Notícias

‘Brasileiro está descobrindo novas classes de ativos’

03/01/2018


Para o diretor de investimentos do Santander, investidor terá de escolher entre alta rentabilidade, baixo risco e liquidez diária

Qual sua perspectiva para os investimentos em 2018 neste cenário de juros baixos?

O ano de 2018 trará um cenário de investimentos diferente do que nossos clientes estão acostumados. No Brasil de juros altos, os cliente se acostumaram a uma combinação de três fatores que só havia aqui: alta rentabilidade, baixo risco e liquidez diária. Investir neste cenário era simples e exigia menos esforço e pesquisa. Agora, com a queda dos juros, o cliente terá que a abrir mão de uma destas variáveis. Se quiser, baixo risco e liquidez diária, por exemplo, terá menor rentabilidade. Se quiser maior rentabilidade, terá que correr mais risco ou abrir mão de liquidez. No entanto, esta transição traz um elemento a mais: o ano de eleições promete trazer maior flutuação de mercados e cotações. Portanto, será um ambiente bem diferente para clientes investidores que precisarão de maior aconselhamento de especialistas para fazer boas escolhas.

O sr. acha que o apetite ao risco do investidor brasileiro vai continuar aumentando no ano que vem da forma como ocorreu em 2017?

No mercado há um grupo grande, quantitativamente é a maioria, de clientes que não tem apetite para risco e prefere opções mais conservadoras. No entanto, em função da nova dinâmica de mercado descrita na pergunta anterior, há um número crescente de cliente que está buscando novos produtos de investimentos. Isso deve ser uma tendência de mercado para os próximos anos, especialmente se as reformas se consolidarem e a taxa de juros puder ser estruturalmente mais baixa.

Quais seriam boas opções de investimento para brasileiros (principalmente pessoa física) no ano que vem?

O brasileiro está descobrindo novas classes de ativos e buscando orientação cada vez mais sofisticada para tomar suas decisões de investimentos. Novas investimentos tais como debêntures incentivadas, COE, LCI/LCA/CRI/CRA, fundos multimercado, fundos imobiliários, ações, ETF’s etc estão crescendo. Nossa recomendação hoje conta com vários destes ativos, mas sempre de forma diversificada e equilibrada, respeitando o perfil de risco de cada investidor. Abaixo nossa recomendação por classe de ativo:

Classes Conservador Moderado Arrojado
Renda Fixa Pós 76% 46% 17%
Renda Fixa 13% 15% 17%
Inflação 5% 12% 20%
Multimercado 6% 20% 30%
Renda Variável 0% 6% 16%

Como os possíveis cenários para a eleição do ano que vem podem impactar o ambiente de negócios e de investimento?

Mais importante que os candidatos e seus partidos será o compromisso de cada um deles com as reformas e ajustes que serão necessários para estabilização da dívida pública e, como consequência, de toda a macroeconomia. Tivemos importantes evoluções nos últimos meses e esperamos que esta seja alinha adotada pelos principais candidatos da próxima eleição.

Fonte: Estadão