preço aceitável pelo Tribunal de Contas da União, já que a Cielo perdeu valor.

Nas últimas semanas, também circulou a possibilidade de um IPO da bandeira Elo, controlada por BB e Bradesco e que tem a Caixa como minoritária. Quem levantou a hipótese foi o presidente da Caixa e do conselho de administração da Elo, Pedro Guimarães, ponderando não ter falado ainda com os sócios. Estes, porém, ficaram incomodados com a declaração, apurou o Valor. “É uma decisão que cabe aos controladores”, diz um executivo de uma dessas instituições.

Procurado, o BB não se manifestou até o fechamento desta edição. O Bradesco afirmou que não comenta especulações de mercado.

Fonte: Valor econômico

Cartão de crédito: bancos serão obrigados a cobrar dólar do dia da compra a partir de março

Norma publicada em 2019 estabelece divulgação da taxa usada por meios eletrônicos com quatro casas decimais

A partir de março, compras feitas em moeda estrangeira com cartão de crédito chegarão na fatura, obrigatoriamente, com o valor da cotação do dia em que foram realizadas. Até então, os bancos poderiam optar por cobrar o valor referente à data do fechamento da fatura – e a maioria trabalhava dessa forma.

A mudança foi estabelecida por norma do Banco Central (BC) em 2018 e detalhada em circular de outubro de 2019.

Também se torna mandatório divulgar informações sobre as taxas de conversão do dólar dos EUA para reais utilizadas para o cálculo, inclusive em canais eletrônicos de atendimento ao cliente. O valor deverá ser detalhado com quatro casas decimais

Por fim, as instituições serão obrigadas a divulgar e manter atualizadas as referências de acesso ao catálogo e aos dados abertos de sua propriedade.

As normas tornam mais previsível a compra em moeda estrangeira no cartão de crédito em um momento de fortes oscilações do dólar – mas não necessariamente barateiam a conversão, já que o dólar do dia da compra pode ser maior que o do fechamento da fatura.

Cálculo muda

Cada banco utiliza um cálculo próprio para converter compras feitas em moeda estrangeira. A maioria delas utiliza como referência a taxa Ptax – um cálculo do BC que faz referência à média das taxas praticadas pelas principais instituições de câmbio do país.

A partir da taxa de referência, cada instituição adiciona um spread, ou seja, uma taxa extra, que costuma girar em torno de 4%. Com esse acréscimo, o valor cobrado fica similar ao do dólar turismo.

Se os gastos forem em outras moedas, diferentes do dólar americano, o banco realiza duas conversões – do real para o dólar e do dólar para a outra moeda -, o que significa que são cobradas duas taxas de câmbio e dois spreads diferentes.

Importante lembrar que, sobre as compras em moeda estrangeira utilizando cartão de crédito, incide um Imposto Sobre Operações Financeiras (IOF) de 6,38%. Vale lembrar que o IOF para compra de moeda estrangeira em espécie é consideravelmente menor, de 1,1%.

Fonte: Info Money

32% dos empreendedores negros já tiveram crédito negado sem explicação

Mesmo com nome limpo, afroempreendedores têm dificuldade em conseguir empréstimo de bancos

No auge de sua agência de comunicação, o empresário Sergio All, 45, percebeu que a tecnologia evoluía constantemente e, portanto, precisava investir mais no seu negócio para acompanhá-la.

Decidiu, então, pedir crédito pessoal ao banco do qual era cliente havia dez anos e, para a sua surpresa, teve o não como resposta.

“Na hora eu queria entender por que eu não poderia ter esse acesso”, afirma o empresário. “Eu tinha uma agência que movimentava muito dinheiro, tinha todo o score [pontuação do Serasa] necessário. Eu não era diferente dos outros.”

O caso de Sergio All não é isolado. Apesar de movimentarem R$ 1,7 trilhão por ano, 32% dos empreendedores pretos e pardos tiveram um ou mais pedidos de crédito negados por seus bancos, sem que fossem esclarecidas as razões.

É o que diz o Estudo do Empreendedorismo Negro no Brasil, levantamento inédito realizado pela PretaHub em parceria com Plano CDE e JP Morgan.

A pesquisa entrevistou 1.220 pessoas negras e brancas em todo o país, de todas as classes sociais, para mapear os perfis e principais dificuldades do afroempreendedorismo.

Publicitário e especialista em finanças, All tomou o episódio como estímulo para criar seu próprio banco, voltado especialmente à população negra e de baixa renda.

“Um pouco depois [de ter o crédito negado] eu fui entender que foi uma questão social, racial e seletiva, o que me fez ir além”, conta. “Eu me perguntei: quantos caras iguais a mim passam por isso?”

Nascido na periferia de São Paulo, o empresário conhecia as dificuldades financeiras do público que queria impactar. Em 2017, fundou a Conta Black, primeira conta digital criada por negros entre as mais de 500 fintechs —startups voltadas ao serviço financeiro— do Brasil.

A novidade, que por enquanto atua em cinco estados brasileiros, já tem 3.000 contas cadastradas e quer chegar às 50 mil ainda neste ano. Para isso, tem promovido a desburocratização do acesso a serviços financeiros por meio de taxas mais baixas e atendimento transparente.

Querendo se distanciar do termo “banco” e se aproximar do que a equipe chama de pessoalidade, a Black quer ampliar uma nova onda, a das chamadas “comunidades financeiras”, na qual é pioneira.

A proposta dessas comunidades é focar na base da pirâmide, ou seja, os desbancarizados. De acordo com o Instituto Locomotiva, 45 milhões de brasileiros são excluídos do sistema bancário de crédito.

A sede pelo impacto social se alia também ao potencial rentável do segmento. Ainda que excluídos, os desbancarizados movimentam R$ 817 bilhões ao ano no Brasil.

Apesar dos benefícios oferecidos a empreendedores negros, como ferramentas de educação e gestão financeira de negócios, são poucos os que concordam com a interpretação que deu vida à fintech.

Isso porque, ainda de acordo com o Estudo, apenas 3% dos empreendedores negros acreditam que a dificuldade de acesso a crédito esteja ligada à questão racial.

Para a empreendedora social Adriana Barbosa, vencedora do Troféu Grão 2019 e fundadora da PretaHub e da Feira Preta, o mapeamento feito pela pesquisa é necessário para que seja atribuída ao empreendedorismo negro uma narrativa de potência no lugar da escassez.

Feira Preta

Um exemplo dessa escassez seria a dificuldade de acesso ao crédito, que ela considera uma consequência do racismo institucionalizado no Brasil.

“Os negros estão em desvantagem há muitos anos e de forma sistemática, e essa exclusão faz com que não nos encaixemos nos critérios dos bancos de acesso ao crédito”, diz a integrante da Rede Folha de Empreendedores Socioambientais.

O produtor audiovisual e empreendedor Rodrigo Portela, 31, era correntista do mesmo banco havia mais de cinco anos e também teve seu pedido de crédito pessoal negado na primeira vez em que precisou.

O episódio, semelhante ao de Sergio All, o levou a adotar comportamento diferente em relação às finanças. Ele é fundador da Terra Preta Produções —produtora audiovisual voltada ao público negro desde 2017— e, após ser deixado na mão pelo banco, trabalhou para que seu negócio se tornasse completamente sustentável, sem dar passo maior que a perna.

Portela também defende que os pedidos de crédito negados aos empreendedores negros sem explicação estão ligados à questão racial. Ele diz que decidiu pedir empréstimo ao banco, no início da Terra Preta, devido à propaganda do “crédito fácil” feita pelo dono da produtora em que trabalhava antes.

“Ele pegava crédito no banco todo mês para poder pagar a gente, dizia que era ‘de boa’. E, logo na primeira vez que tentei, não consegui”, diz o empreendedor. “Mas é claro: ele era branco, eu não.”

Em seu depoimento para o Prêmio Empreendedor Social 2019, a empreendedora Sheila Makeda também apontou a diferença de tratamento de bancários em relação a correntistas negros.

“Você vai ao banco e é olhada de um jeito diferente, como se não tivesse condições de ter uma conta lá”, conta a dona da Makeda Cosméticos.

Alguns bancos já tiveram casos de violência com clientes negros repercutidos na mídia. Um dos que mais geraram protestos aconteceu em fevereiro de 2019, numa agência da Caixa Econômica Federal em Salvador.

O microempresário e cliente da Caixa Crispim Terral estava acompanhado por sua filha de 15 anos quando foi imobilizado por policiais militares da Bahia e retirado à força do local.

Consultada sobre a cor da pele ser um possível empecilho para a concessão de crédito em algumas agências bancárias, a Febraban (Federação Brasileira de Bancos) afirma que cada banco tem sua própria política para concessão de crédito, sendo dois dos critérios o tempo de relacionamento com o cliente e o histórico de pagamentos.

“Vale ressaltar que o Sistema de Autorregulação Bancária (Sarb) determina que os bancos atuem de modo ético e tratem o consumidor de forma justa, digna e transparente”, completa a federação.

Fonte: Folha de SP