Na área de crédito, plano é abrir mais agências para continuar a expansão

Cooperativas apostam em estratégia de proximidade ao produtor para expandir financiamentos

Com estratégia oposta à dos grandes bancos, as cooperativas de crédito rural abrem agências para chegar a lugares onde em muitos casos são a única opção financeira da cidade. O ritmo de competição acirrada e a velocidade com que adentram o campo já faz com que algumas se posicionem a frente dos maiores bancos privados do país. Caso do Sicredi, que só perde para o Banco do Brasil (BB) no volume de financiamento ao produtor agropecuário, tendo desembolsado R$ 27 bilhões na safra atual, com 200 mil operações a cerca de 120 mil produtores, sendo 80% delas dedicadas à agricultura familiar.

Para o próximo ano safra, o Sicredi, uma das primeiras instituições financeiras de cooperativas do país, quer expandir sua atuação sobre os mais de 1 milhão de pequenos e médios produtores brasileiros, segundo o Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (Mapa). “Projetamos atingir 150 mil produtores e conceder R$ 31 bilhões em crédito. Para isso, devemos abrir mais de 180 agências em todo país”, afirma Gustavo Freitas, diretor executivo de crédito do Banco Cooperativo Sicredi, que conta com 108 cooperativas associadas e duas mil agências distribuídas em 1,5 mil municípios. O segredo para expansão do crédito, diz, é estar próximo do produtor. “Tem municípios com 15 mil habitantes onde estamos sozinhos. Em Maringá (PR) temos cem agências, sendo que em 16 localidades, somos os únicos a oferecer crédito”, conta Freitas.

O Sicredi não está sozinho neste mercado. As cooperativas participaram com quase 20% do total de R$ 236 bilhões de crédito subvencionado destinados pelo Mapa na safra 2020/2021. O Sistema de Cooperativas de Crédito do Brasil (Sicoob) também pretende expandir sua atuação na safra 2021/2022 e chegar a R$ 20 bilhões em crédito concedido ao campo, R$ 3 bilhões a mais do que deve fazer até o final da safra atual.

“Como o custo de produção aumentou de 40% a 80% dependendo do insumo utilizado, o produtor rural vai precisar de mais dinheiro para custeio”, observa Luciano Ribeiro, superintendente de negócios e desenvolvimento do Sicoob, quarta maior instituição financeira a emprestar ao campo, atrás de BB, Sicredi e Bradesco. O executivo lembra que o aumento da Selic, que está em 4,25%, também impacta os preços do setor. “Na próxima reunião do Banco Central pode ir a 5% e isso vai aumentar ainda mais o custo do financiamento.” O Sicoob planeja abrir mais 200 agências este ano.

Fonte: Valor Economico

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